

O mercado físico do boi gordo apresentou preços sustentados e em alta ao longo da semana em grande parte do Brasil, reflexo direto da restrição de oferta. De acordo com o analista Fernando Iglesias, da Safras & Mercado, as escalas de abate permanecem encurtadas na maioria das regiões, mantendo o ambiente favorável para a valorização da arroba.
Diante da menor disponibilidade de animais para abate, frigoríficos já avaliam estratégias para ajustar suas operações, incluindo o aumento da ociosidade ao longo de abril e a possibilidade de concessão de férias coletivas. O movimento reflete a dificuldade de originar boiadas em volume suficiente.
No mercado internacional, o ritmo das exportações segue acelerado, com a China absorvendo grandes volumes de carne bovina brasileira neste primeiro quadrimestre. Segundo estimativas, a cota de embarques pode se esgotar entre maio e meados de junho. Esse cenário traz incertezas para o terceiro trimestre, quando há maior oferta de animais confinados, podendo impactar o fluxo exportador. Algumas entidades, inclusive, apontam para um esgotamento ainda mais precoce, já no início de maio.
Os preços da arroba do boi gordo, na modalidade a prazo, registraram avanços consistentes nas principais praças pecuárias até 9 de abril.
No mercado atacadista, os preços da carne bovina permaneceram firmes ao longo da semana, com expectativa de novos reajustes no curto prazo. A entrada dos salários na economia tende a impulsionar a reposição entre atacado e varejo, favorecendo a sustentação dos preços.
Por outro lado, um fator limitante para altas mais expressivas segue sendo o comportamento das proteínas concorrentes, especialmente a carne de frango, que continua com preços mais baixos, aumentando a competitividade frente à carne bovina.
Entre os cortes, o quarto dianteiro foi precificado a R$ 22,50 por quilo, representando alta de 2,27% em relação à semana anterior. Já os cortes do traseiro bovino foram cotados a R$ 27,50 por quilo, mantendo estabilidade no período.
No comércio exterior, o desempenho segue robusto. Em março, as exportações brasileiras de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada geraram receita de US$ 1,360 bilhão, considerando 22 dias úteis, com média diária de US$ 61,835 milhões. O volume total exportado atingiu 233,951 mil toneladas, com média diária de 10,634 mil toneladas. O preço médio da tonelada foi de US$ 5.814,80.
Na comparação com março de 2025, houve crescimento expressivo, com alta de 29% no valor médio diário exportado, avanço de 8,7% no volume médio diário e ganho de 18,7% no preço médio. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior, reforçando o bom momento das exportações brasileiras de carne bovina.
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