Acampamento reúne mil jovens e marca duas décadas de organização popular no Rio Grande do Sul

De 5 a 8 de fevereiro, o município de Nova Santa Rita, na Região Metropolitana de Porto Alegre, será palco de um grande encontro da juventude organizada. O Acampamento Estadual do Levante Popular da Juventude do Rio Grande do Sul deve reunir cerca de mil jovens vindos de diferentes regiões do estado, além de delegações de outros estados brasileiros e de países vizinhos, como Uruguai e Argentina. O evento marca os 20 anos de atuação do movimento e busca fortalecer a organização política da juventude diante dos desafios sociais, econômicos e políticos projetados para os próximos anos.

Segundo a organização, o acampamento é gratuito, aberto ao público e exige inscrição prévia. A proposta central é criar um espaço de formação, convivência e articulação política, reunindo jovens de diferentes realidades sociais, territoriais e trajetórias de militância. Para o Levante Popular da Juventude, o encontro cumpre o papel de preparar a militância para o ciclo político que se abre rumo a 2026, em um contexto marcado por disputas ideológicas, avanço da extrema-direita e aprofundamento das desigualdades sociais.

Organização coletiva como prática política

Mais do que uma agenda de debates, o acampamento aposta na vivência coletiva como ferramenta de formação política. Durante os quatro dias, os participantes estarão envolvidos em uma dinâmica de divisão de tarefas, organização do espaço comum e tomada coletiva de decisões. Para a direção do movimento, essa experiência cotidiana é parte fundamental da construção de novos valores e da formação de uma juventude comprometida com a transformação social.

A avaliação do Levante é de que a prática concreta da organização popular. Cozinhar coletivamente, montar estruturas, organizar atividades e cuidar do espaço comum é uma forma de aproximar jovens da política, especialmente aqueles que não se identificam com os modelos institucionais tradicionais. A ideia, segundo o movimento, é demonstrar que a política também se constrói no cotidiano e na ação coletiva, para além dos discursos formais.

Juventude diante de um cenário de crises

O acampamento ocorre em um contexto que o movimento avalia como especialmente desafiador para a juventude. Questões como o impacto das guerras internacionais, o avanço da desinformação, os ataques à soberania nacional, a precarização das condições de trabalho, o aumento da violência e a evasão escolar estão no centro dos debates propostos. Para o Levante, esses elementos exigem não apenas resistência, mas também a construção de alternativas que ampliem direitos e perspectivas de futuro para a juventude brasileira.

A organização do evento afirma que a proposta é fortalecer a capacidade de análise crítica e de ação coletiva, articulando juventudes do campo e da cidade, estudantes, trabalhadores, comunicadores populares e militantes de diferentes frentes de atuação social.

Programação combina formação, cultura e mobilização

Ao longo dos quatro dias, a programação articula atividades de formação política, espaços de debate temático e iniciativas culturais. Estão previstas plenárias, rodas de conversa, oficinas e encontros específicos de estudantes da área da saúde, cursinhos populares, cozinhas solidárias e comunicadores populares. Também integram a agenda uma feira da Reforma Agrária e da Economia Solidária, uma mostra estadual de juventude em ciência, arte e educação, além de atividades culturais, apresentações musicais e batalhas de rima.

A abertura do acampamento acontece na quinta-feira (5), às 17h. No domingo, as atividades em Nova Santa Rita encerram às 13h e seguem diretamente pra um ato político em Porto Alegre, a partir das 15h, que fecha a programação com chave de ouro e projeta os debates para além do espaço do encontro.

Presenças políticas e disputas de projeto

O acampamento também deve reunir lideranças políticas, sociais e intelectuais de diferentes campos progressistas. Entre os nomes confirmados estão João Pedro Stédile, da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, a economista Juliane Furno, a historiadora Giovanna Vial, além de figuras da política institucional como Edegar Pretto, Paulo Pimenta e Manuela D’Ávila. Parlamentares, sindicalistas e representantes de movimentos sociais também participam dos debates.

Para o Levante Popular da Juventude, essas presenças refletem a articulação entre movimentos sociais e setores da política institucional que defendem um projeto popular de desenvolvimento. Já os participantes convidados apontam o acampamento como um espaço estratégico para dialogar com a juventude organizada, em um cenário de forte disputa de narrativas no país.

Duas décadas de uma trajetória marcada pela mobilização

A história do Levante Popular da Juventude remonta a 7 de fevereiro de 2006, durante as celebrações dos 250 anos da morte de Sepé Tiaraju, liderança indígena símbolo da resistência no sul do país. Assim como agora, a fundação do movimento ocorreu a partir de um acampamento, reunindo jovens em torno de debates, formação política e organização coletiva.

Inspirado na tradição dos movimentos do campo, como o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), o Levante adotou o acampamento como símbolo de luta e como ensaio prático do modelo de sociedade que defende. Ao longo dessas duas décadas, o movimento realizou 13 acampamentos estaduais e quatro nacionais, além de desenvolver diversas ferramentas de atuação política e social.

O Levante se tornou conhecido nacionalmente por suas ações de agitação e propaganda, pela presença marcante em mobilizações de rua, pelos escrachos contra agentes da ditadura militar, contra o impeachment de 2016 e contra apoiadores dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Também construiu iniciativas voltadas à educação popular, como cursinhos comunitários e turmas de alfabetização, além de cozinhas solidárias, especialmente durante a pandemia de Covid-19 e nas enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul.

Ao completar 20 anos, o movimento afirma que o acampamento em Nova Santa Rita não é apenas uma celebração de sua trajetória, mas um ponto de partida para uma nova etapa de organização da juventude. O objetivo declarado é fortalecer a luta contra a extrema-direita e contribuir para a construção de um projeto popular para o Brasil, a partir da base social e da ação coletiva.

Autor

  • Redação Uberlândia no Foco

    O Uberlândia no Foco é um portal de notícias localizado na cidade de Uberlândia, Minas Gerais, que tem como objetivo informar a população sobre os acontecimentos importantes da região do Triângulo Mineiro e do país. Fundado por Rafael Patrici Nazar e Sabrina Justino Fernandes, o portal busca ser referência para aqueles que buscam informações precisas e atualizadas sobre a cidade e a região. Nosso objetivo é cobrir uma ampla gama de assuntos, incluindo política, economia, saúde, educação, cultura, entre outros. Além disso, visamos abordar também, questões relevantes a nível nacional, garantindo assim que seus leitores estejam sempre informados sobre os acontecimentos mais importantes do país. Nossa equipe é altamente capacitada e dedicada a fornecer informações precisas e confiáveis aos seus leitores. Eles trabalham incansavelmente para garantir que as notícias sejam atualizadas e verificadas antes de serem publicadas no portal. Buscamos oferecer aos leitores uma plataforma interativa, na qual possam compartilhar suas opiniões e participar de debates sobre os assuntos mais importantes da cidade e da região. Isso torna o portal uma plataforma democrática, onde todas as vozes podem ser ouvidas e valorizadas. Não deixe de nos seguir para ficar por dentro das últimas atualizações e notícias relevantes. Juntos, temos uma grande caminhada pela frente.

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