
“A esquerda tem que conversar com toda a sociedade, inclusive os evangélicos e os militares“, afirma Robinson Farinazzo. O fuzileiro naval da reserva da marina e analista militar foi o entrevistado do BdF Entrevista desta sexta-feira (20).
“Caso contrário vem a eleição, você diz que o eleitor é reacionário. Mas você falou para esse cara? Você explicou o que são os Estados Unidos? Você explicou qual é o interesse?”, exemplifica o ex-militar que tem o canal A Arte da Guerra, com meio milhão de inscritos no YouTube.
Farinazzo diz que a boa parte do militar brasileiro não sabe o que é imperialismo. “Vamos pegar 1964. Todos os militares eram a favor do golpe? Não. A esmagadora maioria é amorfa em tudo quanto é segmento da sociedade, é neutra. É com essas pessoas que a esquerda precisa conversar.”
“Você explicou os massacres de My Lai (Vietnã), de Haditha (Iraque), de No Gun Ri (Coreia do Sul)? Mostrou o que essa gente faz? Porque, se não explicar, só falar para convertido, não vai adiantar nada. Uma boa parte da sociedade amorfa está ali, só querendo viver o dia a dia dele ali. E na hora ela vai votar naquelas coisas que a gente cansa de ver”
O analista dá exemplos de ações que poderiam ser feitas: “Convide para simpósios, discussões, escute o que eles têm a dizer. Agora, a imprensa e a mídia em geral está descobrindo a força dos podcasts. Mas a maioria dos podcasts brasileiros são feitos na Faria Lima, há muito tempo e a força desses debates só está sendo percebida agora pela esquerda.”
Sobre a capacidade das nossas Forças Armadas, Farinazzo cita exemplos de temas que deveriam ser debatidos pela sociedade, aspectos que precisaríamos melhorar para nos adaptarmos às realidades dos combates atuais.
“O Brasil não tem capacidade satelital nenhuma, zero. Se tiver uma guerra no dia de amanhã e o americano cortar o sinal de GPS, você não sabe nem para onde está indo. É uma verdade.”, diz ele.
“Precisamos de mísseis de longo alcance, um programa de drones, enxames de drones. Necessitamos de comunicações encriptadas, temos que ter nosso próprio software, hardwares de comunicação. Se não, acontece o mesmo que com as lideranças do Hezbollah e do Irã, que são assassinadas a toda hora por Israel. Eles infiltram os sistemas.”
“Nós usamos sistemas de inteligência artificial estrangeiros. Isso é uma vulnerabilidade tremenda para as forças armadas, precisamos de um próprio”, conclui.
O ex-fuzileiro naval diz que “precisamos de um projeto para unir o país”. “Um projeto comum que agregue a todos, Tenho uma visão progressista, pró-sociedade, principalmente pró o andar de baixo, que nunca é olhado, que é escorchado por banqueiro.”
“Mas só vamos conseguir isso com união grande, chamando as pessoas para conversar. O Brasil precisa descobrir o Brasil”, finaliza.