
Celebrar mais um ano do Brasil de Fato é reafirmar uma escolha. São 23 anos de um projeto de comunicação que não se constrói a partir de uma noção abstrata de jornalismo, mas da prática coletiva de quem entende a comunicação como parte da luta política e da formação de consciências.
É a partir dessa compreensão que conectamos nosso fazer jornalístico às experiências concretas que desafiam a ordem vigente. Que mostram que outros caminhos são possíveis e que, mesmo constantemente atacadas, criminalizadas ou silenciadas, essas experiências resistem.
Criado no início dos anos 2000, em um contexto de reorganização das lutas populares no país, o Brasil de Fato nasce da urgência de romper com as narrativas hegemônicas e ampliar o acesso a leituras críticas da realidade.
Ao longo dessas mais de duas décadas, o veículo se renovou, expandiu sua atuação e diversificou linguagens. Iniciamos a Rádio Brasil de Fato, consolidamos nossa produção no audiovisual, inclusive reconhecida com o Prêmio Vladimir Herzog de Jornalismo em 2025, e ampliamos nosso alcance, sem abrir mão do vínculo histórico com os movimentos populares que ajudaram a nos construir.
Assumir um jornalismo comprometido com a formação de consciências exige rigor, responsabilidade e coragem. Significa questionar a ideia de que existe apenas um modelo possível de organização econômica, social e política. O Brasil de Fato se afirma justamente na recusa dessa naturalização e na aposta em outras formas de existência.
Para estar à altura dos desafios impostos, partimos de uma premissa fundamental: nosso posicionamento editorial e nossas escolhas políticas não se sobrepõem à qualidade, à veracidade e à credibilidade da informação. Ao contrário, exigem ainda mais precisão, apuração e responsabilidade. As tentativas de deslegitimar esse compromisso revelam menos uma crítica ao método e mais a dificuldade de aceitar que há projetos de sociedade em disputa, e que eles precisam ser nomeados. Há quem não suporte a ideia de que outro mundo é possível e, mais do que isso, que ele já está em construção e ganha força.
Ao longo desses 23 anos, consolidamos uma identidade editorial própria e múltiplas plataformas de atuação. No site, nas rádios e no audiovisual, estão presentes as lutas por soberania e contra o imperialismo, as experiências socialistas em curso no mundo, as práticas que enfrentam o avanço predatório do capital e as resistências populares que insistem em criar saídas coletivas para crises estruturais.
Celebrar esta data é também reconhecer que esse projeto só se sustenta porque é coletivo. Leitoras e leitores, ouvintes, telespectadores, apoiadores e divulgadores fazem parte dessa construção cotidiana. Nós agradecemos muito.
Neste ano, a celebração acontece após a cobertura do 14º Encontro Nacional do MST, um dos maiores movimentos populares do mundo, com quem caminhamos lado a lado desde a nossa origem. Estar onde a luta está não é um gesto simbólico, é método. Ao nos somarmos à defesa da Reforma Agrária Popular, reafirmamos a compreensão de que ela não se limita ao acesso à terra, mas envolve a construção de valores, práticas e relações capazes de transformar o mundo e nossas subjetividades.
Seguiremos produzindo jornalismo com profundidade, rigor e engajamento. Honrar esses 23 anos é seguir em movimento, com os pés no chão e os olhos voltados para os horizontes que insistimos, e ousamos, construir.
Para nós, comunicar sempre foi um ato político. E seguirá sendo. Viva o Brasil de Fato! Viva a luta dos povos do mundo!