preço, consumo e como anda

Para entregar a idade, eu estava lá no final de 2013 quando a Honda apresentou as CB500F e CB500X. A ideia era boa: duas motos compartilhando muitos componentes, mas com visual e propostas muito distintas. A dupla passou por algumas mudanças nos últimos 12 anos, principalmente para a aventureira que recebeu roda dianteira maior. Mas é agora, em 2025, que elas passaram por uma mudança mais significativa.

Agora, CB500F passa a se chamar CB500 Hornet, enquanto a CB500X passa a ser conhecida como NX500. Ambas foram apresentadas em maio como linha 2026. A NX pelo menos tem uma base para receber esse nome vinda de modelos como as antigas NX200 e NX350 Sahara. A Hornet, não, e isso está gerando um pouco de polêmica. Mas antes, vamos conhecer as motos antes de tirar conclusões.

Hornet tem até 125 na Índia

A Honda Hornet 600 foi uma febre no Brasil a partir da segunda metade da década de 2000. Foi tema de funk dos mais variados graus de linguagem ofensiva e manchete constante nas listas de motos mais roubadas. Seu quatro-em-linha e peso relativamente baixo entregavam ronco e agilidade que deixavam as rivais para trás e a moto marcou época.

O que a Honda está fazendo agora no Brasil é alinhar a CB500 à nomenclatura global da marca, que usa a designação Hornet para as CB com proposta esportiva e visual moderno. Assim, separa-se das Neo Sport Cafe, representadas por aqui por CB 650R e CB 1000R com visual mais clássico. A estratégia já é tão difundida em outros mercados que a Índia tem até uma curiosa Hornet 125.

No caso da NX500, ex-CB500X, fica mais fácil de entender: na Honda, XL e XR ficam para motos aventureiras “meio a meio”, funcionam no asfalto e fora dele e é usado na XL 300L Tornado. CRF, como a Africa Twin, são motos primariamente pra off-road. Já as NX são aventureiras também, mas pensadas mais para o asfalto do que para a terra.

Hornet e NX500 2026: mudanças, equipamentos e ficha técnica

Dois elementos geram o maior impacto na dupla da Honda. Um deles é o visual. Na Hornet, a moto recebeu novas carenagens, novo farol de LED e uma nova rabeta com lanterna de LED redesenhada. O mesmo foi aplicado à NX500, o que resultou numa moto que parece mais alta e esbelta. A marca ainda retrabalhou as rodas, mais leves agora. Elas continuam de 17″ na traseira para ambas, mas de 19″ na dianteira para NX500 e de 17″ para a Hornet.

A suspensão não mudou, assim como os freios. Apenas o tubo flexível para o freio dianteiro da NX500 é novo. A marca não aplicou alterações físicas no motor e no câmbio. As motos desenvolvem 49,6 cv de potência e 4,5 kgfm de torque, trabalhando em conjunto a um câmbio de 6 marchas com embreagem assistida e deslizante. Houve uma reprogramação da central eletrônica, adoção de um catalisador maior e um novo abafador final com duas saídas como nas motos europeias.



Foto de: Honda

A principal estreia na lista de equipamentos da CB500 Hornet e da NX500 para a linha 2026 é o novo painel de instrumentos digital com tela TFT de 5″. Ele é configurável e controla algumas funções dos assistentes de condução, acionados por um joystick no punho esquerdo, não mais por botões diretamente na tela. Os mais ligados vão perceber que as motos brasileiras não têm conectividade via Bluetooth como as motos vendidas na Europa. Segundo a Honda, o sistema de conexão sem fio ainda está em processo de homologação junto à ANATEL.

Para a lista de itens de série, ainda vale destacar o sistema de controle eletrônico de tração. Os piscas de LED agora passam a ficar ligados 100% do tempo na dianteira, servindo também como luzes de posição. Já na traseira, há LEDs separados para a função de lanterna e para a de luz de freio.

Honda CB500 Hornet 2026: ficha técnica

Honda CB500 Hornet 2026  
Especificação Detalhe
Tipo de motor DOHC, dois cilindros, 4 tempos, refrigeração líquida
Cilindrada 471 cc
Diâmetro x curso 67,0 x 66,8 mm
Potência máxima 49,6 cv a 8.500 rpm
Torque máximo 4,50 kgf.m a 7.000 rpm
Sistema de alimentação Injeção Eletrônica PGM-FI
Relação de compressão 10,7:1
Transmissão 6 velocidades
Sistema de partida Elétrico
Combustível Gasolina
Ignição Eletrônica
Bateria 12V – 7 Ah
Farol LED
Tipo de chassi Diamond Frame
Suspensão dianteira / curso Garfo telescópico / 120 mm
Suspensão traseira / curso Pro-Link / 119 mm
Freio dianteiro / diâmetro A disco duplo / 296 mm
Freio traseiro / diâmetro A disco / 240 mm
Pneu dianteiro 120/70 – 17
Pneu traseiro 160/60 – 17
Comprimento x largura x altura 2.080 x 798 x 1.059 mm
Distância entre eixos 1.409 mm
Distância mínima do solo 144 mm
Altura do assento 789 mm
Capacidade do tanque 17,1 litros
Peso seco 175 kg

Honda NX500 2026: ficha técnica

 
Especificação Detalhe
Tipo de motor

DOHC, dois cilindros, 4 tempos, refrigeração líquida

Cilindrada 471 cc
Diâmetro x curso 67,0 x 66,8 mm
Potência máxima
Torque máximo
Sistema de alimentação

Injeção Eletrônica PGM-FI

Relação de compressão 10,7:1
Transmissão 6 velocidades
Sistema de partida Elétrico
Combustível Gasolina
Ignição Eletrônica
Bateria 12V – 7 Ah
Farol LED
Tipo de chassi Diamond Frame
Suspensão dianteira / curso

Garfo telescópico / 150 mm

Suspensão traseira / curso
Freio dianteiro / diâmetro
Freio traseiro / diâmetro
Pneu dianteiro 110/80 – 17
Pneu traseiro 160/60 – 17
Comprimento x largura x altura
Distância entre eixos 1.443 mm
Distância mínima do solo 181 mm
Altura do assento 834 mm
Capacidade do tanque 17,7 litros
Peso seco 183 kg


Honda CB500 Hornet 2026 (BR)

Foto de: Honda

Hora de andar

O trajeto do teste envolveu um bate-e-volta entre Taubaté (SP) e Paraty (RJ), incluindo passagens por cidades como Lagoinha (SP), Cunha (SP) – na descida – e Ubatuba (SP) na subida. Fiz o primeiro trecho a bordo da NX500 e o segundo com a Hornet.

A aventureira sempre foi uma boa companheira de estrada. Postura ereta, braços relaxados e, mesmo mais alta, ainda consegui colocar os dois pés nos chão com meus 1,72 m, pois que ficassem na ponta apenas. A nova cara da NX500 deu um pouco mais de carisma para a moto, que tinha um visual um tanto genérico. Ficou alta, esbelta.



Foto de: Honda

Os cerca de 170 km foram divertidos. Ciclística e conforto não eram uma questão antes, continuam não sendo agora. O que irritava às vezes é que o motor, compartilhado com esportivas, só crescia mesmo em médias e altas rotações. Com a nova programação da central eletrônica, o bicilíndrico agora já acorda em 2.000 rpm e a NX500 ficou bem mais esperta em baixas rotações, como aquelas saídas chatas de curva fechada em aclive, sem ficar pedindo redução de marcha.

O painel, mesmo sem conectividade, acrescentou alguns elementos que vão ser apreciados no dia-a-dia: ele pode alternar entre o modo claro e escuro automaticamente e, melhor ainda, tem um joystick fácil de usar no punho de comando direito. Você não precisa mais esticar o braço até a tela para acessar o computador de bordo. Porém, como em toda a moto que tem uma bolha, vai passar turbulência para o capacete em troca de parar o ar que iria para o peito do condutor, por mais que a Honda tenha retrabalhado a peça e toda a aerodinâmica da dianteira.

Se na NX500 eu vi uma evolução, a Hornet foi um pouco mais difícil de entender. A esportiva manteve os atributos de tecnologia e entrega do motor da aventureira, mas sua postura é avançada e o banco estreito. É receita para facilitar a vida do condutor, passando de um lado para o outro conforme as curvas chegam, mas não é para te deixar confortável em longas distâncias.

É daí que veio o estranhamento: a CB500 Hornet tem todo o porte e postura de uma esportiva, capaz e responsiva nas curvas, mas seu motor é quieto e dócil. Encaixa melhor na proposta da NX. Mas se você quer uma esportiva média focando mais na agilidade que no desempenho, o bicilíndrico da Hornet não vai interferir na experiência, seja positiva ou negativamente.



Honda CB500 Hornet 2026 (BR)

Foto de: Honda

Tanto em aventureiras quanto em esportivas sem carenagens, o segmento de média cilindrada é bastante competitivo e Honda optou por motos seguras. Troca emoção por comodidade. Então Hornet e NX, cada uma em seu quadrado, podem ser uma opção para quem vai usar a moto de verdade, todos os dias e por longas distâncias.

Mais do que isso, a dupla de 500 da Honda é a primeira no catálogo da marca a contar com o Honda Assistance, sistema de assistência 24 horas com guincho que não só atende todo o Brasil como países como Argentina, Uruguai, Chile, Bolívia e Paraguai. Além disso, a rede da Honda em nosso país é grande, com mais de 1.100 pontos de venda. As motos são capazes e tranquilas, seja para usar de verdade quanto para manter.

Preços

  • Honda CB500 Hornet 2026: R$ 43.040 (sem frete)
  • Honda NX500 2026: R$ 45.800 (sem frete)

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