
Autobiografia – lutar, conquistar e desenvolver o ser
Vamos conversar?
O desenvolvimento de um SER
Sabe por que eu acredito que essa nova ruptura foi com agravantes? Pois eu já tinha maior entendimento, já havia me desenvolvido muito, estava “moldada” e era outro mundo onde eu vivia, outros costumes, onde eu estava inserida e agora gostava muito daquela realidade, já havia me habituado aquela vida, tão diferente de antes.
Tive que voltar, eu não fui ouvida e não tive escolha, então vim morar com minha mãe e na época estava com 03 de meus irmãos mais novos, pois o quarto (o mais velho) estava morando com um tio no estado do Pará. Chegando na casa de minha mãe já iniciei um trabalho em um supermercado local, afinal precisávamos ter renda, minha mãe era costureira nesta época e as vezes a renda mensal era muito pouca para o básico em nossa casa. Fato é que quando chegava o final do mês eu não ficava com nada de meu salário, pois realizava as compras de alimentos para todos nós e acabava que não sobrava nada para mim.
Fiquei assim por um ano, porém após este tempo eu não consegui mais ficar com minha mãe, eu estava com 17 anos e resolvi que iria embora, iria morar em Uberlândia MG, com meu pai. Foram momentos difíceis com decisões de impactos para todos, porém fui seguir minha vida.
Chegando na casa de meu pai, não fui bem recebida e acabou que fui morar com uma moça que na época era desconhecida, mas que juntas construímos uma amizade. Neste período de transição eu tive enfrentamentos fortes e muito duro para uma adolescente de 17 anos.
Eu fui rejeitada por meu pai, ele não me deu apoio e eu fiquei sem suporte, eu fui maltratada por minha avó paterna, que também morava em Uberlândia MG e foi onde fiquei por uns 03 meses, até conseguir algum lugar, afinal meu pai não me queria na casa dele com a esposa atual dele, “eu iria atrapalhar a convivência deles,” foram palavras dele. Minha avó, essa a cada momento que eu estava com ela, era motivo para ela me agredir com palavras duras e as vezes me proibia de comer, para não fazer barulhos na cozinha a noite, quando eu chegava da escola.
Mas, gosto de pensar que apesar de tudo isso foram essas pessoas que me fizeram forte, pois através destas situações eu ia a cada dia me fortalecendo. Houve pessoas boas também, uma tia minha, irmã de meu pai, me ajudou bastante, direcionando minha vida, me ajudou a me matricular em uma boa escola estadual, me ajudou a conseguir um trabalho, então não fiquei totalmente sozinha, tinha mãos amigas sendo estendidas em minha direção, e eu aproveitei e agradeci a cada uma delas.
Teve um período que passei fome, foi difícil pois até eu conseguir um trabalho, eu não tinha onde morar, pois minha avó reclamou tanto que tive que sair e meu pai me organizou, um quartinho em um sacolão ao lado da casa dele, era extremamente precário, tinha até buracos na parede que via tudo na rua, e foi ali que fiquei por uns 02 meses, mas precisava comer e as vezes não tinha com o que comprar a comida.
Mais uma vez outra mão amiga foi estendida, eu ia para escola a pé por não ter como pagar o ônibus e acredite era muito longe, veja para quem conhece “eu morava no bairro Tubalina e estudava no bairro Brasil – escola José Inácio”. Todos os dias ia andando, para voltar ao final da aula as 23 horas de ônibus, mas como estava falando, eu não tinha todas as refeições para comer e talvez teria somente uma, a que eu ganhava na escola, veja amigos leitores, que lindo: Havia uma senhorinha “cantineira” muito gracinha, que todos os dias quando eu chegava por volta das 18:15, pois minha aula iniciava as 18:30h, ela me chamava lá na cozinha da cantina e me oferecia um prato de comida, aquele momento era para mim o melhor do dia, afinal eu estava muito faminta e talvez iria comer novamente somente no outro dia e se ela tivesse guardado para mim, pois tinha dia que não sobrava o lanche da tarde.
Importante de tudo isso, é que foram estes enfrentamentos que me fizeram uma pessoa melhor, agradecida. Ao escrever estas linhas aqui, estou revivendo cada momento, e meu coração se alegra com tanto carinho e ajuda que obtive, pessoas que me ofereceram ajuda em momentos muitos difíceis e eu conseguia me reerguer, como esta jovem que procurava alguém para dividir o aluguel e assim, fomos morar juntas.
E foi neste período, agora já com 18 anos, que conheci o moço que hoje é meu esposo, mas essa parte falo em outro momento…
Até….
“As dificuldades doem, muito, as vezes pensamos que não vamos suportar, mas aparecem sempre “anjos” para nos ajudar e assim vamos nos fortalecendo”.
Elenir Borges