Cibercriminosos paralisam a produção da Jaguar Land Rover

A Jaguar Land Rover (JLR), maior fabricante de automóveis do Reino Unido e subsidiária da indiana Tata Motors, anunciou que a produção em suas fábricas britânicas permanecerá paralisada pelo menos até 24 de setembro de 2025, após um grave ataque cibernético que afetou suas operações globais. Fontes da indústria alertam, porém, que a interrupção pode se estender até novembro, dependendo da evolução da recuperação.

O ataque, ocorrido há mais de duas semanas, forçou a JLR a desligar suas redes de TI, paralisando completamente a produção, e está sendo investigado criminalmente. A fabricante, entretanto, rejeitou especulações de que o impacto operacional possa durar semanas ou meses, classificando tais previsões como “mera especulação”.

Mesmo assim, cresce a preocupação sobre os efeitos do fechamento na extensa cadeia de suprimentos da empresa, com alertas de que algumas fornecedoras poderão falir se não houver suporte financeiro rápido. O custo da paralisação prolongada é estimado em pelo menos £ 50 milhões por semana (R$ 360 milhões), considerando que a JLR normalmente produz mais de mil carros por dia.



Foto de: Jason Vogel

Ataque e pedido de resgate

Um grupo de cibercriminosos que se autodenomina Scattered Lapsus$ Hunters (algo como “Caçadores espalhados do Lapsus$”) reivindicou a ação, sendo também responsável por uma série de ataques de grande repercussão contra as tradicionais lojas de departamentos Marks & Spencer (em abril) e as redes de cooperativas Co-op (em maio).

Em todos os casos, os hackers invadiram e dominaram os sistemas das empresas, exigindo um resgate em criptomoedas para devolver às vítimas o controle e os dados roubados. Esses ataques são chamados de ransomwares.



Foto de: Jason Vogel

Para complicar ainda mais a situação, o Scattered Lapsus$ Hunters divulgou recentemente uma mensagem em que afirma que o grupo está se desfazendo e que seus membros permanecerão em silêncio, escondidos na imensidão virtual.

O impacto financeiro e operacional do ataque cibernético ocorre em um momento particularmente delicado para a Jaguar Land Rover. A empresa já enfrentava desafios como queda na demanda na China e na Europa, atrasos na produção de modelos elétricos e tarifas que afetaram as remessas aos EUA.

Vale lembrar que, mesmo antes do ataque, a Jaguar já estava com a produção praticamente interrompida para uma reformulação radical de sua imagem e identidade, com previsão de só retomar a fabricação no ano que vem, focando exclusivamente em BEVs de altíssimo preço.



Foto de: Jason Vogel

Fornecedores angustiados

As fábricas britânicas afetadas estão localizadas em Solihull e Halewood, além da unidade de motores em Wolverhampton. A empresa também possui grandes fábricas na Eslováquia e na China, bem como uma instalação menor na Índia. Todas as linhas de produção estão paralisadas desde 1º de setembro, quando o ataque foi identificado.

Ao anunciar o adiamento da retomada, a JLR afirmou:

“Tomamos esta decisão enquanto nossa investigação forense sobre o incidente cibernético continua, e enquanto avaliamos os diferentes estágios do reinício controlado de nossas operações globais, processo que levará tempo. Lamentamos profundamente a continuidade da interrupção causada por este incidente e forneceremos atualizações à medida que a investigação avance.”

Inicialmente, a empresa demonstrava confiança em resolver a situação rapidamente. No entanto, tornou-se evidente que reiniciar a produção não é um processo simples. A JLR admitiu que alguns dados podem ter sido visualizados ou roubados por terceiros em decorrência do ataque.



Foto de: Jason Vogel

Até 24 de setembro, mais de três semanas e meia de produção terão sido perdidas. Especialistas da indústria apontam que, mesmo após a retomada das linhas, levará várias semanas para que a produção volte aos níveis normais.

Entre os fornecedores, muitos deles pequenas e médias empresas, cresce a preocupação financeira. Alguns relataram não terem recursos para lidar com uma paralisação prolongada, e especialistas alertam que falências são prováveis caso não haja algum tipo de apoio. Jason Richards, representante regional do sindicato Unite nos West Midlands, afirmou à rede britânica BBC:

“Já estamos vendo empregadores discutindo possíveis demissões. As pessoas têm que pagar aluguel, financiamentos, e, se não recebem salário, o que deveriam fazer? Precisamos ter uma cadeia de suprimentos funcionando para a Jaguar Land Rover. Se retomarem a produção esperando que a cadeia de fornecedores esteja pronta, isso não vai acontecer.”

Com centenas de milhares de pessoas trabalhando nessa área, há risco de danos duradouros ao setor de engenharia no Reino Unido. O sindicato Unite pediu recursos públicos para pagar os salários de trabalhadores do setor impossibilitados de trabalhar devido à paralisação.



Foto de: Jason Vogel

O Comitê de Negócios e Comércio da Câmara dos Comuns também questionou o Tesouro sobre os planos de apoio a empresas vulneráveis na cadeia de suprimentos. A JLR, por sua vez, mantém conversas com alguns fornecedores sobre possíveis medidas de apoio.

Enquanto vários fornecedores manifestaram preocupação com a falta de informações da JLR, um deles saiu em defesa da fabricante:

“Não devemos esquecer quem é o culpado aqui”, disse David Roberts, presidente do grupo Evtec, em entrevista à BBC. “Tudo isso é culpa de criminosos. A JLR é a vítima. Devemos lembrar quem iniciou isso — e não foi a JLR.”

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  • Redação Uberlândia no Foco

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