
A BNDES Participações (BNDESPar), braço de investimentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), informou que reduziu a participação acionária no frigorífico JBS, dos anteriores 20,8% para 18,18%.
Segundo fato relevante divulgada pela JBS, a BNDESPar vendeu 58.307.700 ações ordinárias durante os dias 23 de abril e 20 de maio deste ano.
No comunicado enviado ao frigorífico, a BNDESPar destacou que a alienação não teve como objetivo a alteração no controle acionário ou da estrutura administrativa da JBS e que também não foram celebrados pela BNDESPar contratos ou acordos que regulem o exercício de direito de voto ou a compra e venda de valores mobiliários emitidos pela JBS.
Uma fonte que acompanhou as operações, estimou que, entre meados de março e agora, o BNDES ganhou de R$ 5 bilhões a R$ 6 bilhões com o investimento na participação acionária na JBS. A conta inclui tanto a valorização das cotações dos papéis, um ganho apenas de valor de mercado, que não vai para o resultado financeiro do banco de fomento, quanto o que foi obtido com as vendas das ações e dividendos – os últimos dois, sim, são ganhos que engordam o resultado do BNDES.
A venda das ações aconteceu enquanto o papel da empresa atingiu a máxima histórica, em 25 de abril, quando encerrou o dia valendo R$ 45,78.
Desde meados de março, as ações da JBS estão em alta porque a empresa anunciou que o BNDES e a J&F, holding da família Batista que controla a processadora de alimentos, firmaram um acordo para que o banco não votasse na deliberação sobre a listagem da companhia na Bolsa de Nova York. Na prática, o acordo foi um sinal verde para a reestruturação societária.
A SEC, órgão regulador do mercado mobiliário americano, aprovou em abril o processo desenhado pela JBS para estrear na Bolsa americana.
A decisão caberá à assembleia de acionistas, que acontecerá na próxima sexta-feira, 23.
Na apresentação dos resultados financeiros do primeiro trimestre, na semana passada, diretores do BNDES informaram que o preço médio das ações da JBS estava em torno de R$ 5 no momento de entrada do banco no capital da companhia, em operações que começaram em 2007.
Na apresentação, os executivos do BNDES sinalizaram também que o banco estaria disposto a vender sua participação acionária na empresa de alimentos. No encerramento do primeiro trimestre, a carteira de participações do BNDES estava avaliada em R$ 87,6 bilhões.
A fatia do banco de fomento no capital da JBS, de 20,81%, foi avaliada em cerca de R$ 19 bilhões no encerramento do primeiro trimestre. Os papéis da companhia, maior processadora de carnes do mundo, vêm se valorizando nas últimas semanas, diante da perspectiva de que as ações passem a ser listadas, ao mesmo tempo, na B3, em São Paulo, e na NYSE, em Nova York.
— Não só no caso da JBS, como em outros casos, são empresas maduras, em que o BNDES já cumpriu sua função. O momento de vender (as ações), o BNDES vai decidir de acordo com a perspectiva de colocação do preço. Se está de acordo com o que achamos que ela vale — afirmou Alexandre Correa Abreu, diretor financeiro do BNDES, ressaltando que o banco não pretende vender participações em empresas que considera “estratégicas”, como Petrobras e Eletrobras.
Ao todo, o BNDES destinou R$ 17,6 bilhões em apoio financeiro a empresas do Grupo J&F, que controla a JBS, sendo R$ 9,5 bilhões em empréstimos e R$ 8,1 bilhões na compra de ações da JBS e do frigorífico.
O apoio à empresa de alimentos foi um dos destaques na chamada “política de campeões nacionais”, como ficou conhecido o apoio do BNDES, na gestão de Luciano Coutinho, para a formação de grandes grupos empresariais nacionais.