
Autobiografia – lutar, conquistar e desenvolver o ser
Vamos conversar?
Dores dos 11 anos
Foram pouco mais de 04 anos que se tornaram determinantes e moldaram meu ser. Sofri, chorei muito, principalmente no início, pois estava em outro mundo para mim, como se o vazio tivesse se instalado e eu não sabia o que fazer, mas o tempo, mestre em curar feridas, agiu a meu favor, com o passar do tempo, fui me adaptando e passei a gostar daquelas pessoas (éramos em 03), daquele lugar.
Trabalhava na casa, nos serviços domésticos e estudava a tarde, sempre em busca da perfeição, era assim que a senhora “tia” me direcionava, me ensinando avaliar cada execução e me orientando para fazer melhor, na época eu sofri muito, pois não sabia fazer nada, eu nunca havia feito em minha casa para ajudar minha mãe, até mesmo porque ainda era uma criança.
Veja a diferença: Para minha mãe eu era uma criança com 11 anos e não me mostrou o que fazer e como fazer até o momento. Para a “tia”, eu já estava passando da hora de aprender e me ensinou como se fosse um método a ser seguido, com disciplina, regras e muito trabalho, tudo era muito rigoroso.
Mas, com o olhar de hoje, agradeço cada minuto, pois me tornei uma pessoa melhor, um ser humano com princípios e forte, poderia ter me revoltado, mas não, fui à luta. Trabalhava muito na casa, “que era muito grande” e estudava para apresentar sempre as melhores notas a “tia” me cobrava isso com muita determinação.
Mas veja, aos 15 anos para 16 anos, outro golpe, mais sofrimento.
Meus pais se separaram, minha mãe quis me trazer de volta, na época ela disse: “Você precisa me ajudar com seus irmãos”, mais uma vez sofri em ter que sair de onde eu já havia me acostumado, onde eu queria muito ficar, a “tia” sempre foi muito rigorosa, sistemática, no entanto amorosa, cuidava de mim e nunca me maltratou, então, eu aprendi a gostar dela e agora queria ficar com ela, veio minha mãe e me tirou dela, novamente a dor do distanciamento e agora, com maior entendimento, o que me provocou muita revolta.
Voltei para casa de minha mãe, com a separação ela veio morar na Cidade “Campina Verde” onde estou hoje, porém eu já não me sentia parte da família, já não me via em minha casa, afinal fiquei 04 anos, quase 05, morando em Ribeirão Preto e nunca vim visitar minha família, foi uma ruptura em minha vida, e agora novamente teria que enfrentar outra ruptura, porém acredito eu com agravantes.
Vamos falar desses momentos no próximo episódio.
Até….
“As rupturas nos causam dores horríveis, mas o que faremos, são determinantes para quem somos no hoje”.
Elenir Borges