
Começa, na noite desta quinta-feira (9), o Festival de Teatro do Agreste (Feteag), um dos mais longevos e importantes eventos de artes cênicas de Pernambuco. Até o dia 26 de outubro, 21 espetáculos pernambucanos, nacionais e internacionais passam pelos palcos do Recife e, principalmente, de Caruaru. Espetáculos teatrais unem dança, performance, música e artes visuais. Toda a programação do evento é gratuita, com ingressos reservados por antecedência e distribuídos na bilheteria do teatro.
A programação começa no Recife, nesta quinta-feira e sexta-feira (9 e 10), com apresentações do À mon seul désir (Ao meu único desejo), assinado pela francesa Gaëlle Bourges, às 20 horas, no Teatro Luiz Mendonça (Parque Dona Lindu). Em seguida, o Feteag parte para por Caruaru, com apresentações nos teatros Lycio Neves (sede do TEA), Rui Limeira Rosal (no Sesc), na Estação Ferroviária e também no Assentamento Normandia, área de reforma agrária do Movimento Sem Terra (MST).
Além do espetáculo francês que abre o Feteag, outros destaques internacionais passam pelo estado. O grupo Bineural-Monokultur, da Argentina, apresenta o Dancemos… que o mundo se acaba, na quarta-feira (15), na Estação Ferroviária. No sábado e domingo (18 e 19), o grupo chileno Teatro Container leva a peça A Cozinha Pública ao Assentamento Normandia para uma vivência culinária comunitária. Na quarta-feira (22), o francês O Cais de Ouistreham (Le Quai de Ouistreham), da Companhia Résolue, sobe ao palco do Teatro Lycio Neves.

Na quinta-feira (23), o Teatro Lycio Neves recebe a peça A verdade vencerá – Lula, da companhia teatral francesa KastôrAgile, dirigida por Gilles Pastor. Na sexta-feira (24), no mesmo teatro, a companhia Les Récréâtrales, de Burkina Faso, apresenta o espetáculo Les Sans (Os Sem). Também africana, A Ópera do Camponês (L’Opéra du villageois), da Companhia Zora Snake, de Camarões, se apresenta na Estação Ferroviária. No sábado (25), o Teatro Rui Libeira (Sesc) recebe a o espetáculo Corpos, da Cie Mangrove, com artistas brasileiros e da ilha de Guadalupe, posse francesa no Caribe.
A despedida do festival em Caruaru é com o show Inquieta, de Larissa Lisboa, com participação da caruaruense Gabi da Pele Preta, no Teatro Lycio Neves, dia 25. E, de volta ao Recife, no domingo (26), o Feteag encerra em grande estilo, no Teatro de Santa Isabel, com Em algum lugar do início (À un endroit du début), espetáculo de dança protagonizado pelo francês Mikaël Serre e pela histórica dançarina e coreógrafa senegalesa Germaine Acogny, que em mais de 60 anos de carreira criou escolas de dança na França e no Senegal, além de ser considerada a desenvolvedora da “dança africana”.
Entre as produções nacionais, o Feteag traz peças do Ceará, Rio Grande do Norte, e Paraná, além de Pernambuco. Destaques para os pernambucanos do Grupo Magiluth, que apresentam Édipo REC na quarta-feira (15), no Teatro Lycio Neves. Também na sede do TEA, os potiguares da Cia de Atores à Deriva apresentam Fábulas de nossas fúrias. Os cearenses da companhia Manada apresentam Cavucar no Teatro Lycio Neves na segunda-feira e terça-feira (20 e 21).

Os paranaenses da Trupe Ave Lola chegam com duas peças: Sonho de uma noite de verão, no Teatro Rui Limeira (sábado e domingo, 18 e 19); e a infantil O Vira-lata, no Teatro Lycio Neves, na segunda (20). Esta última integra a Mostra Erenice Lisboa, com sessões direcionadas para crianças e adolescentes estudantes da rede pública de ensino de Caruaru, seguidas de conversas entre artistas e público.
A Mostra PE, exclusiva para peças pernambucanas, selecionou cinco entre 57 inscritas. Foram escolhidas Itaêotá (do Grupo Totem), Circo Godot (Cia Circo Godot de Teatro), Se eu fosse Malcolm? (Eron Villar e DJ Vibra), Tempo de vagalume (Joesile Cordeiro) e Bolor (Gabi Holanda, Guilherme Allain e Isabela Severi). A curadoria é de Vika Schabbach e Igor Lopes.
Idealizado e realizado pelo grupo Teatro Experimental de Arte (TEA), de Caruaru, o festival chega a sua 34ª edição buscando fortalecer a inserção da região Agreste de Pernambuco no cenário de circulação artística nacional. O diretor geral Fabio Pascoal avalia que “o Feteag convida a ir além de assistir – propõe habitar o teatro como espaço de resistência, partilha e reinvenção do mundo”.
Além das apresentações, o Feteag promove uma série de atividades formativas. Entre elas, a oficina La Cocina Pública, com o Teatro Container (9 a 17 de outubro). Nos dias 18 e 19, Faeina Jorge, Juliana Veras e Monique Cardoso conduzem Vendas e Mordaças – uma vivência para mulheres, enquanto o coreógrafo francês Hubert Peti-Phar ministra, no dia 24, o workshop Corpos e Territórios, inspirado em tradições afro-brasileiras e caribenhas.