CPMI do INSS revela gastos de R$ 104 milhões em cartões de crédito de Vorcaro e movimentação suspeita de cunhado

O ex-banqueiro, Daniel Vorcaro, gastou R$ 104,4 milhões com cartões de crédito entre 2019 e 2025, de acordo com documentos obtidos pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. Do total, 45,3 milhões foram gastos por meio de cartões do próprio Banco Master, e o restante dos bancos Bradesco, Itaú, Original, Safra, Santander, Caixa Econômica e Sicoob.

Vorcaro passou a usar cartões do banco em 2021. Naquele ano, o gasto total foi de R$ 17,8 milhões. Desse valor, R$ 8,7 milhões ocorreram em cartões do Master. Em 2023, o gasto total chegou a R$ 17,2 milhões. Desse montante, R$ 8,5 milhões foram registrados em cartões do banco.

Em 2024, Daniel Vorcaro gastou R$ 34 milhões em cartões de crédito. Desse total, R$ 21,7 milhões foram em cartões do Master. No mesmo ano, a Polícia Federal (PF) iniciou investigação sobre o banco por suspeita de fabricação de carteiras de crédito falsas. Até junho de 2025, foram gastos R$ 11,3 milhões.

Paralelamente, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) mostrou que o empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, movimentou R$ 99,2 milhões em sete meses. O órgão afirmou ainda que o valor não condiz com a renda mensal declarada de R$ 66 mil, quando o total encontrado pelo órgão equivale a cerca de R$ 14,1 milhões em transações por mês.

O órgão afirma que a conta indicava o “trânsito de recursos de terceiros”, o que reforça a suspeita de atuação de Zettel como operador financeiro de Vorcaro. A defesa informou que não vai se manifestar porque não teve acesso ao documento.

“As movimentações em conta estão incompatíveis com a capacidade financeira declarada, bem como a conta aparentemente está sendo utilizada para o trânsito de recursos de terceiros (…) Há transferências eletrônicas de mesma titularidade que entram e saem da conta, incomuns com o perfil de pessoa física, dificultando a identificação da origem e destinação de parte dos recursos, bem como, recebimento de recursos com envio imediato, de valores expressivos, sem causa aparente”, diz o relatório do Coaf.

As transações ocorreram no período em que Zettel comprou a participação de Dias Toffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), de um resort no Paraná. O empresário fez onze repasses, totalizando R$ 25,6 milhões, para o fundo Leal, que é o único cotista do fundo Arleen. O fundo Arleen, por sua vez, foi responsável pela compra da participação de Toffoli no resort, o que custou R$ 20 milhões. 

Dados da Junta Comercial do Paraná indicam que o fundo Arleen entrou como sócio do resort em 27 de setembro de 2021. A data fica próxima de quatro repasses feitos por Fabiano Zettel ao fundo Leal em 2021. As transferências ocorreram em 20 e 29 de julho, 20 de setembro e 3 de novembro, segundo o Conselho de Controle de Atividades Financeiras.

Vorcaro e Zettel presos

Tanto Vorcaro quanto Fabiano Zettel foram presos pela Polícia Federal (PF) no início de março, como parte da terceira fase da Operação Compliance Zero. Segundo a PF, o objetivo da ação foi impedir a “possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa”.

A investigação mostra que integrantes do grupo comandado por Vorcaro teriam acessado os sistemas restritos da Polícia Federal (PF), do Ministério Público Federal (MPF) e de organismos internacionais como o FBI e a Interpol.

O ex-banqueiro foi preso na casa dele. A defesa informou que o presidente do Banco Master “sempre esteve à disposição das autoridades” e “jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça”.

“A defesa nega categoricamente as alegações atribuídas a Vorcaro e confia que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta. Reitera sua confiança no devido processo legal e no regular funcionamento das instituições”, disseram os advogados.

Vorcaro já havia sido preso em novembro de 2025, quando tentava embarcar para a Europa em um avião particular, no aeroporto de Guarulhos. A PF afirmou que ele iria fugir do país.

Já Fabiano Zettel se entregou à PF horas depois. A defesa dele disse que “em que pese não ter tido acesso ao objeto das investigações, Fabiano está à inteira disposição das autoridades”. Zettel foi um dos maiores doadores às campanhas de Jair Bolsonaro, à presidência, e Tarcísio de Freitas, ao governo de São Paulo, em 2022.

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  • Redação Uberlândia no Foco

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