
Os dados divulgados nesta sexta-feira (30) pelo IBGE, que mostram que a taxa de desemprego chegou ao nível mais baixo da série histórica no Brasil, são motivo de celebração. Porém, é necessário garantir melhorias nos tipos de vínculos de trabalho. A avaliação é do economista José Luis Oreiro, professor da Universidade de Brasília (UnB).
Convidado da segunda edição desta sexta do jornal Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Oreiro diz que o percentual de 5,1% de pessoas desocupadas é um bom sinal. O dado é relativo ao trimestre entre outubro e dezembro de 2025. Na média do ano, o índice foi de 5,6%.
“É uma boa notícia que tenhamos esse nível de desemprego, mas quando a gente olha de maneira mais desagregada os dados que estão por trás dessa taxa, a gente vê que ainda há muito a que se fazer em relação à qualidade do emprego no Brasil”, alertou.
O economista chamou atenção principalmente para o grande contingente de pessoas na informalidade: 38,1%, segundo os dados do IBGE, apurados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, a Pnad Contínua. Esse contingente inclui pessoas que trabalham na iniciativa privada sem carteira assinada, trabalhadores domésticos e aqueles que atuam por conta própria.
“Quase 40% da força de trabalho está com trabalho informal ou auto empregado. Infelizmente, nos últimos 20 anos, se construiu uma narrativa no Brasil que glamouriza essas formas de trabalho como empreendedorismo. Não tem nada de empreendedor, são pessoas que não conseguem emprego no setor formal da economia e por uma questão de sobrevivência têm de trabalhar em ocupações informais ou auto empregados”, destacou.
Por outro lado, o número de pessoas com carteira assinada também cresceu, e atingiu outro recorde na série histórica, iniciada em 2012. São 38,9 milhões de pessoas nessa condição, 1 milhão a mais que em 2024.
“É uma boa notícia que estejamos numa trajetória do emprego formal, com carteira assinada, porque esse emprego, no geral, tem os maiores salários; além disso o contrato CLT assegura uma série de direitos e proteção para os trabalhadores”, lembrou.
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.