
A finasterida é um medicamento amplamente utilizado no tratamento da calvície androgenética (também conhecida como alopecia androgenética) em homens. Ao atuar inibindo a enzima 5-alfa-redutase, ela reduz os níveis de DHT (di-hidrotestosterona), hormônio diretamente ligado à miniaturização dos fios de cabelo. Os resultados, para muitos, são animadores: melhora da densidade capilar e desaceleração da queda.
Porém, ao lado dos benefícios, surgem preocupações frequentes — especialmente em relação à impotência sexual ou disfunção erétil, apontada como possível efeito colateral do uso contínuo da finasterida.
O que dizem os estudos?
Estudos clínicos mostram que uma pequena parcela dos usuários pode, sim, apresentar efeitos colaterais sexuais, como diminuição da libido, dificuldade de ereção ou redução do volume ejaculado. A boa notícia é que, na maioria dos casos, esses sintomas tendem a ser reversíveis com a suspensão do medicamento.
Contudo, há relatos de um quadro chamado síndrome pós-finasterida, em que os sintomas persistem mesmo após a interrupção do uso do medicamento de via oral. Essa condição ainda está sendo estudada, e a relação de causa e efeito não é totalmente compreendida pela ciência — o que gera debates entre especialistas.
Fatores Psicológicos e o “Efeito Nocebo”
Muitas vezes, o medo de desenvolver impotência pode, por si só, desencadear problemas sexuais. Esse fenômeno, conhecido como efeito nocebo (o oposto do placebo), ocorre quando a expectativa de um efeito negativo acaba contribuindo para sua manifestação. Por isso, é fundamental que o paciente converse com um médico para entender os riscos reais e evitar ansiedades desnecessárias.
Vale a pena usar?
A decisão sobre iniciar o uso da finasterida deve ser individualizada, considerando o histórico de saúde do paciente, seu perfil hormonal, idade e expectativas com o tratamento. É fundamental que o uso do medicamento seja sempre feito com acompanhamento médico, especialmente de um endocrinologista e de um especialista em tricologia.
Também é importante lembrar que há outras abordagens complementares no tratamento da calvície, como terapias injetáveis e procedimentos como o microagulhamento (MMP) ou transplante capilar — alternativas que podem ser consideradas conforme o caso. Ressaltando que nas terapias injetáveis pode-se utilizar a finasterida / dutasterida diretamente na região de tratamento, além de outros ativos como o minoxidil e vitaminas. Enquanto a finasterida oral (comprimido) atua em todo o organismo, a técnica injetável ou tópica permite aplicar o princípio ativo diretamente no couro cabeludo, minimizando significativamente o risco de efeitos colaterais sistêmicos associados à versão oral.
Mito ou Verdade:
Conclusão: A finasterida (tanto de uso oral, quanto de uso tópico ou injetável) é um tratamento eficaz para a calvície, os riscos de impotência são baixos e, na maioria dos casos, temporários. O uso tópico e o uso injetável (utilizando métodos como o MMP) são mais seguros, com menor probabilidade de causar esses efeitos colaterais. O diálogo com um médico é essencial para tomar uma decisão informada sobre o uso da finasterida oral, avaliar riscos e benefícios do uso do medicamento e utilizá-lo da forma mais segura em cada caso.
Cuide da sua saúde capilar sem atrapalhar e comprometer seu bem-estar — equilíbrio e informação são as melhores ferramentas para uma escolha consciente.
Fernanda Resende, colunista de saúde estética.
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