
Apesar de nunca ter vendido seus carros oficialmente no país, a Opel tem muito espaço no coração do brasileiro. Afinal, era a marca responsável por alguns dos Chevrolet mais queridos vendidos por aqui, como Opala, Monza, Vectra e Corsa, só para citar alguns. Desde meados da década passada, no entanto, foi vendida e hoje é parte da Stellantis, dona de Fiat e Jeep.
E, sendo parte de um conglomerado tão grande de marcas, é natural que seus próximos modelos acabem usando o que está disponível na prateleira. Segundo a agência de notícias Reuters, a Opel estaria em negociações avançadas para desenvolver um SUV elétrico com o know-how da chinesa Leapmotor, já a partir de 2028.
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Fonte: Opel
A informação, se confirmada, representaria bem mais do que a simples chegada de um novo modelo. Hoje, os produtos da marca utilizam base comum à linha Citroën, Fiat e Jeep, no caso, a CMP e a STLA Medium. Com o desenvolvimento chinês, a marca conseguiria diminuir seus custos e o tempo de produção de modelos novos, algo que poucas ocidentais têm conseguido.
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Fonte: Motor1 Brasil
Esse novo SUV, caso realmente saia do papel, usará a mesma base Leap 3.5 presente hoje no SUV médio B10. Com porte levemente maior que um Compass, ela já nasceu para ser elétrica, ainda que deva ganhar em breve uma versão com extensor de autonomia, tal qual no C10.
Nele, o conjunto mecânico é composto por um motor elétrico traseiro de 218 cv, associado a uma bateria de 56,2 kWh, suficiente para oferecer uma autonomia estimada em até 288 km, considerando o padrão de medição divulgado para o mercado brasileiro, o PBEV.
Foto de: Leapmotor
Mas como funcionaria? A Leapmotor entraria com a base e a mecânica, enquanto a europeia usaria o desenvolvimento para fazer uma carroceria com visual próprio, sem ser apenas uma troca de emblemas. Isso já acontece, por exemplo, com o Opel Corsa atual e os outros compactos da Stellantis, caso de Peugeot 208, Citroën C3 e Fiat Grande Panda.
Em outras palavras, uma base técnica chinesa adaptada às necessidades de uma marca europeia tradicional, com opções de powertrain tanto 100% elétricas quanto de autonomia estendida. Uma estratégia que permitiria à Stellantis reduzir drasticamente o tempo de desenvolvimento em relação a uma plataforma criada internamente, ao mesmo tempo em que diminui os custos industriais.
Foto de: Leapmotor
A planta espanhola vem, de fato, se tornando um dos polos mais importantes da cooperação entre Stellantis e Leapmotor, especialmente sob a ótica de racionalização produtiva. A vantagem é dupla. De um lado, aumentar a taxa de utilização das linhas europeias e de outro, conter o avanço de concorrentes europeus e de outras marcas chinesas no segmento de SUVs elétricos.
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Fonte: Motor1.com
A parte mais interessante, porém, é o que pode vir depois. A Reuters afirma que a Stellantis teria iniciado conversas preliminares para outros modelos desenvolvidos sobre a mesma base técnica, incluindo um possível Alfa Romeo elétrico, também para ser montado na Espanha.
Se a plataforma da Leapmotor passar a ser uma arquitetura compartilhada por várias marcas do grupo, abre-se uma nova fase na estratégia multimarcas da Stellantis, com impactos importantes em custos, margens e rapidez de lançamento.
Para a Opel, pode ser a chave para se fortalecer no segmento de SUVs elétricos do porte médio. Para a Stellantis, será um teste importante para medir até que ponto o compartilhamento de tecnologias pode dar certo. De qualquer forma, saberemos mais em 21 de maio de 2026, quando a Stellantis apresentará seu novo plano industrial.
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