

O mercado físico do boi gordo registrou grande volatilidade de preços ao longo da semana por conta do conflito no Oriente Médio.
O analista de Safras & Mercado Fernando Iglesias ressalta que em São Paulo algumas indústrias tiveram que mudar sua estratégia e voltaram a negociar em níveis mais altos de preço no início da semana.
“Depois, voltaram a trabalhar com preços mais baixos na compra de gado. Já em outros estados, a exemplo de Mato Grosso do Sul, permanecem as tentativas de compra em níveis mais baixos de preço”, conta.
Segundo ele, no atual contexto, a grande preocupação para o mercado de carne bovina segue na necessidade de reavaliar as rotas e no tempo adicional das cargas no oceano, com a paralisação no Estreito de Ormuz.
Iglesias ressalta que os preços dos combustíveis, que vem em elevação no Brasil e ao redor do mundo, é outro ingrediente a se ponderar na segunda quinzena de março.
“Os impactos na logística do setor de carnes vai continuar, com possíveis atrasos na entrega, o que vai ser computado no mercado nos próximos dias. Se o quadro no Oriente Médio se agravar ao longo deste mês, teremos certamente mais problemas nessa dinâmica logística global”, avalia.
Os valores do boi gordo, na modalidade a prazo, estavam assim no dia 12 de março:
No mercado atacadista, houve acomodação de preços ao longo da semana. Iglesias ressalta que nem mesmo a entrada dos salários na economia foi suficiente para justificar novos reajustes dos preços da carne bovina.
“O fato é que a carne bovina já assumiu um patamar de preços que afasta boa parte dos consumidores brasileiros, em especial aquelas famílias que têm como renda entre um e dois salários-mínimos. A prioridade está no consumo de proteínas mais acessíveis, a exemplo da carne de frango, embutidos e ovos”, contextualiza Iglesias.

As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 341,193 milhões em março até o momento (5 dias úteis), com média diária de US$ 68,238 milhões, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
A quantidade total exportada pelo país chegou a 59,986 mil toneladas, com média diária de 11,997 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 5.687,80.
Em relação a março de 2025, houve alta de 22,9% no valor médio diário da exportação, ganho de 5,9% na quantidade média diária exportada e avanço de 16,1% no preço médio.
*Com informações de Safras News
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