o motor do Compass tem tecnologia de F1

Com os elétricos e híbridos cada vez mais virando regra no mercado, já se tornou raro novos lançamentos de motores totalmente a combustão que sejam empolgantes mas, ao mesmo tempo, não sejam completamente inacessíveis – como o V16 da Bugatti ou o V8 de 10.000 rpm da Lamborghini. Mas existe um candidato a motor mais insano de 2026 e ele é o Hurricane 4, feito pela Jeep.

Por aqui, ele está presente nos Compass e Commander desde meados de 2024 em uma configuração mais ”mansa”, com cerca de 272 cv e 40,8 kgfm de torque. Desde janeiro de 2026, passou a ser flex no menor, ainda que a potência seja a mesma. Mas aqui, o debate é sobre a versão mais potente dele – pelo menos até agora. 

Ao menos no papel, ele não difere de outros propulsores turbinados que já existem. Mas a tecnologia que ele carrega nos detalhes o coloca entre os quatro cilindros mais potentes do planeta, inclusive com soluções vindas do mundo dos esportes.

Injeção de F1

A estrela aqui é a Turbulent Jet Ignition (TJI), o nome comercial para a combustão por pré-câmara. É uma solução vinda da Fórmula 1 e emprestada do motor Nettuno V6 do Maserati MC20, mas retrabalhada para os Jeep.

Não se trata de uma derivação do antigo 2.0 que o grupo Stellantis utilizava na Maserati – e que já saiu de linha. Esse motor usa uma pequena câmara dentro da câmara de combustão principal, onde a mistura ar-combustível se mescla melhor antes da ignição.







Fotos de: Chris Rosales / Motor1

Photos by: Chris Rosales / Motor1

A Jeep desenhou o sistema como se fosse uma segunda forma de injeção. O Hurricane 4 já trabalha com injeção direta e indireta, e essa pré-câmara usa um inserto com um padrão de spray que ajuda a distribuir o ar pré-misturado. O sistema TJI também usa duas velas por cilindro. A pré-câmara tem sua própria vela, que inicia a queima antes de ela ser “soprada” para a câmara principal.

Existe ainda uma segunda vela para lidar com combustível não queimado em situações de carga alta. No fim, a pré-câmara ajuda os engenheiros a extrair o máximo de energia da mistura, melhorando potência e economia.

No Grand Cherokee norte-americano, ele chega a fazer cerca de 27 milhas por galão. Ou, se você mora em um país com sistema métrico, 11,4 km/l – um número impressionante para um SUV pesado e com aerodinâmica parecida com a de um tijolo.



Fotos de: Chris Rosales / Motor1



Photos by: Chris Rosales / Motor1

Turbo de Geometria Variável (VGT)

Em motores comuns, mais de 50% da energia da combustão é perdida em calor e fricção. O Hurricane 4 tenta recuperar isso usando um turbo de geometria variável (VGT). O sistema usa um atuador que move palhetas dentro da carcaça de exaustão, controlando a velocidade e o volume dos gases que entram no turbo.

O turbo é compacto, com rotor de compressão de 55 mm e turbina de 50 mm, mas consegue entregar até 35 psi de pressão (2,4 bar). O VGT melhora absurdamente a resposta ao acelerar e gerencia a velocidade dos gases para poupar combustível em velocidade de cruzeiro.



Detail of the vane actuator mechanism. Notice the anti-rattle springs where the actuator arm meets the vane arm.

Foto de: Chris Rosales / Motor1

Além disso, ajuda a esquentar o catalisador mais rápido na partida a frio, reduzindo emissões. É um item raríssimo em motores a gasolina – você só encontra algo parecido em carros como o Porsche 911 GT2 RS ou o 718 Cayman S.



Detail of the electronic cam phaser

Foto de: Chris Rosales / Motor1

Otimização e construção moderna

Para coordenar tudo isso, o comando de admissão usa um variador elétrico. Isso é importante porque o módulo pode mover o comando a qualquer momento, mesmo com o motor desligado. Variadores comuns dependem da pressão de óleo, mas o sistema elétrico permite que a Jeep “descomprima” os cilindros, deixando o Start-Stop muito mais suave.

O motor também roda no Ciclo Miller, que mantém as válvulas de admissão abertas por mais tempo para otimizar a queima. O ar pressurizado passa por um intercooler do tipo água-ar, que é pequeno porque a maior parte do resfriamento é feita por um trocador de calor frontal.



Foto de: Chris Rosales / Motor1

O bloco é de alumínio e a construção lembra muito o que a BMW faz nos motores B48 e B58, com reforços estruturais generosos e uso inteligente de material. As saias do bloco descem abaixo da linha de centro do virabrequim, o que indica muito reforço na parte de baixo.

O Hurricane 4 é um motor surpreendente. Ele carrega com folga modelos menores, como o Compass, e tem disposição suficiente para levar um SUV enorme como o Grand Cherokee com disposição e lag do turbo mínimo, embora a entrega de força seja mais focada em médias e altas rotações.

É impressionante o nível de tecnologia que a Jeep colocou em um motor que, nos EUA, serve como base de gama (ao menos em mercados como nos EUA). E também não seria surpresa se ele acabasse, em algum momento, servindo como coração de esportivos pequenos, em especial sedãs ou compactos. Por enquanto, nos resta sonhar.

Autor

  • Redação Uberlândia no Foco

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