Guerra entra no 12º dia: Israel concentra ataques no Líbano e retaliação iraniana foca em alvos econômicos no Golfo

Israel continua lançando ataques aéreos contra o Líbano e emitiu, nesta quarta (11), ordens de deslocamento forçado para pessoas no sul do país. Pelo menos 21 pessoas foram mortas. O Hezbollah afirma ter atacado posições do exército israelense no sul do Líbano, à medida que os combates em terra se intensificam.

Em seu balanço mais recente, o governo libanês informa que 570 pessoas morreram nos bombardeios israelenses desde o início da ofensiva, incluindo 86 crianças.

A guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã entrou em seu 12º dia, com Teerã afirmando que quase 10 mil alvos civis no país foram bombardeados e mais de 1,3 mil pessoas morreram.

Alvos iranianos, incluindo o aeroporto Mehrabad de Teerã, foram bombardeados na noite de terça-feira, enquanto Teerã continuou seus ataques retaliatórios contra Israel e alvos dos EUA na região do Golfo, causando um aumento nos preços globais da energia.

Amir Saeid Iravani, embaixador do Irã na ONU, acusou os EUA e Israel de atacarem deliberadamente infraestruturas civis, incluindo residências e instalações de saúde. Os EUA haviam alertado que a terça-feira (10) seria o dia de ataques mais pesados contra a capital iraniana desde o início dos ataques.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que a chamada “chuva negra” — precipitação contaminada por poluentes — pode representar riscos à saúde após ataques a depósitos de combustível no Irã. A densa fumaça gerada por incêndios em instalações petrolíferas, inclusive na capital Teerã, misturou-se às nuvens carregadas de chuva, resultando em precipitação contaminada por substâncias tóxicas liberadas durante a queima de combustíveis.

Retaliações iranianas

A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) lançou nesta quarta outra onda de ataques, a 37ª desde o início dos combates, disparando mísseis superpesados ​​”Khoramshahr” por mais de três horas. Os ataques tiveram como alvo locais israelenses, incluindo Tel Aviv, Haifa e Jerusalém Ocidental, bem como bases americanas em Erbil, no Iraque, Manama e no Bahrein.

O Irã afirma que bombardeou bases dos EUA no Kwait e os Emirados Árabes Unidos (EAU) dfisseram que suas defesas aéreas estão respondendo a uma nova onda de mísseis e drones iranianos. O país disse ter interceptado 26 drones na terça-feira, embora nove tenham caído em seu território.

Quatro fortes estrondos foram ouvidos no Bahrein após o acionamento das sirenes de emergência, informou a agência de notícias Reuters na quarta-feira.

Também na quarta, o Exército do Irã afirmou que qualquer navio pertencente aos Estados Unidos, Israel ou a seus aliados que atravesse o estratégico Estreito de Ormuz é um alvo “legítimo”.

“Qualquer navio cuja carga de petróleo ou o próprio navio pertença aos Estados Unidos, ao regime sionista ou a seus aliados hostis será considerado um alvo legítimo”, afirmou o comando operacional central do Exército, Khatam Al Anbiya, em um comunicado divulgado pela televisão estatal.

A nota reitera que as Forças Armadas iranianas “não permitirão que nem um único litro de petróleo transite” pelo estreito.

A UK Maritime Trade Operations afirma que pelo menos duas embarcações – um navio graneleiro e um cargueiro – foram atingidas por projéteis desconhecidos: uma perto de Dubai e a outra no Estreito de Ormuz.

Novo líder ferido

O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, está “são e salvo”, apesar de ter sofrido ferimentos na guerra, afirmou o filho do presidente da República Islâmica.

“Ouvi a notícia de que Mojtaba Khamenei foi ferido. Perguntei a amigos que têm contatos e me disseram que, graças a Deus, ele está são e salvo”, escreveu na rede social Telegram Yusef Pezeshkian, filho do presidente Masoud Pezeshkian e conselheiro do governo.

Mojtaba Khamenei, 56 anos, teria ficado ferido durante o ataque que matou seu pai e antecessor, o aiatolá Ali Khamenei, no primeiro dia da ofensiva de Israel e dos Estados Unidos, em 28 de fevereiro, que desencadeou o conflito, mas não foram revelados detalhes sobre a gravidade de seus ferimentos e ele não apareceu em público desde então.

Espanha

A Espanha retirou formalmente seu embaixador de Israel, sinalizando um maior esfriamento das relações diplomáticas entre os dois países.

A decisão foi publicada no Diário Oficial da Espanha na quarta-feira, confirmando uma medida aprovada pelo governo um dia antes. A embaixada espanhola em Tel Aviv agora funcionará sob a responsabilidade de um encarregado de negócios.

Madri já havia retirado seu embaixador em setembro passado, após o aumento das tensões entre os dois governos. A disputa surgiu após críticas do ministro das Relações Exteriores israelense, Saar, a uma série de medidas anunciadas pelo primeiro-ministro espanhol, Sánchez.

Sánchez implementou as medidas após condenar o genocídio em Gaza.

Agressões contra o Irã

Os ataques conjuntos, não provocados e considerados ilegais pelas leis internacionais, dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, iniciados no dia 28 de fevereiro, ocorreram em meio a negociações sobre o programa nuclear iraniano. 

Apesar da disposição anunciada pelo país persa em cooperar com a Agência Internacional de Energia Atômica e se comprometer a usar seu programa nuclear exclusivamente para fins pacíficos, Israel e EUA – ambas potências nucleares – acusam Teerã de secretamente buscar a construção de armas atômicas.

Tel Aviv também acusa o Irã de ser “ameaça existencial” ao país, mas a acusação é rebatida por analistas que argumentam que o governo iraniano se encontra hoje muito enfraquecido pelos ataques de junho de 2025, pelas sanções impostas pelos EUA, protestos internos e o fim do corredor até o Líbano, após a queda de Bashar al-Assad na Síria.

A derrubada do governo em Teerã é objetivo cultivado por Washington e Tel Aviv desde a instalação da República Islâmica, em 1979, que substituiu o regime vassalo do Ocidente e instituiu o governo teocrático nacionalista. Nos primeiros dias de ataques, bombardeios mataram lideranças iranianas, incluindo o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, que governava o país desde 1989.

Terceiro maior produtor de petróleo do mundo, o Irã fechou, após o início das agressões, o Estreito de Ormuz, por onde é escoada a produção de vários países do Golfo. Por lá passa cerca de 20% do petróleo consumido globalmente, o que gera temores de uma crise inflacionária internacional. Outro temor, apontado por analistas, é que o conflito se expanda para outros países da região, com consequências imprevisíveis.

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  • Redação Uberlândia no Foco

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