
O primeiro semestre de 2025 fechou com propagação de 5% nos emplacamentos de automóveis e comerciais leves diante de 2024, totalizando 1,13 milhão de unidades. A projeção anunciada pela Anfavea, entidade que congrega as montadoras, é de 2,65 milhões para o ano referto de 2025, subida de pouco mais de 6%. O segundo semestre de todos os anos é muito mais “emplacador” do que o primeiro. Por isso espera-se mais 1,5 milhão até dezembro. Mas não há motivos pra soltar fogos.
Os juros estão altos, o que dificulta o chegada aos financiamentos, além de os carros terem recebido novos itens obrigatórios nos últimos anos que encareceram os preços finais. É por isso que as vendas não decolam pra valer, considerando a presente histórica de que o mercado brasílio tinha potencial para chegar a 4 milhões de emplacamentos anuais, marca quase alcançada em 2012. Tá ruim porquê tá hoje? Não. Mas também não tá essa maravilha. Tá mais ou menos.
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Manadeira: Fiat
A gente passou as últimas décadas pensando em Fiat porquê a marca que fazia altos volumes de Uno, Palio e Strada. E quase não vendia mais zero. Só que os tempos mudaram. Essa Fiat não existe mais, exceto pela Strada, que ainda é um fenômeno de vendas. Em lugar daquela Fiat, nasceu a FCA, que agregou as marcas norte-americanas RAM e Jeep. E depois veio a Stellantis, quando houve a fusão com a PSA Peugeot Citroën. O cenário hoje é tão dissemelhante quanto a chuva do vinho.
2025: quando você soma os 21,3% da marca Fiat aos 4,9% de Jeep (participação nas vendas de janeiro a junho deste ano), além de RAM, Citroën e Peugeot, ultrapassa-se os 30%. Assassinando a matemática, mas por licença poética, dá para expor que a Stellantis tem um terço das vendas de carros e comerciais leves no Brasil.
Se antes grupo Fiat dependia quase exclusivamente de modelos de ingressão, hoje há modelos mais refinados porquê os Jeep e os Ram, frutos da Stellantis
Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com
A Stellantis faz esse (quase) terço compondo os carros de volume com MUITAS unidades de Rampage, risco Jeep e outros exemplares de preços mais altos. E essa é grande diferença para a Fiat do pretérito.
“Ah, mas o maior volume é da risco Fiat.” Sim, é. Mas se a lista dos mais vendidos coloca Mobi e Argo com 33,2 milénio e 44,5 milénio unidades, respectivamente, também inclui 62,7 milénio Strada (líder universal de vendas no país), 23,3 milénio Toro e 25,2 milénio Fastback, que, vamos combinar, não são carros entre os mais baratos do país.
Jeep e Ram venderam mais que Toyota no ano de 2025
Foto de: Jeep
A empresa continua fazendo seu resultado no volume de vendas, mas elevou seu ticket médio com os novos modelos e as marcas que foram agregadas ao Grupo. Em 2025 foram vendidas mais de 55,6 milénio unidades de Jeep e 13,7 milénio picapes RAM no Brasil – a soma dessas duas marcas premium é maior do que as vendas da Toyota. Zero mau.
Com IPI Verdejante, Renault Kwid voltou para a fita dos R$ 60 milénio; preço já era praticado porquê promoção nas concessionárias
Foto de: Motor1.com
O programa Sege Sustentável, anunciado na semana passada pelo Governo Federalista, vai baratear os modelos de ingressão do mercado brasílio com a redução de IPI. Sempre defendi, o que chega a ser uma obviedade sem tamanho, que o mercado só cresceria exponencialmente quando houvesse novidades no segmento de ingressão.
Essa é a chance, portanto! Mas… essa é justamente uma fatia de mercado que as montadoras se desinteressaram, à medida que, hoje, temos não mais do que meia dúzia de 8 exemplos de modelos realmente de ingressão. Basicamente serão algumas versões daqueles que se enquadrarão no programa: Renault Kwid, Fiat Mobi e Argo, VW Polo, Hyundai HB20 e HB20S e Chevrolet Onix e Onix Plus.
Foto de: Fiat
Foto de: Volkswagen
Foto de: Motor1.com
Qual será o impacto dessa redução de IPI nas vendas desses carros e, porquê consequência, nas vendas globais do mercado vernáculo? Já te adianto: a tendência é que vá mexer só um pouquinho. Zero demais.
Ouvi de um ex-presidente da Fiat, anos detrás, que quando você promove a variação de 1% no preço final de um sege de luxo (supra de R$ 200 milénio), o impacto nas vendas é de 1%. Por exemplo: dou 1% de desconto? Aumento a venda em 1%. Subo 1% no preço? A venda cai 1%.
“Só que quando você altera o preço de um sege de ingressão em 1%, o resultado no varejo pode ser de até 6 pontos percentuais, uma vez que a base das vendas é muito mais sensível a qualquer variação de valores”, defendia o italiano Pacifico Paoli, o responsável do enunciado. Será que ainda é tudo isso?
Sejamos conservadores e adotemos um impacto de 3% na variação, uma vez que os juros continuam altos e as instituições financeiras têm sido restritivas no chegada ao crédito. Algumas montadoras já divulgaram os descontos, que, na média, ficaram ali na mansão de 8%.
O Polo Track, por exemplo, caiu de R$ 95,8 milénio para R$ 87,8 milénio (-8,4%). Estimo que essa versão represente muro de 50% das vendas da risco Polo – a Volks, infelizmente, não divulga o mix de versões de seus produtos. Porquê a risco completa do VW Polo (2º padrão mais vendido do país de janeiro a junho de 2025) emplacou 57,2 milénio unidades, a venda da versão Track teria sido ao volta de 28 ou 29 milénio unidades, ok?
Se o impacto para cada ponto percentual de desconto multiplicar-se por três, de concórdia com a tese do Paoli, as vendas desse padrão poderiam ser ampliadas em 25% no segundo semestre, patente? Isso daria um aumento natural de 7 milénio unidades de julho a dezembro.
Agora veja o exemplo do Fiat Argo, que teve o mesmo desconto de 8,4%: a versão aprovada pelo Programa (Drive 1.0 MT) possui 60% das vendas do mix, que representou muro de 26,6 milénio unidades das 44,4 milénio totais do padrão – a Fiat divulga esse oferecido. Isso acrescentaria 6,5 ou 7 milénio novos Argo Drive 1.0 MT às vendas.
Já o Mobi, em ressarcimento, ingressa com todas as versões nessa novidade regra. E mais: a Fiat, além da subtracção do IPI, criou uma promoção extra que, lá na última risco, vai reduzir o preço do subcompacto de R$ 81 milénio para R$ 68 milénio!! Isso dá 16% de desconto totalidade. Se cá também valer o fator 3 de impacto no varejo, nós teremos uma venda de Mobi quase 50% maior no segundo semestre do ano, aumentando os emplacamentos de 33,2 milénio para quase 50 milénio unidades no novo período.
Tudo é estimativa, ok? Mas se você aumenta 7 milénio unidades em um padrão cá, mais 7 milénio no outro ali e ainda tem Mobi e Kwid que devem ampliar muito seus volumes… Vamos calcular que o IPI Verdejante poderia aumentar a venda de carros no país (arredondando pra cima) em… 100 milénio unidades?? Vale lembrar: só são 8 modelos beneficiados.
(Para efeito de confrontação: em 2000, eu participei do maior comparativo já feito pela prelo automotiva brasileira: a revista Motor Show reuniu todos os carros populares e rodou por 24 horas com esses modelos no Autódromo de Interlagos com motoristas comuns. Eles desciam do sege depois de turnos de 2 horas e davam notas para o padrão que haviam feito de guiar. Pormenor: eram 22 carros.)
Pois portanto. Lembra que a estimativa da própria indústria era fechar 2025 com 2,65 milhões de unidades, com vento em prol, reza brava e nenhuma novidade crise para invocar de sua?? Pois o IPI Verdejante tende a enaltecer o volume final de carros emplacados para (aplique cá o propagação de 100 milénio carros)… 2,75 milhões.
Isso ainda está aquém do volume de 2010 (3 milhões). Ou muito aquém do de 2012 (3,63 milhões). Mas é um início de retomada. Tomara que o Paoli tenha razão e o impacto continue sendo de 6 pontos percentuais. Talvez o transitório final não seja de 100 milénio carros, e sim 200-250 milénio. Iríamos para 2,85 ou 2,9 milhões.
O Brasil perdeu aquela vocação de produzir carros “populares”. A iniciativa do Governo Federalista em produzir o Programa Sege Sustentável é benéfica, mas a retomada daquela indústria pujante não virá dessa iniciativa. Pelo menos com o line-up que temos hoje no Brasil.
Na minha modestíssima opinião, a retomada virá do crédito mais alcançável, pelo menos com esse cenário.
Bingo.