
É impossível pensar na dezena de 90 sem lembrar de Uma Babá Quase Perfeita, filme de 1993 que acabou tomando um posto no pedestal da molecada que cresceu nos anos 1990 e 2000. Contando com uma atuação espetacular de Robin Williams, o longa sobreviveu ao ‘teste do tempo’ uma vez que um retrato perfeito do que era o cinema nessa estação tão marcante.

Quem vê o papel da Senhora Doubtfire, imortalizado por Robin Williams, talvez tenha dificuldade em confiar que o saudoso comediante não era a primeira opção do diretor Chris Columbus. Pois é, ele queria muito que Tim Allen interpretasse a babá, mas ele teve de recusar por conflitos de agenda, abrindo a oportunidade para que Robin chegasse e revolucionasse o filme. Inclusive, você lerá muito o nome do ator nesta lista de curiosidades.

Lembra quando disse que Robin Williams revolucionou o filme? Não era excesso. O comediante encantou o diretor, já que ele fazia a mesma cena várias vezes. As primeiras eram extremamente fiéis ao roteiro, nas seguintes, o ator improvisava uma vez que se não houvesse amanhã. Essas fases foram apelidadas de ‘brincadeiras do Williams’, e foram delas que saíram várias das cenas que terminaram sendo icônicas do filme.
Esse processo de improviso foi melhorado com uma ação de extrema sensibilidade de Chris Columbus. O diretor percebeu a genialidade de Robin e decidiu gravá-lo simultaneamente com três câmeras, captando todos os improvisos do ator e garantindo que não perdesse nem um segundo de material. Ele abordou essas filmagens uma vez que um tipo de documentário sobre Robin Williams.
Conforme as filmagens iam avançado, Williams ainda não estava convicto que as pessoas acreditariam em sua personagem. Para isso, ele continuava saindo das filmagens vestido uma vez que a simpática velhinha e ia para os lugares mais absurdos. Em uma de suas fugidinhas, ele foi flagrado em uma sex shop tentando comprar um vibrante tamanho extra grande.
De convenção com Columbus, a teoria de gravar os diferentes ângulos e falas de Williams rendeu dois cortes completamente diferentes do filme. Um era a versão PG-13, que foi para os cinemas, e a outra era uma versão para maiores de idade, carregada de piadas sujas e brincadeiras sacanas. Infelizmente, esse segundo golpe nunca veio a público.
Com essa história de dar liberdade totalidade de improviso para Robin Williams, o ator ganhou um poder muito vasqueiro nos sets que é resolver quando a cena estava boa ou não. Por conta disso, há relatos de que Williams repetia algumas cenas entre 15 e 22 vezes, até estar completamente satisfeito com o resultado. E não tinha uma vez que ser dissemelhante, porque a produção caía na gargalhada nos cortes ‘finais’.
Uma das ‘metas’ de Robin Williams nos bastidores era infernizar a vida de Pierce Brosnam, que é seu rival no filme. Toda vez que o ator entrava no personagem, Williams fazia piadocas e gracinhas para desconcentrá-lo e tirá-lo do personagem. O auge foi na sequência em que Brosnam tinha que se engasgar com um camarão. Williams ficava fazendo piadas de cunho sexual no ouvidinho de Pierce, que arrancavam gargalhadas do ator. Quem não gostava muito disso era Sally Field, que interpretava a ex-esposa do protagonista. Ela disse que Williams era uma pessoa fantástica, mas que era exaustivo trabalhar com ele por conta dessas tentativas de fazê-la transpor do personagem. Eles seguiram muito amigos até o termo.
A cena do restaurante é realmente icônica e termina com a Senhora Doubtfire perdendo a máscara, literalmente. O interessante é que essa cena realmente utilizou uma das próteses que eram aplicadas em Robin Williams para entrar na personagem. Eram murado de oito camadas, dentre próteses e maquiagem, para concluir a caracterização.
Tendo custava ‘unicamente’ 25 milhões de dólares, Uma Babá Quase Perfeita foi um sucesso contra-senso de 1993. O longa arrecadou mais de 440 milhões de dólares, fazendo dele a segunda maior bilheteria do ano, perdendo unicamente para Jurassic Park.