
Mais uma vez a coluna Acervo Cultural tentando ensinar algumas coisas. Semana passada foi um desabafo e um convite para que os leitores assistissem tanto a peça quanto ao filme mencionados na coluna.
Hoje a coisa é um pouco mais séria. Na nossa cidade está sendo questionado o valor de verba a ser destinado ao Congo, e o pretexto para o início dessa discussão foi a Vereadora Janaína Guimarães que disse ser muito estranho a cidade ter verba para essa “festa cultural”… e que na mesma frase completa “cultural p. nenhuma, é uma festa religiosa e pronto”.
Pois bem… deixo aqui em minha coluna (um pouco mais cedo na semana), mas extremamente necessária, uma pequena aula sobre o Congado.
O que é Congado? O Congado, também conhecido como Congo, é uma manifestação cultural e religiosa de origem africana, presente principalmente no Brasil, que mistura elementos do catolicismo, das tradições afro-brasileiras e da história da resistência negra.
Lendo essa breve explicação vemos sim que é um festejo para a resistência negra. E sim, possui elementos do catolicismo. O que me deixa a pensar uma teoria, que vou desenvolver um pouco mais abaixo.
Continuando falando sobre suas origens.
O Congado tem raízes nas irmandades negras formadas no período colonial, quando os escravizados africanos mantinham suas crenças e culturas vivas, mesmo sob repressão. Chegou ao Brasil com os povos vindos da região do Congo e Angola.
Entre seus elementos principais temos música e dança, sempre com a presença de tambores reco-reco e Cânticos ritmados. Com certeza temos também muitas pessoas de fé, devotas, geralmente ao culto de Nossa Senhora do Rosário, São Benedito, Santa Efigênia, entre outros. As festas são celebrações que incluem cortejos, missas e coroações. E Suas vestes costumam ser coloridas.
Agora a parte mais importante: O SIGNIFICADO.
O Congado não é só uma festa — é resistência cultural e espiritual. É uma forma de manter viva a memória e o orgulho da herança africana no Brasil, misturando religiosidade, arte, história e luta.
É história, é cultura. É ancestralidade. Não é uma mera festinha religiosa.
E após essa pequena explicação deixo meu questionamento… se fosse somente por ser uma festa religiosa ia incomodar vocês? Uma vez que temos uma grande maioria de cidadãos católicos que cultuam esses mesmos santos. Ou o que incomoda vocês é por ser um movimento de resistência negra?
Deixo aqui meu questionamento. Eu já sei a resposta… e aposto que você também.