
Juan Orlando Hernández, ex-presidente de Honduras que cumpria uma condenação por narcotráfico nos Estados Unidos, foi libertado nesta segunda-feira (1º). Ele estava preso em uma unidade federal de segurança máxima em Hazelton, Pensilvânia, e recebeu um indulto total do presidente estadunidense Donald Trump.
Hernández, de 57 anos, havia sido condenado em 2024 a 45 anos de prisão, após ser considerado culpado por crimes relacionados ao narcotráfico e ao tráfico de armas. Na sentença, os promotores o classificaram como “um dos criminosos mais culpados já processados nos Estados Unidos”.
O indulto de Trump ocorre em meio às turbulentas eleições de Honduras, enquanto os votos ainda estão sendo apurados em um contexto de fortes acusações de fraude. Trump havia manifestado sua intenção de conceder o indulto a Hernández na sexta-feira passada (28), por meio de uma mensagem publicada nas redes sociais.
Manifestando apoio ao candidato do Partido Nacional, Nasry “Tito” Asfura — partido do qual Juan Orlando Hernández é a principal figura —, o magnata nova-iorquino declarou que concederia um “indulto total ao ex-presidente Juan Orlando Hernández”, argumentando que “muitas pessoas que respeito profundamente afirmam que ele foi tratado com demasiada dureza e injustiça”.
Juan Orlando Hernández, conhecido como JOH, é uma das figuras políticas mais importantes e influentes das últimas duas décadas em Honduras. É o principal líder do poderoso Partido Nacional e foi um dos responsáveis pelo golpe de Estado de 2009, que derrubou o então presidente Manuel “Mel” Zelaya, iniciando um período de doze anos marcado por fraude eleitoral, crescente autoritarismo e aumento exponencial do narcotráfico no país — período que seus opositores chamam de “narcoditadura”.
Foi presidente de Honduras entre 2014 e 2022. Em 2017, conseguiu se reeleger — apesar da Constituição hondurenha proibir a reeleição presidencial — em um pleito marcado por irregularidades e fortes suspeitas de fraude, o que levou diversos organismos internacionais a pedir a repetição da votação, algo que não está previsto na lei eleitoral do país.
As suspeitas de fraude provocaram protestos em massa. O governo respondeu decretando a suspensão das garantias constitucionais e reprimindo violentamente os manifestantes, resultando em pelo menos dezessete mortos.
Durante seus mandatos, Hernández manteve estreita relação com Washington, chegando a receber mais de US$ 50 milhões diretamente dos Estados Unidos, destinados à suposta “guerra contra as drogas”. Essa relação foi especialmente intensa durante a primeira administração de Donald Trump (2017-2021), período em que Juan Orlando Hernández se tornou um de seus principais aliados estratégicos nas políticas anti-imigratórias do magnata nova-iorquino.
A carreira política de Juan Orlando Hernández sempre foi marcada por escândalos de corrupção. Antes de chegar à presidência, após ser eleito presidente do Congresso Nacional em 2010, foi acusado de desviar US$ 360 milhões do Fundo de Desenvolvimento Departamental, controlado pelo Congresso, que teriam sido usados para financiar o Partido Nacional.
No entanto, os escândalos de magnitude internacional ganharam força a partir de 2019. Nesse ano, seu irmão Juan Antonio “Tony” Hernández foi condenado por crimes de narcotráfico em tribunais dos Estados Unidos, devido aos tratados de extradição entre os dois países. Durante o julgamento de Tony Hernández, diversos narcotraficantes testemunharam sobre a relação de Juan Orlando Hernández com o narcotráfico.
Um dos casos mais emblemáticos da época foi o de Alexander Ardón, narcotraficante e ex-prefeito, que chegou a testemunhar que Tony havia concedido impunidade às suas operações em troca de US$ 2 milhões para a campanha do irmão. Foi nesse ano que começaram as investigações contra Juan Orlando Hernández.
Cercado pelas contínuas acusações, após a derrota eleitoral de 2021 — ano em que Xiomara Castro, com seu partido Libre, conseguiu vencer o tradicional bipartidarismo do país — Hernández buscou imunidade ao ser designado como deputado no Parlamento Centro-Americano (Parlacen).
No entanto, em fevereiro de 2022, o governo dos Estados Unidos solicitou formalmente a extradição de Hernández por crimes de narcotráfico cometidos no país. No dia seguinte, Hernández foi preso em Honduras e mandado para os Estados Unidos para responder pelas acusações. Em março de 2024, um tribunal federal de Nova York o considerou culpado de conspiração para traficar narcóticos, uso de armas de fogo e conspiração para traficar armas de fogo. Em junho do mesmo ano, foi condenado a 45 anos de prisão, mais cinco em liberdade condicional.
Segundo declarações do Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ), Juan Orlando Hernández teria usado seu poder presidencial para proteger e enriquecer narcotraficantes. A promotoria afirmou que ele facilitou o tráfico de mais de 400 toneladas de cocaína durante seu mandato.
Na última segunda-feira (1º), em um contexto em que os Estados Unidos realizam assassinatos extrajudiciais no Caribe, o presidente Trump concedeu a ele um indulto.