
Após a substituição de uma rede de 1,3 quilômetros de tubulação concluída no fim do ano passado pela Iguá, moradores da Travessa Correa e Praia dos Amores, na Barra da Tijuca, reclamam de uma rotina marcada pela escassez de água, sobretudo durante o dia. Os moradores dizem que a concessionária não fez a ligação do encanamento de suas casas com o sistema. Para lidar com o problema, eles dizem que precisam solicitar à concessionária abastecimento por caminhões-pipa pelo menos duas vezes por semana.
Os moradores explicam que só durante a noite flui água pela tubulação e que, por isso, o recurso acaba não tendo pressão para chegar até as casas. Somente aqueles que têm bomba autoaspirante conseguem fazer a água chegar até suas residências.
— Quando esses moradores ligam a bomba de madrugada, são obrigados a ficar vigiando se a água está entrando ou não na tubulação, além de terem que ficar fiscalizando a noite toda para a bomba não queimar. É uma rotina desgastante. E são pessoas que acordam cedo para trabalhar. Fora a conta de luz, que vem ainda mais alta com o uso do equipamento — reclama o cineasta Alexandre Britto, morador da Praia dos Amores. — O problema persiste mesmo com as contas de água pagas em dia.
Alexandre conta que já se reuniu com vizinhos para dividir os custos de galões de água mineral para cozinhar:
— Também já fui ao Posto 1 da Praia da Barra para tomar banho por conta de atrasos no envio de caminhão-pipa. Água é vida, mas parece que a Iguá celebra a morte do abastecimento em nossa região.
Para solicitar o caminhão-pipa, os moradores telefonam para a concessionária, que envia um técnico até a casa do cliente para verificar a real necessidade do serviço. Depois de constatar que, de fato, não há água, a empresa envia o caminhão-pipa, sem marcar dia e horário. Geralmente, o envio demora pelo menos dois dias, contam os moradores.
— Anteriormente, solicitávamos por e-mail e no mesmo dia era encaminhado um caminhão-pipa sem custo algum. No dia 3 de setembro, com uma nova solicitação, a Iguá passou a deixar um documento com a quantidade de água usada e a afirmação de que se ultrapassasse 15 metros cúbicos seria cobrado, sendo que pagamos conta sem ter água. Ou seja, é mais um transtorno para nossas vidas — desabafa Aide Pinto, moradora da Praia dos Amores.
Procurada, a Iguá informou que enviou uma equipe técnica ao local e trabalha, nesta segunda-feira (6), para estabelecer um diagnóstico da situação. A concessionária destaca que, em dezembro de 2024, finalizou a substituição de 1,3 quilômetros de tubulações antigas na região da Praia dos Amores, como parte das intervenções que têm por objetivo solucionar problemas crônicos que afetam o abastecimento na área. No momento, esclarece, a estrutura está em fase de testes. A empresa diz que a intervenção é parte de um pacote de investimentos de R$ 8 milhões em obras para melhorias nas redes de distribuição de água do Jardim Oceânico.