
Caldas Novas (GO) – Encerra-se com dor e indignação um dos casos de maior repercussão nas últimas semanas no interior de Goiás: o desaparecimento da corretora de imóveis Daiane Alves de Souza, 43 anos, natural de Uberlândia (MG), culminou na localização do corpo da vítima e na prisão de suspeitos pelo crime após mais de 40 dias de investigação policial.
Daiane foi vista pela última vez na noite de 17 de dezembro de 2025, no condomínio Amethist Tower, onde residia em Caldas Novas. Câmeras de segurança registraram a corretora saindo de seu apartamento para descer ao subsolo do prédio, aparentemente para verificar um problema no fornecimento de energia elétrica, situação que já havia ocorrido anteriormente no local. Após esse registro, não houve mais imagens ou contato dela.
A família, preocupada, registrou boletim de ocorrência e iniciou buscas por conta própria, espalhando alertas sobre o desaparecimento. A partir de janeiro de 2026, o caso passou a ser tratado como possível homicídio pela Polícia Civil de Goiás, motivando a formação de uma força-tarefa específica.
Na madrugada da quarta-feira, 28 de janeiro de 2026, equipes policiais localizaram o corpo de Daiane em uma área de mata distante cerca de 15 quilômetros da zona urbana de Caldas Novas, às margens da rodovia GO-213. O cadáver foi encontrado em avançado estado de decomposição.
Os trabalhos de campo envolveram o emprego de um helicóptero da corporação para sobrevoo e varredura da região, além de grupos especializados como o Grupo de Investigação de Homicídios (GIH), o Grupo de Investigação de Desaparecidos (GID) e a Delegacia Estadual de Investigações de Homicídios (DIH).
A Polícia Civil informou que dois homens foram presos sob suspeita de envolvimento no crime: Cleber Rosa de Oliveira, síndico do condomínio onde Daiane morava, e seu filho, Maykon Douglas de Oliveira. Ambos foram detidos ainda em Caldas Novas.
Segundo o delegado responsável, o síndico confessou o homicídio e colaborou com as autoridades indicando a área onde o corpo havia sido ocultado. O motivo investigado estaria relacionado a desavenças comerciais e conflitos administrativos entre Daiane e o síndico, que administrava o condomínio e, segundo relatos, teria tensões recorrentes com a corretora por questões de gestão e direitos de administração de unidades.
O filho do suspeito foi detido sob investigação de obstrução de justiça, por supostamente ter auxiliado na manipulação de informações após o crime. A polícia permanece com as diligências em andamento para esclarecer a dinâmica completa dos fatos e confirmar o papel de cada um na morte da vítima.
Fontes policiais e documentos judiciais indicam que o relacionamento entre Daiane e o síndico era conturbado há meses antes do desaparecimento, com registros de conflitos administrativos envolvendo a gestão de imóveis no condomínio. Alguns relatos mencionam ações judiciais e reclamações formais que marcaram a relação entre os dois, gerando um ambiente tenso antes dos acontecimentos trágicos.
A morte de Daiane Alves de Souza provocou comoção entre familiares, amigos e clientes em Uberlândia e região. O corpo da corretora está previsto para ser velado e sepultado na cidade natal dela, no Triângulo Mineiro, em local ainda a ser oficialmente divulgado pelos parentes.
Em nota, pessoas próximas destacaram o choque com a forma como a vida de Daiane foi interrompida e reforçaram a importância de uma investigação rigorosa que responsabilize todos os envolvidos, em respeito à memória da profissional e ao sofrimento da família.