
Julianna Pena é campeã do UFC. Foto: Reprodução/Instagram/UFC
A três dias da defesa do cinturão do peso galo (até 61,2kg.) feminino contra Kayla Harrison no UFC 316, Julianna Peña carrega um episódio pouco conhecido do grande público: uma noite de dezembro de 2015 que terminou com a então aspirante ao título algemada e enquadrada pela polícia de Spokane, em Washington (EUA).
Os detalhes do ocorrido revelam uma sucessão de eventos violentos. Na madrugada de 20 de dezembro de 2015, Peña e seu parceiro de treinos, Joshua Gow, estiveram presentes em uma briga de rua com cerca de 20 pessoas próximo ao Globe Bar, no centro de Spokane. O amigo saiu do confronto com o rosto ensanguentado, situação que levou a dupla a buscar ajuda no ‘Bar Zola’, estabelecimento que conheciam.
Segundo relatório policial, funcionários recusaram a entrada da lutadora e de Gow porque o local havia fechado. Diante da negativa, Julianna se revoltou. De acordo com o boletim de ocorrência, a atleta ficou fora de si ao ser impedida de acessar o banheiro para limpar as feridas do amigo. O proprietário e um funcionário teriam levado chutes na virilha.
Enquanto isso, Joshua, visivelmente intoxicado, esfregou o rosto sangrento no vidro da entrada. A cena caótica exigiu a intervenção de vários seguranças para conter a futura campeã do UFC, descrita como ‘incontrolável’ nos registros policiais. Ao chegarem, os agentes encontraram os dois lutadores em estado de embriaguez próxima ao local.
Então com 26 anos e top 5 do UFC, Julianna Peña passou cerca de 12 horas na cadeia antes de pagar fiança de US$ 2 mil (cerca de R$ 7,2 mil na cotação da época). As acusações formais incluíram dois crimes de agressão, cada um com pena máxima de um ano de prisão e multa de US$ 5 mil (R$ 18 mil).
A resposta da organização foi imediata: suspendeu a lutadora indefinidamente, cancelou seus combates agendados e contratou o escritório de advocacia ‘Campbell & Williams’ para investigação independente. A nota oficial destacou que a lutadora não seria escalada para eventos enquanto o processo criminal continuasse.
O desfecho legal favoreceu a carreira da atleta. Seu advogado, Carl Oreskovich, negociou um acordo para que Julianna Peña seguisse com a ficha limpa por um ano e as acusações seriam retiradas. O representante jurídico argumentou que os fatos ‘nunca deveriam ter virado caso criminal’. Na época, ele atribuiu o caso como ‘circunstâncias emocionais que escaparam do controle’.
O UFC impôs condições ao retorno: a lutadora aceitou participar de aconselhamento psicológico como requisito para voltar ao octógono. A organização manteve silêncio sobre a natureza específica do tratamento, mas enfatizou em comunicado que a atleta reconheceu que ‘suas ações como atleta profissional devem refletir positivamente’.
O incidente permanece como ponto controverso na biografia da primeira vencedora feminina do The Ultimate Fighter. Em entrevistas posteriores, JuPeña preferiu não revirar o episódio, focada em reconstruir sua imagem dentro do esporte.
A estratégia funcionou: conquistou o cinturão contra Amanda Nunes em uma das maiores zebras da história do UFC (2021), recuperou o título contra Raquel Pennington (2024), e agora se prepara para enfrentar a judoca olímpica Kayla Harrison no UFC 316, neste sábado (7), no Prudential Center. Elas dividem o protagonismo da luta co-principal.