Menos de três meses após retirada de garimpeiros, desmatamento volta a ameaçar TI Munduruku — Brasil de Fato

Após ter passado o primeiro trimestre de 2025 fora do ranking das terras indígenas (TIs) mais pressionadas pelo desmatamento na Amazônia, o território Munduruku, no Pará, voltou a ser alvo da devastação.

A terra indígena foi a que mais registrou ocorrências de desmatamento entre abril e junho de 2025, de acordo com dados do relatório Ameaça e Pressão de Desmatamento em Áreas Protegidas, produzido trimestralmente pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

Pesquisadores do instituto atribuem a queda no desmatamento, registrada no início do ano, à operação de desintrusão – que consiste na retirada dos invasores – realizada na área. Iniciada em novembro de 2024 e finalizada em janeiro deste ano, a ação conjunta de mais de 20 instituições públicas federais combateu o garimpo ilegal da TI, destruindo 91 motores, 27 retroescavadeiras, 53 acampamentos e veículos utilizados nas atividades ilegais.

“A volta da pressão sobre a TI reforça que a fiscalização precisa ser constante, indo além das operações pontuais. Para gerar um efeito duradouro, é importante fortalecer a presença do Estado e envolver as próprias comunidades indígenas nas estratégias de preservação”, afirma a pesquisadora do Imazon Bianca Santos. “Além disso, é essencial assegurar que os responsáveis por esses crimes sejam responsabilizados”, alerta a pesquisadora.

O garimpo é a principal causa de desmatamento dentro do território Munduruku no Pará. De acordo com dados da plataforma MapBiomas, que permitem a realização de análises por imagens de satélites, a TI está entre as que mais têm pistas de pouso irregulares, sendo que 80% delas estão localizadas a cinco quilômetros ou menos das áreas de garimpo. Essas estruturas são vinculadas à prática ilegal.

A TI Munduruku fica entre Jacareacanga e Itaituba, município brasileiro com a maior área minerada do Brasil.

Outros dados do estudo

A metodologia do relatório de ameaça e pressão divide a Amazônia Legal em quadrados de 10 por 10 quilômetros, chamados de células, e identifica quantas delas tiveram desmatamento. Segundo o instituto, isso possibilita identificar as áreas protegidas mais pressionadas (quando a derrubada ocorre dentro de seus limites) e ameaçadas (quando a devastação ocorre em um raio de até 10 quilômetros).

A TI Munduruku está entre os territórios pressionados . No caso das áreas ameaçadas, a TI Jacareúba/Katawixi, no Amazonas, lidera o ranking.

Considerando todas as categorias de zonas protegidas na Amazônia, a Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, entre os municípios paraenses de Altamira e São Félix do Xingu, foi a área mais pressionada pelo desmatamento entre abril e junho deste ano. No ranking geral, a TI Munduruku aparece em sexto lugar.

Reprodução/Imazon

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  • Redação Uberlândia no Foco

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