
Brasília, 20 de julho de 2025 – Um boato persistente sobre a possibilidade de os Estados Unidos “desligarem” o sistema GPS no Brasil tem gerado discussões, mas especialistas e a própria realidade técnica desmentem essa hipótese. A alegação, que ressurge periodicamente, é considerada infundada e tecnicamente inviável, além de gerar repercussões diplomáticas sem precedentes.
O Sistema de Posicionamento Global (GPS) é, de fato, mantido e operado pelo governo dos Estados Unidos. No entanto, o sinal civil é disponibilizado gratuitamente e de forma irrestrita para qualquer nação do mundo. Interromper seletivamente o serviço para um país como o Brasil, fora de um cenário de conflito direto, seria uma medida inédita e de graves consequências.
“Bloquear o GPS para um país civil geraria uma crise diplomática internacional de proporções gigantescas”, explica um especialista em tecnologia de navegação, que prefere não ser identificado. “Seria um ataque à infraestrutura de comunicações e logística de uma nação, com impactos diretos na economia e na segurança da população.”
O Brasil realmente possui uma grande dependência do GPS em setores cruciais:
Apesar dessa dependência, a boa notícia é que o Brasil não está refém de um único sistema. Existem outros sistemas globais de navegação por satélite (GNSS) que podem ser utilizados como alternativas e já são compatíveis com a maioria dos dispositivos modernos:
Muitos smartphones e equipamentos de navegação já operam com múltiplos GNSS, o que significa que uma eventual falha no GPS poderia ser parcialmente mitigada pela utilização dos outros sistemas.
Ciente da importância estratégica da navegação por satélite, o governo brasileiro tem dado passos para reduzir sua dependência externa. Em julho de 2025, foi instituído um grupo de trabalho com o objetivo de estudar a criação de um sistema de posicionamento, navegação e tempo (PNT) brasileiro. Essa iniciativa visa garantir a autonomia e a segurança nacional em um setor considerado vital para o desenvolvimento e a defesa do país.
Em resumo, a ideia de um “desligamento” seletivo do GPS pelos EUA no Brasil permanece no campo da especulação infundada. A complexidade técnica, as graves repercussões diplomáticas e a existência de alternativas internacionais, somadas à busca brasileira por sua própria autonomia tecnológica, tornam o cenário de um “apagão” do GPS no país altamente improvável.