Mesmo com tarifaço de Trump, exportação de carne bovina brasileira cresce nos EUA

O Brasil ocupa uma posição estratégica no fornecimento de proteína animal para o mundo, sob expectativa de se tornar não apenas o maior exportador de carne bovina, mas também o maior produtor, desbancando os EUA da liderança em 2026. Nem a sobretaxa de 10%, estipulada pelo governo de Donald Trump no início de abril afetou o crescimento das exportações brasileiras de carne magra para o país, destinada basicamente para a fabricação de hambúrgueres. Pelo contrário: nesse mês, foram vendidas 47,8 mil toneladas, com aumento de 13,6% em relação a março, e praticamente quintuplicando o volume exportado em abril do ano passado.

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Com isso, os EUA se consolidam como o segundo maior destino das exportações brasileiras de carne bovina, atrás apenas da China, depois de ultrapassar os Emirados Árabes.

Roberto Perosa, o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), observa:

— O tarifaço dos EUA não teve efeito direto sobre o nosso setor, com a guerra comercial podendo mesmo se refletir positivamente para o Brasil. Abril foi muito importante, com um incremento enorme.

Os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC), repassados pela Abiec, embasam o otimismo dos exportadores, que em termos globais viram no mês passado um aumento de 15,3% em volume nas vendas e de 27,6% em receita, em relação a abril de 2024. Perosa destaca os EUA como a “surpresa maior”: da média de compra entre 7 mil e 8 mil toneladas/mês em 2024, encostou nas 48 mil agora em abril.

Carolina Telles Matos, gerente de Relação Brasil-EUA da Amcham (Câmara de Comércio Americana), afirma que, apenas entre janeiro e abril deste ano, a exportação de carne bovina brasileira ao país aumentou 207,6% em relação ao mesmo período de 2024, totalizando US$ 595,4 milhões (perto de R$ 3,4 bilhões).

— Passou de 12º produto mais exportado pelo Brasil para os EUA, no primeiro quadrimestre de 2024, para sexto colocado neste mesmo período, de 2025 — observa.

A produção americana de carne bovina — no caso, voltada para cortes mais nobres — vem em queda desde 2022 e hoje chegou ao menor plantel de gado disponível dos últimos 80 anos. Além disso, a seca prolongada em estados produtores, como o Kansas, obriga pecuaristas a extrair água até de lençóis freáticos. Nesse contexto, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) também projeta crescimento na importação da carne magra brasileira, mesmo com a sobretaxa dos 10% sobre os 26,4% já existentes (que incide acima da cota anual de 65 mil toneladas, preenchida em janeiro).

— Para importadores americanos, o preço médio continua muito atrativo — observa Roberto Perosa, da Abiec.

O impacto maior da guerra comercial acirrada por Trump se deu, em um primeiro momento, sobre a economia do próprio país, e o consumidor final de hambúrguer é quem arca com o repasse do aumento de preço da carne, deparando-se com algo a que não está acostumado a enfrentar: inflação alta.

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Thiago Bernardino, coordenador de Pecuária do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), diz que os americanos estão pagando em torno de US$ 4,94 o quilo da carne bovina, entre R$ 5 e R$ 6 a mais do que os brasileiros. E o Economic Research Service (ERS), do USDA, já detecta queda no consumo de carne per capita nos EUA, que deve seguir até 2027.

A alta do custo de vida achata a popularidade de Trump — daí a pressa na aprovação do cessar-fogo na guerra tarifária com a China por 90 dias.

— Ele fez uma movimentação para tentar equalizar algumas tarifas, mas percebeu que esticou muito a corda — diz o economista.

Para Bernardino, com a retração do rebanho bovino americano, “o mundo olha para o Brasil”, que se mostra cada vez mais eficiente na produção de carne, com apoio tecnológico e científico (no caso, utilizando material genético). E, além do aumento nas vendas para os EUA, há a expectativa pela diversificação de mercados, que já estava no radar dos exportadores da carne bovina brasileira, mas pode se acelerar pelo gatilho do tarifaço de Trump.

Maurício Palma Nogueira, da Athenagro Consultoria, fala de 2024 como “um ano espetacular”, com recordes de produção, de exportação (de cortes do dianteiro do boi) e também de disponibilidade interna (de cortes mais nobres)
. O Brasil segue ainda como maior exportador de frango no mundo, com 60% do mercado, de acordo com os dados de 2024 da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

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  • Redação Uberlândia no Foco

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