
Os cantores e compositores Chico Buarque e Silvio Rodriguez se reuniram nesta sexta-feira (10) com a brigada do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) que atua na cidade de Havana, capital de Cuba.
O encontro ocorreu por ocasião da visita do artista brasileiro à ilha socialista, que começou na última terça-feira (7). Chico foi recebido por Silvio, um dos expoentes da chamada Nova Trova Cubana e um dos principais cantores do país.
Pelas redes sociais, o MST celebrou a reunião citando o clássico poema “Os que lutam”, do dramaturgo alemão Bertolt Brecht, dizendo que “há os que lutam a vida toda. Esses são os imprescindíveis”.
O trecho também é citado na abertura de uma das mais clássicas canções de Silvio Rodríguez, “Sueño Con Serpientes”, que deve ser regravada por Chico durante sua passagem por Cuba, como foi anunciado pelos próprios artistas.
“Chico Buarque e Silvio Rodríguez, juntamente dos militantes do MST residentes em Cuba, Marcelo Durão e Nívea Regina, se reúnem com coletivo de artistas cubanos. Lutar sempre! Toda solidariedade ao povo Cubano”, escreveu o movimento em suas redes sociais.
A reunião que envolveu trabalhadores da cultura e outros militantes ocorreu na popular Casa das Américas, espaço que é símbolo da resistência cultural cubana e tem como princípio — desde sua fundação em 1959, no ano da Revolução — promover a integração entre artistas da América Latina.
Nas imagens do encontro publicadas pelo MST, também é possível ver a referência feita ao “Encuentro Canción Protesta”, histórico festival realizado em 1967 na própria Casa das Américas que reuniu expoentes da música política e das canções de protesto de vários lugares do mundo. Estiveram presentes nomes como Angel Parra, Alfredo Zitarrosa e Carlos Puebla. Nenhum brasileiro compareceu e a divulgação do encontro no Brasil foi proibida pelos militares que governavam o país naquele momento.
Chico, por sua vez, esteve em Cuba pela última vez em janeiro de 1992, período em que o país enfrentava uma crise de abastecimento como consequência do bloqueio dos EUA, agravada pelo fim da União Soviética. Chico participou de uma brigada brasileira de solidariedade ao lado de nomes como Frei Betto e Ziraldo.
Desde que passou a obstaculizar o comércio petroleiro entre Venezuela e Cuba, os EUA vêm ameaçando com cada vez mais contundência o governo cubano.
O presidente Donald Trump chegou a dizer que teria “a honra de tomar Cuba”, em uma espécie de ameaça intervencionista, mas sem detalhar o que incluiria a ação.
Dependente de combustíveis fósseis para alimentar sua matriz energética, Cuba viu sua crise piorar com a perda do fornecimento petroleiro venezuelano após o ataque dos EUA em 3 de janeiro e o sequestro do presidente Nicolás Maduro.
Desde então, o país vem aplicando medidas para flexibilizar a economia e pede diálogo com Washington, de modo “respeitoso e soberano”, como disse o presidente Miguel Díaz-Canel em entrevista à emissora estadunidense NBC exibida nesta quinta-feira (9).
Dois carregamentos de petróleo vindos da Rússia já conseguiram contornar o bloqueio dos EUA e fornecer algum alívio à ilha.
Além disso, movimentos de diversos países se mobilizam para levar ajuda ao país socialista que sofre com sanções econômicas e financeiras impostas por Washington há mais de 60 anos.