
Em ato político que celebrou os 46 anos do Partido dos Trabalhadores (PT), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou os desafios do processo eleitoral deste ano e convocou a militância a fazer a disputa de narrativas contra a extrema direita. O discurso foi realizado na manhã deste sábado (7) no Trapiche Barnabé, no bairro do Comércio, em Salvador (BA), ao lado de ministros de Estado, parlamentares e dirigentes de todo país.
“Essa luta é se a gente vai permitir que esse país continue sendo democrático ou se vai ser um país fascista, como eles queriam construir. O que está em jogo é a democracia desse país”, apontou o presidente. “Nós precisamos ganhar as eleições para consolidar nesse país a democracia, a liberdade de expressão, para melhorar a vida do povo trabalhador.”
Lula também ressaltou a defesa da soberania do Brasil e da América Latina como um dos pontos centrais da narrativa política que deve conduzir o partido e a base aliada nestas eleições.
“O nosso país é soberano. A gente quer trabalhar com todo mundo, mas a gente não quer voltar a ser colonizado. O nosso país é solidário ao povo cubano, que é vítima de um massacre de especulação dos Estados Unidos contra eles. Nós temos que dizer em alto e bom som que o problema da Venezuela tem que ser resolvido pelo povo da Venezuela e não pelos Estados Unidos ou pelo Trump”, destacou.
Ao resgatar sua trajetória sindical e construção do PT nas últimas quatro décadas, Lula afirma viver hoje, aos 80 anos, “na sua melhor passagem pelo planeta Terra”. No entanto, o dirigente também teceu duras críticas ao atual momento da política brasileira. O orçamento secreto, descrito por Lula como o “sequestro do orçamento do Executivo”, foi apontado como um dos exemplos da deterioração da política nacional.
“O orçamento secreto foi o sequestro do orçamento do Executivo para que deputados e senadores tivessem liberdade de usar a mesma quantidade de dinheiro que sobra para o governo federal. Pra mim isso não é normal. Acho grave que o PT votou favorável”, criticou.
À militância do PT, o presidente cobrou o compromisso com os valores que levaram à fundação do partido, o diálogo com as periferias e a defesa dos interesses dos trabalhadores.
“Vocês têm a obrigação moral de não deixar esse partido ser um que vai para a vala comum da política deste país”, destacou.
Edinho Silva, presidente nacional do PT, também ressaltou a necessidade de formação política da militância e a capacidade do partido de construir alianças com a sociedade.
“O PT não pode ser um partido que defende privilégios. Somos um instrumento para a ascensão social do povo brasileiro. Para vencer as eleições, precisamos de um partido forte, sem projetos individuais, comprometido com um projeto coletivo de transformação da vida do povo brasileiro”, defendeu.
O ato político finalizou o encontro de celebração dos 46 anos do PT, que teve início na última quinta-feira (5). Ao longo de três dias, militantes e dirigentes do partido se reuniram para discutir a conjuntura política, estratégias eleitorais e o futuro do projeto de governo.
A programação contou com debates sobre temas como “Paz, Integração e Soberania: um olhar sobre a América Latina”, “Comunicação, Democracia e Soberania”, “Justiça Climática, Democracia e Desenvolvimento” e “Cultura, mobilização social e economia criativa”. Além de lideranças do governo, os painéis também trouxeram a contribuição de representantes de organizações e movimentos populares, como João Paulo Rodrigues, direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST); Bianca Borges, presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE); e Sérgio Nobre, presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT).