
A quinta-feira (2) marcou o último dia de João Campos como prefeito do Recife, que é pré-candidato a governador de Pernambuco pelo PSB. E Campos guardou para a despedida a entrega de duas obras relevantes para o município. À tarde, no bairro do Pina, zona sul da cidade, ele entregou a última etapa do parque Eduardo Campos; e à noite, ao lado do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, inaugurou o Hospital da Criança do Recife, no bairro de Areias, zona oeste. Os eventos foram acompanhados pelo senador Humberto Costa (PT) e pelo empresário Carlos Costa (Republicanos), prováveis colegas de Campos na futura chapa majoritária das eleições deste ano.
O Hospital da Criança do Recife (HCR) conta com 60 leitos – sendo 50 de enfermaria e 10 de UTI – e atendimentos pediátricos em 15 subespecialidades, além de um centro TEA para crianças e adolescentes no espectro autista. Com 12 mil metros quadrados, o equipamento conta com um bloco cirúrgico, um centro diagnóstico equipado para 26 tipos de exames e um centro de especialidades odontológicas com sete consultórios. Batizado com o nome do ex-presidente do Imip e ex-secretário de saúde Antônio Carlos Figueira, falecido em 2023, o HCR tem uma escola hospitalar, brinquedoteca e áreas de convivência para pacientes e acompanhantes. O hospital realizará o atendimento secundário, após o paciente receber um encaminhamento médico.


Após o evento, João Campos apresentou sua carta de renúncia ao mandato de prefeito. “O que nós fizemos aqui, vamos fazer por Pernambuco”, discursou o pré-candidato, segurando uma bandeira do estado em mãos e fustigando a governadora Raquel Lyra (PSD), que nos últimos meses passou a carregar a bandeira em roupas, acessórios e nas mãos em todos os eventos que participa no estado. “Esta bandeira não pertence a mim e nem a político nenhum. Esta bandeira pertence ao povo de Pernambuco, aos estudantes da rede pública, aos profissionais do SUS, à juventude e a quem acredita no trabalho”, discursou Campos. O vice Victor Marques (PCdoB), colega de faculdade de Campos no curso de engenharia civil da UFPE, assume a gestão da capital até 2028.
O hospital público recebeu mais de R$ 200 milhões em investimentos, sendo mais de 75% oriundos do Ministério da Saúde. “Este equipamento será referência para Pernambuco e para todo o Brasil, garantindo atendimentos com qualidade e dignidade”, discursou Alexandre Padilha no evento. O ministro também anunciou mais R$ 36 milhões do governo federal para apoiar o funcionamento do hospital e a expansão gradual dos serviços. O ministério também repassou mais duas ambulâncias para o Samu e mais de R$ 7 milhões para substituição e aquisição de novos veículos. O ex-ministro da Saúde e hoje senador Humberto Costa (PT) também participou da cerimônia, assim como a senadora Teresa Leitão (PT).

Levando o nome do seu pai e ex-governador de Pernambuco, o parque no bairro do Pina tem 49 mil metros quadrados e fica no terreno do antigo Aeroclube, na Via Mangue, por trás do shopping RioMar. O novo parque conta com quadra poliesportiva, campo de futebol, pista de skate, circuito de parkour, academia do idoso, pista de caminhada de 2 quilômetros, ciclovia, parque infantil com brinquedos e fontes de água, parque para cachorros e um memorial em homenagem a Eduardo Campos.

O parque ainda carece de áreas de sombra, mas o projeto prevê o plantio de 1.200 árvores. A primeira etapa havia sido entregue em dezembro de 2025. O investimento total foi de R$ 124 milhões e a gestão crê que se tornará um dos principais espaços públicos da cidade. A secretária de projetos especiais da prefeitura, Marília Dantas, considera o parque “um espaço completo, com esporte, lazer, convivência e natureza, pensado para todas as idades”.
O prefeito João Campos considerou, na despedida, que conseguiu “fazer o dever de casa, aquilo que precisava ser feito”. O parque fica em frente ao Centro Comunitário da Paz (Compaz) Lêda Alves, entregue em 2024; e a apenas 200 metros do conjunto habitacional Encanta Moça, entregue em 2023 em parceria com o governo federal, através do programa Minha Casa Minha Vida. No habitacional moram 600 famílias de baixa renda, entre elas as mais de 100 que viviam numa comuniade de palafitas no mesmo bairro e que foi destruída num incêndio em 2022.

