
Líder do mercado automotivo brasileiro, a Stellantis também está na vanguarda das discussões sobre o futuro da mobilidade no país. A companhia defende uma transição energética plural, que considere as particularidades econômicas, sociais e ambientais do Brasil, com tecnologias alinhadas às necessidades e aos desejos do consumidor local.
Com cerca de 30% de participação de mercado, a Stellantis conta com uma ampla estrutura industrial e de engenharia na região, o que permite desenvolver soluções adaptadas à realidade local. “Somos uma empresa que nasce e cresce com os pés no Brasil. Conhecemos o país e os brasileiros. Por isso, precisamos de soluções compatíveis com o poder aquisitivo do consumidor, com a matriz energética limpa e com os ativos já instalados”, afirmou Irineu.
Foto de: Fiat
O executivo destacou que, embora o carro elétrico seja uma parte importante do futuro, ele não deve ser visto como a única solução. Segundo ele, a descarbonização não pode ser conduzida de forma dogmática. “É uma agenda que deve ser tratada com equilíbrio, aproveitando os melhores recursos locais. A América Latina, especialmente o Brasil, precisa avançar com soluções baseadas em sua própria realidade.”
A proposta da Stellantis é clara: adotar uma matriz de propulsão múltipla, em que motores a combustão mais eficientes, híbridos com diferentes níveis de eletrificação e veículos 100% elétricos coexistam de forma complementar. Essa estratégia já está em curso com a tecnologia Bio-Hybrid, que combina sistemas elétricos e biocombustíveis. “O que estamos propondo é uma mobilidade para todos. E, para isso, precisamos de variedade tecnológica e escala produtiva”, afirmou.
Fiat Fastback Impetus T200 2026
Foto de: Fiat
O etanol tem papel estratégico nesse cenário e representa um diferencial do Brasil. Segundo Irineu, um carro abastecido com etanol emite menos CO₂ ao longo de sua vida útil do que muitos modelos elétricos, quando considerado todo o ciclo (produção, uso e descarte). “Temos um ativo extraordinário: o etanol. Ele já está disponível nas bombas, é produzido localmente, tem baixa pegada de carbono e relevância social. Por que abrir mão disso?”, questionou.
Ao abordar os desafios da eletrificação, Irineu foi enfático ao destacar a ausência de uma cadeia nacional de baterias e a insuficiência da infraestrutura de recarga. “Hoje, 99% dos carros vendidos no Brasil são movidos a combustão. A transição precisa começar de onde o consumidor está, não de onde a regulação espera que ele esteja daqui a 20 anos”, provocou.
Foto de: Stellantis
Nesse contexto, a Stellantis vem colocando em prática seu plano com investimentos expressivos. O novo TechMobility Center, em Betim (MG), é dedicado ao desenvolvimento de motores híbridos e de combustíveis renováveis. Em paralelo, o Polo de Goiana (PE) receberá a tecnologia Bio-Hybrid. No total, a Stellantis prevê investir R$ 32 bilhões até 2030.
O executivo também trouxe uma visão crítica sobre a regulação internacional. “Precisamos parar de falar apenas em descarbonizar o escapamento. Metade das emissões de um carro vem da cadeia de suprimentos. Não adianta ter um carro elétrico se a energia vem de termoelétrica ou se o alumínio foi produzido com carvão.”
Além da engenharia, o painel destacou a importância de tratar a mobilidade como política pública. Irineu reforçou que a Stellantis está comprometida em desenvolver soluções que façam sentido para o país — técnica, econômica e socialmente. “Não se trata do carro que você sonha, mas do carro que pode comprar, usar e manter. É isso que torna a mobilidade alinhada aos desejos dos clientes.”