Após tiroteio que deixou quatro mortos, projeto social para jovens do Morro dos Macacos suspende aulas em praça de Vila Isabel

Notícia nos últimos dias por causa de um tiroteio que deixou quatro mortos e três feridos, consequência de uma guerra de facções que atormenta os moradores do Morro dos Macacos desde dezembro passado, a Praça Barão de Drummond, em Vila Isabel, oferece momentos muito mais prazerosos a quem vive na comunidade. Como as aulas gratuitas de futsal dadas a um grupo de 60 crianças e adolescentes de 6 a 14 anos. O projeto Show de Bola, liderado por Almir Moraes, já existe há 18 anos e começou de maneira despretensiosa, quando Moraes levava o filho para brincar na praça e passou a organizar partidas do esporte. Após o episódio da madrugada de segunda-feira, o projeto teve uma pausa, a pedido de mães de participantes, explica o professor, e as aulas serão retomadas no mês que vem.

Moraes, professor de educação física, conta que ainda luta por outro um espaço para o projeto. Segundo ele, a má iluminação da praça prejudica as aulas, além de aumentar a sensação de insegurança.

— Com essa luz amarela, enxergar a quadra fica difícil para as crianças. Elas precisam ter uma boa percepção do jogo para acompanhar a bola, e isso fica complicado quando está muito escuro. Tem dias que são quatro refletores em volta da praça, dois de cada lado, mas às vezes só tem dois funcionando. Já aconteceu de não ter nenhum em condições, e nesses casos eu preciso cancelar a aula — explica.

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Monique Paulino é mãe de João Guilherme Neves, de 10 anos, que está há três nas aulas de futsal. Ela explica que há um déficit de projetos gratuitos voltados ao esporte em comunidades e diz que o Show de Bola levou essa alternativa para a região.

— As crianças amam esse projeto. Quando a aula é cancelada por algum motivo, elas ficam tristes, desmotivadas. Ter um esporte disponível é muito importante porque trabalha a ansiedade muito avançada que a gente vê nas crianças hoje em dia. Além disso, ajuda na fala, a aprender a brincar, auxilia o desenvolvimento — analisa ela.

O professor diz que a ideia de abraçar as crianças da região veio da falta de acesso ao lazer e ao esporte para os moradores. Além das aulas, ele promove ainda passeios ao BioParque (zoológico) e confraternizações.

— O Morro dos Macacos é uma área geograficamente esquecida. Então, comecei a juntar as crianças, e isso tomou uma proporção muito grande. Acho que tem que ter a parte social também, que o estado não vê, por isso já fui com eles ao Teatro Municipal e a museus. Escrevi até cartas pedindo ingressos gratuitos — lembra.

Os treinos são realizados de duas a três vezes por semana, das 18h15 até as 20h15. São três horários, divididos em três turmas: a primeira para crianças de 6 a 8 anos, outra para as de 9 a 11 anos e a terceira para os que têm de 12 a 14 anos.

Moraes conta ainda com um auxiliar durante as aulas de futsal, um jovem com deficiência que conheceu durante aulas de futebol e natação na Vila Olímpica Arthur da Távola, no Parque do Trovador, em Vila Isabel.

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