
A Justiça de São Paulo condenou o coach e ex-candidato à prefeitura da capital, Paulo Pablo Marçal (PRTB), a pagar R$ 100 mil de indenização ao deputado federal Guilherme Boulos (Psol) por espalhar informações falsas. A defesa de Marçal pode apresentar recurso.
Durante a campanha eleitoral para a prefeitura do município em 2024, Marçal associou a imagem de Boulos ao uso de cocaína, com gestos insinuando o consumo da droga. O coach chegou a usar palavras como “aspirador de pó” e “cheirador” e apresentou um laudo médico falso que, segundo ele, atestava o uso de drogas por parte do adversário político.
O laudo forjado, publicado no Instagram de Marçal, era assinado por José Roberto de Souza. De acordo com o site do Conselho Federal de Medicina (CFM), o médico já havia falecido e não era especialista em psiquiatria. A filha dele, Aline Garcia Souza, declarou que a assinatura atribuída a seu pai era falsa.
Na sentença, proferida na quinta-feira (29), o juiz Danilo Fadel de Castro, da 10ª Vara Cível, argumenta que, ao divulgar um documento falso com conteúdo grave, Pablo Marçal não exerceu liberdade de expressão ou crítica política, mas praticou um ato ilícito com intenção de prejudicar a reputação do oponente por meio de fraude.
“A conduta do requerido desbordou de qualquer limite ético ou jurídico tolerável no debate democrático”, conclui o magistrado.
Em dezembro de 2025, por 4 votos a 3, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) manteve a inelegibilidade do coach por oito anos, ou seja, até 2032. A condenação se deve ao uso indevido dos meios de comunicação.
Durante sua campanha, Pablo Marçal promoveu um “concurso de cortes”, o qual, segundo a denúncia, era uma estratégia de “cooptação de colaboradores para disseminação de conteúdos de Marçal nas redes sociais”. O coach anunciava a remuneração dos participantes, além de oferta de brindes, e exigia o uso da #PrefeitoMarçal.
O “concurso de cortes” gerou três ações contra o coach, movidas pelo PSB (Partido Socialista Brasileiro), pelo MPE (Ministério Público Eleitoral) e pela vereadora da capital paulista Silvia da Bancada Feminista (Psol). Na época, o PSB tinha a deputada federal Tabata Amaral como candidata à Prefeitura de São Paulo.