
Para aqueles que achavam que a Suzuki estava de saída do brasil após a despedida do Jimny, a resposta veio através de outro ícone da marca: o novo Suzuki e Vitara (sim, assim mesmo) acaba de desembarcar no Brasil em versão única 4Style, 4×4, elétrico e custando R$ 259.990 na pré-venda, o que o torna o elétrico 4×4 mais barato do Brasil. Depois, o preço vai para R$ 269.990.
Mais do que apenas um novo SUV no catálogo, o e Vitara marca o início de uma nova era para a HPE Automotores, representante da marca no país. O novo e Vitara é um projeto global, desenvolvido sobre a plataforma HEARTECT-e, que foca em eficiência sem abrir mão do DNA aventureiro, que é mais do que só um apelo de marketing da Suzuki. Mas como ele anda na prática?
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Fonte: Motor1 Brasil
Visualmente, o e Vitara não tenta ser futurista. Ele mantém as proporções de um SUV compacto, com 4,27 metros de comprimento, tamanho de um Chevrolet Tracker, mas com uma postura mais musculosa. Os faróis em LED e as caixas de roda grandes dão aquele ar de robustez clássica da Suzuki. As rodas de 18″ e a pintura, que tem opção de cor única ou em dois tons, completam o pacote.
E o estilo é funcional, já que se trata de um crossover que atende à proposta de ser 4×4 mantendo o conforto. A Suzuki oferece cinco opções de pintura para o novo e Vitara 2027, todas com acabamento perolizado: verde brisa com teto preto, cinza grandeza, azul celestial, prata esplêndido e preto blush.
Já na parte interna, destaque para o acabamento de duas cores e muito bem finalizado, com detalhes em couro, tecido e pouco plástico. O painel de instrumentos é digital com tela de 10,25″ integrado, de forma bem harmônica, com a tela da multimídia de 10,1″. O sistema de som é assinado pela Infinity (Harman), algo raro nessa faixa de preço.
Os bancos são em couro e tecido de dois tons, com ajuste elétrico para o motorista e aquecimento nos dianteiros e com excelente apoio lateral. O ADAS já é nível 2 e conta com controle de cruzeiro adaptativo (ACC), frenagem de emergência e câmera 360º de série.
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Fonte: Suzuki
O grande diferencial do Suzuki e Vitara 2027 é a tração 4×4. Enquanto a maioria dos rivais (como o BYD Yuan Pro ou o Volvo EX30 de entrada) apostam em motor único, o Suzuki traz o sistema AllGrip-e, já conhecido no Jimny Sierra e SCross, agora adaptado para propulsão elétrica. São dois motores elétricos: um de 174 cv na dianteira e outro de 65 cv na traseira, entregando uma potência combinada de 184 cv e 31,2 kgfm de torque, com autonomia de 293 km, segundo o Inmetro.
No asfalto, um bom desempenho. Em nosso teste, foi de 0 a 100 km/h em 7,2 segundos, retomadas em 5,2 segundos e 201 metros feitos em 9,6 segundos, números que fazem sentido pela potência e torque do Suzuki. No fora-de-estrada ou em pisos escorregadios, a tração faz seu show.
No modo Auto, o sistema toma conta de tudo sozinho, atuando sob demanda. Ou seja, quando uma roda patina, ele pode frear somente a roda que está patinando ou tirar o torque dela, focando em enviar o torque para as demais que não estão patinando. Já o modo Trail, não espera acontecer. Já deixa tudo preparado, dividindo o torque mas sem esperar a roda patinar, atuando mais ativamente e não reativamente.
Mesmo com tração 4×4 e o sistema AllGrip-e, o gargalo aqui são os 18 cm de vão livre para o solo. Ele vai bem em pisos escorregadios, mas não é como um Jimny para trilhas pesadas ou enfrentar os grandes facões. Atende muito bem sua proposta de encarar uma ida ao sítio, chão batido, off-road leve a moderado ou mesmo chuva e neve. Pra isso, sobra carro.
Foto de: Suzuki
A bateria tem 61 kWh de capacidade, com autonomia de 293 km pelo Inmetro. Em nosso teste, o Vitara elétrico fez 6 km/kWh na cidade (366 km) e 5,4 km/kWh (356 km) na estrada. Pode parecer pouco, mas está na média de seus rivais. Em carregadores rápidos, você recarrega dos 10% a 80% da carga em cerca de 45 minutos, com até 150 kW.
Na cidade, se comporta como um crossover. Suspensão elevada, porém firme, rolando pouco nas curvas. O isolamento acústico é primoroso. O para brisas tem tratamento anti ruído e bloqueia os raios uv. Os bancos traseiros tem regulagens de inclinação e distância, o que permite a escolha entre mais espaço para os ocupantes ou mais espaço para malas, podendo ir de 224 até 310 litros sem rebater os bancos ou 562 litros rebatendo.
Foto de: Suzuki
A multimídia tem um leve delay em seus comandos, e a câmera de ré poderia ter uma resolução melhor, mas funciona bem. O painel é customizável e apresenta a opção de ter o mapa de navegação espelhado, deixando a multimídia livre para outras informações ou para a câmera 360º. O som Infinity by Harmann tem volume e excelente qualidade. O pacote ADAS já no nível 2, fecha o pacote com segurança. A grade dianteira é ativa, o que pode melhorar o consumo quando fechada.
No offroad, ele se destaca. Fizemos uma trilha de média dificuldade e passamos pelos obstáculos sem problemas. No modo automático, realmente o sistema de tração espera e atua conforme a necessidade. Mas ele faz tudo sozinho sem problemas. E nas partes mais escorregadias ou com pedras, onde uma roda certamente sairia do chão, usamos o modo trail, que se adianta e atua mais cedo. Para trilhas onde o facão ou atoleiro não é muito profundo, ele encara numa boa, mas não passa nos mesmos locais que um jimny passaria. Faz muito bem o seu papel de crossover.
Você deve estar se perguntando como fica a bateria, instalada no assoalho, em um ambiente tão hostil, onde pedras, galhos e buracos podem bater nela. A Suzuki usou a plataforma HEARTECT-e, onde a bateria faz parte da estrutura e está que protegida contra impactos. As buchas da suspensão são reforçadas a ponto de mudar o ruído ao passar em buracos maiores, saindo aquela pancada seca e entrando um barulho mais abafado que não faz parecer que o carro está se desmontando.
O Suzuki e Vitara chega para ocupar um espaço interessante. Um carro de nicho e lifestyle, como a marca propagandeia. Para quem quer um elétrico e precisa de tração 4×4, ele é o mais barato e com o “feeling” premium que o Volvo EX30 Twin Motor cobra caro. É a aposta da Suzuki para mostrar que o 4×4 pode, sim, ser silencioso e tecnológico.
Suzuki e Vitara 4Style
Motor elétrico
duplo, um para cada eixo
Potência e torque
combinado: 184 cv e 31,2 kgfm; dianteiro: 174 cv; traseiro: 65 cv
Transmissão
uma marcha, tração integral
Bateria
61 kWh (LFP)
Tipo de tomada
CCS combo; 7 kW (AC) / 150 kW (DC)
Suspensão
McPherson na dianteira; independente multibraços na traseira; rodas de 18″ com pneus 225/55
Comprimento e entre-eixos
4.275 mm; 2.700 mm
Altura
1.635 mm
Largura
1.800 mm
Peso
1.899 kg em ordem de marcha
Capacidades
porta-malas: 310 litros
Preço de entrada
R$ 269.990
Aceleração
0 a 60 km/h: 3,2 s; 0 a 80 km/h: 4,9 s; 0 a 100 km/h: 7,2 s em 119,6 m/ 201 metros em 9,6 s a 116,7 km/h
Retomada
40 a 100 km/h (em S): 5,2 s e 108,35 m; 80 a 120 km/h (em S): 5,2 s em 146,2 m
Consumo de combustível
urbano: 6 km/kWh; rodoviário: 5,4 km/kWh