
A maioria dos jovens brasileiros continua acreditando que o futuro será melhor, mesmo diante da insatisfação com a situação econômica e da precarização do trabalho. É o que aponta a pesquisa Juventudes: Um Desafio Pendente, realizada pela Fundação Friedrich Ebert Brasil (FES Brasil) com mais de 2 mil pessoas entre 15 e 35 anos. O estudo integra um levantamento regional feito em 14 países da América Latina e Caribe.
Segundo Willian Habermann, diretor de projetos da FES Brasil e um dos responsáveis pelo estudo, a pesquisa mostra “uma juventude que tem uma perspectiva de futuro muito positiva: 88% desses jovens acreditam que o seu futuro vai ser melhor”. Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, ele explica que, embora haja satisfação em aspectos da vida privada, como relações familiares e amizades, a insatisfação é maior “no que tange ao público, em especial à economia e à situação geral do país”.
Habermann destaca que os dados refletem também um contexto político recente de retrocessos. “A qualidade do trabalho não é a mesma do que se via alguns anos atrás, muito ligado aos grandes desmontes que tivemos a partir de 2016 no que tange ao trabalho e à política educacional”, analisa. Segundo ele, embora metade dos jovens tenha um emprego estável, o acesso é desigual: “as classes mais altas têm mais trabalho estável do que as classes mais baixas, e isso também se observa em relação à população negra”.
Outro ponto é o papel das redes sociais como principal fonte de informação. “A juventude usa as plataformas digitais e as redes para tentar se mobilizar de alguma forma, mas essa atuação é muito mais passiva do que ativa”, observa Habermann. Apesar disso, os jovens estão atentos ao que está acontecendo. “A pesquisa traz que 93% dos jovens brasileiros consomem notícias diariamente, e a grande maioria consome conteúdos políticos via redes sociais”, cita.
Para o diretor da FES, esse dado revela uma geração crítica, que não se afasta da política, mas a vivencia de modo diferente. “Essa juventude está acompanhando a política, ainda que não entenda isso necessariamente como política. São jovens que estão procurando informações políticas para poder pensar o seu futuro”, avalia.
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