GAC Aion Y tem sabor de premium e bom alcance

O GAC Aion V chegou carregando uma expectativa quase inevitável. Depois do Aion Y, que já havia chamado atenção por entregar mais do que o básico dentro da proposta de um elétrico acessível, o passo seguinte parecia previsível: ganhar sofisticação e subir um degrau. Mas não é exatamente isso que acontece aqui. O salto é maior do que o esperado, e em itens que nem sempre aparecem na ficha técnica.

Lançado no Brasil dentro da ofensiva inicial de cinco modelos, o Aion V nasce como parte de um movimento mais amplo da GAC para se posicionar fora da China com produtos mais completos e globais. Essa segunda geração foi pensada desde o início como modelo de exportação, produzido em Guangzhou e já presente em mercados como Europa, Sudeste Asiático e Oceania. Isso ajuda a explicar por que ele chega mais maduro do que a média dos novos entrantes.

Por baixo, utiliza a plataforma AEP 3.0, uma base dedicada a veículos elétricos que concentra boa parte da evolução recente da marca. A arquitetura de 400 volts, a integração mais avançada de sistemas e o desenvolvimento já orientado para mercados internacionais mostram um projeto mais consistente, pensado para escalar.

No Brasil, o posicionamento também deixa claro que a proposta vai além de simplesmente competir por preço. Com valor de R$ 219.990, o Aion V entra diretamente na mesma faixa de SUVs como Leapmotor C10 BEV, Geely EX5, MG 5 EV, BYD Yuan Plus e Chevrolet Captiva EV, justamente o núcleo mais disputado entre os elétricos médios hoje. Modelos com propostas parecidas, dimensões próximas e estratégias bem alinhadas.

T-Rex chinês

Visualmente, essa mudança de ambição também aparece. O Aion V adota uma linguagem de design mais marcante, com inspiração em elementos que a própria marca associa a formas de um “T-Rex” futurista, algo que aparece principalmente na assinatura luminosa e nos recortes mais geométricos da carroceria. As superfícies são mais retas, quase quadradas em alguns ângulos, reforçando a sensação de robustez. Gostei mais ao vivo do que nas fotos, não foi logo de cara, e nem deve agradar todo mundo, mas é inegável que tem identidade própria, o que já o diferencia em um segmento cada vez mais homogêneo.

São cerca de 4,60 metros de comprimento e um entre-eixos na casa dos 2,77 metros, medidas que o colocam tranquilamente dentro do segmento de SUVs médios. Na prática, isso se traduz em mais presença e também em uma proposta menos urbana do que o Aion Y, aproximando o modelo de rivais mais tradicionais em espaço e uso.



Foto de: Motor1 Brasil

O salto de posicionamento dentro da própria GAC fica ainda mais evidente quando se entra no carro. O interior é, talvez, o primeiro momento em que o Aion V realmente quebra a expectativa inicial. E para melhor.

Quase premium

É no interior que o Aion V começa a justificar esse salto de proposta. A percepção de qualidade está acima do que estamos acostumados a ver entre os SUVs elétricos chineses nessa faixa de preço, e isso aparece logo de cara. O painel combina materiais macios de ótima qualidade tanto na parte superior quanto na inferior, algo que ainda não é regra no segmento, enquanto as portas seguem a mesma lógica, com superfícies acolchoadas onde normalmente haveria plástico rígido.

Os bancos seguem essa mesma linha. O revestimento em couro sintético tem textura agradável, boa densidade e ainda conta com função de massagem, um item pouco comum entre rivais diretos. É um interior que, sem esforço, se aproxima de uma proposta mais premium em vários pontos.

A parte tecnológica segue uma linha mais conhecida, mas bem resolvida. O quadro de instrumentos digital e a central multimídia têm boa definição e resposta rápida e, embora o Aion V também concentre praticamente todas as funções na tela, a interface é mais amigável do que a média. Algumas soluções simples fazem diferença no uso diário. O ar-condicionado, por exemplo, pode ser ajustado diretamente na faixa inferior da tela, sem a necessidade de navegar por menus. Pequenos atalhos que mostram um cuidado maior com ergonomia.







Fotos de: Motor1 Brasil

Fotos de: Motor1 Brasil

A conectividade também funciona como esperado. O Android Auto sem fio se conecta rapidamente e, mais importante, permite alternar entre o sistema do carro e o espelhamento de forma intuitiva, sem aquelas limitações comuns em alguns modelos, onde é preciso alternar entre sistemas dependendo da função.

Nem tudo, porém, segue essa lógica mais prática. Algumas funções básicas ainda dependem da central, como a abertura da cortina do teto panorâmico ou o ajuste dos retrovisores externos, que exigem acessar o menu e usar os comandos no volante. Não chega a comprometer a experiência, mas é o tipo de solução que parece mais pensada para reduzir botões do que para facilitar o uso.



Foto de: Motor1 Brasil

Há também pequenos pontos que chamam atenção. O seletor de marchas na coluna de direção, por exemplo, não tem iluminação. Na primeira interação, causa estranheza, especialmente à noite, embora a adaptação venha rápido. É um detalhe simples, mas que destoa do nível geral do carro.

Por outro lado, há soluções que vão na direção oposta e reforçam a proposta mais voltada ao conforto. A pequena geladeira integrada ao console central é um desses casos. Pode parecer supérflua à primeira vista, mas basta conviver alguns dias para perceber o quanto é útil. Em um carro com vocação familiar e uso mais versátil, é o tipo de comodidade que faz sentido.



Foto de: Motor1 Brasil

O entre-eixos generoso se traduz em um banco traseiro realmente amplo, com espaço de sobra para as pernas, a ponto de permitir cruzá-las dependendo da altura dos ocupantes. As saídas de ar posicionadas nas colunas reforçam essa sensação de cuidado com quem vai atrás, algo mais comum em modelos de categorias superiores.

Ao volante

Se por dentro o Aion V surpreende pela qualidade, ao rodar ele confirma qual é a proposta do carro. O foco é conforto, e isso já aparece nos primeiros metros: o SUV roda macio e controlado, com um acerto de suspensão mais refinado. É um conjunto bem equilibrado aqui, que se destaca dentro do segmento.

O trem de força é simples e direto: motor dianteiro com 204 cv (150 kW) e 24,5 kgfm de torque. Pelos dados oficiais, um 0 a 100 km/h na casa dos 7,9 segundos com velocidade máxima de 160 km/h. Números totalmente alinhados com o que se espera de um SUV elétrico médio sem proposta esportiva.



Foto de: Motor1 Brasil

O desempenho é condizente com os números, sem surpresas. O Aion V anda bem, responde rápido quando você precisa, mas sem aquela “patada” mais agressiva de alguns elétricos. A entrega de potência é mais progressiva, o que combina melhor com a proposta do carro.

Na cidade, o SUV elétrico é fácil de dirigir, com direção de respostas rápidas e suaves, bom raio de esterçamento, além de confortável no uso diário. A suspensão lida muito bem com os buracos e lombadas, e passa uma sensação de robustez acima da média, um dos pontos fortes do carro.

Em estrada, mantém as qualidades. Não é feito para andar rápido em curvas, mas também não compromete. A direção tem peso adequado, o volante é agradável na mão e o conjunto transmite segurança. Dá para dirigir sem esforço, sem precisar ficar corrigindo o tempo todo.



Foto de: Motor1 Brasil

Por fim, o silêncio a bordo também merece destaque. O isolamento acústico é muito bem resolvido, tanto para ruídos externos quanto de rodagem, ficando acima da média da categoria, principalmente em velocidades mais altas.

Bateria, consumo e recarga

Na versão avaliada, a Elite, a bateria tem 75 kWh de capacidade e utiliza química LFP (fosfato de ferro-lítio), uma solução já bastante difundida entre as marcas chinesas por priorizar durabilidade e segurança térmica. A autonomia oficial pelo Inmetro é de 389 km, um número mais conservador do que os cerca de 500 km declarados em ciclos internacionais, mas que na prática acaba refletindo melhor o uso real.

Durante a avaliação, o consumo médio ficou em 15,5 kWh/100 km (cerca de 6,4 km/kWh), considerando o uso acumulado. Na prática, isso se traduz em uma autonomia real na faixa de 460-480 km, podendo até superar esse intervalo em uso mais leve. Em estrada, como esperado, os números podem ficar abaixo dos 420 km, ainda assim bem posicionado frente aos rivais.

Na recarga, o Aion V também segue dentro do esperado. Em corrente alternada (AC), aceita até 11 kW, com tempo de carga completa na casa de 8 a 9 horas, ideal para uso doméstico. Já em corrente contínua (DC), suporta até 180 kW, com recarga de 10% a 80% em cerca de 25 minutos em condições ideais, ficando bem alinhado com o que se vê hoje no segmento. 

Vale a pena?

Por R$ 219.990, o Aion V entra direto no centro do segmento de SUVs elétricos médios, hoje o mais concorrido. Frente a rivais como BYD Yuan Plus, Chevrolet Captiva EV e MG S5 EV, o modelo da GAC entrega um conjunto claramente superior em acabamento, qualidade de construção e refinamento ao rodar, algo que fica evidente no uso.

Mesmo em relação a modelos mais recentes, como Leapmotor C10 e Geely EX5, o Aion V ainda consegue dar um passo além em pontos importantes. O nível de isolamento acústico, o acerto de suspensão e a sensação geral ao volante colocam o modelo em um patamar ligeiramente acima, mais próximo de uma experiência premium do que de um SUV médio tradicional.

Com tantas opções no segmento, o Aion V se destaca no que realmente importa: acabamento e versatilidade, refinamento ao dirigir e autonomia acima da média. Não é pouco quando se olha o nível dos concorrentes, que custam praticamente a mesma coisa.

GAC Aion V Elite




Motor

Motor elétrico síncrono dianteiro, tração dianteira (FWD)




Potência e torque

204 cv e 24,5 kgfm




Bateria

Íons de lítio LFP com 75 kWh




Tipo de tomada

11 kW (AC) Tipo 2 – até 180 kW (DC) CCS2




Suspensão

McPherson na dianteoira; eixo de torção na traseira; rodas de 19″ com 225/45




Comprimento e entre-eixos

4.605 mm e 2.775 mm




Largura

1.854 mm




Altura

1.686 mm




Peso

1.920 kg em ordem de marcha




Capacidades

Porta-malas: 427 litros




Preço como testado

R$ 219.990

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