Venda de Outono tem até Jaguar XJ220 que foi de Piquet

O museu Carde, em Campos do Jordão (SP), prepara seu terceiro leilão beneficente de automóveis clássicos. Após as edições Winter Sale e Spring Sale, realizadas em 2025, a chamada Venda de Outono será a primeira ação neste ano.

Ao todo, serão 45 lotes, com destaque para veículos da reserva técnica que abastece o acervo do Carde, hoje com cerca de 500 exemplares. Parte deles já foi exibida ao público, enquanto outros permaneciam fora de exposição até agora.

Para quem já conhece o museu, a grande surpresa é que o raríssimo Jaguar XJ220 da exposição irá a remate. Esse supercarro da década de 1990 nasceu de um conceito que prometia um motor V12 e tração integral. Quando chegou à produção, contudo, o modelo tinha mecânica bem diferente — um V6 biturbo de 3,5 litros e 550 cv, derivado de um motor de rali da TWR (para economizar peso e atender às normas de emissões), e tração apenas traseira. O “220” de seu nome se referia à velocidade máxima pretendida: 220 milhas por hora, ou 354 km/h.

Na época, esse Jaguar chegou a sobrepujar a F40 como carro de série mais veloz do mundo, atingindo 347 km/h no circuito de Nardò, na Itália. O modelo teve apenas 281 unidades produzidas entre 1992 e 1994, sendo que duas delas vieram para o Brasil. O exemplar do Carde já pertenceu ao tricampeão da Fórmula 1 Nelson Piquet e é exatamente o mesmo que foi exibido no Salão do Automóvel de 1994. Na época, era o carro mais caro da exposição, custando US$ 650 mil  — o equivalente a cem Lada Laika.

No ano passado, o XJ220 voltou a ser exibido no Salão de São Paulo, desta vez no estande do Carde. A expectativa é que ultrapasse os R$ 6 milhões em lances na Venda de Outono. Como referência, em agosto de 2025, um exemplar idêntico foi arrematado pelo equivalente a R$ 3 milhões no leilão da RM Sotheby’s, em Monterey, na Califórnia.



Foto de: Divulgação

Segundo Luiz Goshima, curador do Carde e membro da Fundação Lia Maria Aguiar, a decisão de levar parte do acervo a leilão é uma prática comum em museus ao redor do mundo.

“A rotatividade reduz a repetição de modelos e permite investir em veículos que ainda não temos. É um processo difícil, mas necessário. Temos no Carde a proposta de apresentar aos nossos visitantes uma riqueza histórica e cultural, por meio de uma curadoria de alto nível. Enxergamos o carro como uma obra de arte, que dialoga com esculturas e quadros para contar a história da República no Brasil, sempre conectada ao contexto internacional”, explica.



Foto de: Divulgação

Do Viper ao Topolino elétrico

A lista inclui outros modelos de apelo entre entusiastas. Um dos destaques é o Dodge Viper RT/10 da primeira geração (SR I), o carro que resgatou o espírito dos muscle cars puristas entre 1991 e 1995. Equipado com motor V10 de 8 litros e câmbio manual de seis marchas, este modelo era famoso por entregar 405 cv de potência e 64 kgfm de torque sem qualquer auxílio eletrônico, como ABS ou controle de tração. Sua filosofia minimalista abria mão até de maçanetas externas e vidros laterais em prol de uma experiência de condução crua e brutal.

Também é digno de nota um Volkswagen Sedan 1200 “Zwitter”, de 1953. O termo “Zwitter” pode ser traduzido do alemão como “híbrido” ou “intermediário”. Fabricado entre outubro de 1952 e março de 1953, esse Fusca é raro por ser justamente um modelo de transição: ainda tem a carroceria com janelinha traseira bipartida (vulgo “Split”), mas já traz o painel do modelo “Oval”, com velocímetro atrás do volante (e não mais no meio do painel).



Foto de: Divulgação

Entre as muitas novidades marcantes vieram os quebra-ventos, as rodas de 15″ (substituindo as de 16″) e as gradinhas de buzina ovais (antes eram redondas). Essa configuração ficou em produção por apenas seis meses, com cerca de 58 mil unidades fabricadas. No Brasil, os “Zwitter” também marcaram uma importante transição, já que ainda foram montados pela importadora Brasmotor. Em março de 1953, a VW criou sua própria filial no país e assumiu o negócio.

Nos lotes de nacionais, chama atenção um Volkswagen Passat GTS Pointer 1.8 praticamente sem uso, com apenas 400 quilômetros rodados. O exemplar é de 1988, último ano de produção do Passat no Brasil. O melhor é que não terá valor de reserva, com lance inicial de R$ 1 mil (mas a estimativa é que o lance final chegue perto dos R$ 500 mil!). 



Foto de: Divulgação

No catálogo há muitas outras raridades e carros de cair o queixo: Chevrolet Corvair cupê 1965, Audi RS2 Avant 1995, um Lanchester de 1932, Franklin 1928, Riley Drophead Coupe 1950, Adler Trumpf 1935, Pierce-Arrow 1926, dois Corvette C1 (de 1954 e 1962) e até um Opel Olympia 1936 igualzinho ao que chegou ao Brasil na primeira viagem do dirigível Hindenburg.

Opel Olympia voou da Alemanha ao Rio no dirigível Hindenburg, em 1936

Há um Bugatti Pur Sang T35 — feito de forma artesanal na Argentina, por Jorge Anadon, esse carro que reproduz fielmente, até o último parafuso, o Bugatti Type 35 (1924-1931), um dos maiores vencedores de corridas de todos os tempos. Entre os modelos recentes há um Maybach S 680 de 2022 e um Fiat Topolino elétrico, de 2024.



Foto de: Divulgação

Os veículos estarão expostos no Carde a partir deste sábado, 11 de abril. Já o leilão será realizado em formato híbrido, com participação presencial e online, no dia 2 de maio, diretamente no museu.

Para participar, é necessário fazer um cadastro prévio na plataforma do leiloeiro. Os interessados poderão dar lances ao vivo ou optar pela compra antecipada, por meio da modalidade “Buy It Now”, com preço fixo. Os mais baratinhos nessa modalidade são um Escort XR3 1986 e um BMW 2002 Alpina de 1973, ambos por R$ 70 mil. Mais informações e acesso ao catálogo completo estão disponíveis no site da ArtMG Leilões.

https://www.artmgleiloes.com.br/leilao/10/leilao/20

Como nas edições anteriores, parte da receita obtida será destinada a projetos sociais da Fundação Lia Maria Aguiar.

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