Lançada em março de 2020, a atual geração do Tracker enfim deu ao modelo oportunidade de brigar com os principais SUVs da categoria de compactos. Até então importado do México em lotes limitados, o SUV passou a dividir as linhas de produção da General Motors no país com a família Onix, também renovada na mesma época.
Contudo, o tempo passou, e o modelo passou um tempo considerável sem receber grandes novidades, o que afastou parte do público. Algumas polêmicas, como a correia banhada a óleo presente em suas duas motorizações, a 1.0 e 1.2 turbo da família CSS Prime, também atrapalharam suas vendas.
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Fonte: Motor1 Brasil
A resposta da Chevrolet veio durante a celebração do centenário de atuação da General Motors, no ano passado, e enfim trouxe ao SUV frescor de novidade ao introduzir uma nova dianteira, agora alinhada aos carros mais caros da marca, como o Blazer e o Equinox EV, além de interior levemente mais tecnológico, passando a contar com a tela do painel de instrumentos e o multimídia já vistos na minivan Spin e na picape S10.
Neste ”Por Dentro”, mostraremos mais detalhes da versão de topo, a Premier (R$ 177.990) – que, não por acaso, foi a que recebeu mais novidades em sua linha 2026 – e que já esteve durante uma semana em testes na redação do Motor1.com Brasil.
Após quase cinco anos de mercado, o Tracker carecia – bastante – de novidades. O SUV era um dos últimos de sua categoria a ainda contar com painel de instrumentos analógico, além de multimídia mais antigo, e também já estava ultrapassado quando comparado à linguagem dos Chevrolet oferecidos em outros mercados.
As atualizações não foram disruptivas, mantendo boa parte do cockpit e dos forros de porta já conhecidos desde 2020, mas agora há novo painel de instrumentos digital com tela de 8″ e a nova central multimídia MyLink com tela de 11″, de série desde a versão LT.
Ambas as telas possuem boa visualização e estão em boa posição, mas há um porém. O problema? Assim como em outros carros com essas telas, para ver o consumo, por exemplo, o motorista precisa se aventurar por uma das várias subtelas do multimídia. A tela do painel de instrumentos não possui comandos externos, complicando algo que deveria – e antes era – simples.
Entre os equipamentos que a marca destacou no lançamento estão mais funcionalidades de conectividade, como acompanhamento seguro e o myChevrolet app com recursos extras, todos novos recursos do sistema de concierge OnStar. Vale pontuar ainda que todas as configurações do Tracker 2026 já saem de fábrica com seis airbags, faróis de LED com acendimento automático, Wi-Fi nativo e sensores de estacionamento traseiros.
Painel da versão1.0 Turbo AT é mais simples e não traz tela digital para os instrumentos
Foto de: Redação Motor1 Brasil
A versão de entrada, chamada apenas de Turbo AT (R$ 119.990) e com foco no público de vendas diretas, permanece com a instrumentação analógica, mas com a nova multimídia em posição destacada, mantendo o layout que sua prima, a Montana, estreou com a chegada da geração atual, em 2023.
Um ponto positivo do Tracker é a manutenção dos botões físicos para a maioria das funções. Ao contrário de projetos mais recentes, que têm focado funções como o controle do ar-condicionado na central multimídia, no Tracker os comandos estão todos presentes. Na parte inferior, já próximo do console, o SUV traz ainda carregamento por indução, além de tomada 12v e duas saídas para carga, uma do tipo tradicional e uma do tipo C.
Os materiais da versão Premier – quase totalmente em plástico duro – possuem bons encaixes, e não há rebarbas aparentes. Nesta configuração, em especial, há agora uma porção em material macio ao toque no centro do cockpit, sempre em tom mais claro.
O acabamento mais claro continua também na parte acolchoada dos forros de porta, que ocupa uma boa porção da portas dianteiras. As traseiras, por outro lado, são totalmente em plástico duro, tendo apenas maçanetas cromadas.
Se a comodidade dos botões, fruto do projeto mais antigo, ainda agradam, não podemos dizer o mesmo do espaço interno. Curiosamente, o entre-eixos é menor do que o do Onix Plus, com 2.570 mm contra 2.600 mm do sedã.
Comparado com os concorrentes, o Tracker só não perde para o Fiat Fastback, também fruto de um projeto mais antigo, e que possui apenas 2.533 mm. Com 1.791 mm de largura e 1.626 mm de altura, o Tracker é confortável até quatro passageiros adultos, e só. O trunfo está no porta-malas, de reais 393 litros, quadrado e fácil de usar. Se você tiver uma família com crianças, o SUV da Chevrolet comporta numa boa.
| Medidas | Tracker 2026 |
| Comprimento | 4.304 mm |
| Largura | 1.791mm |
| Altura | 1.626 mm |
| Entre-eixos | 2.570 mm |
| Porta-malas | 393 L (VDA) |
Também não há, em nenhuma versão, saída de ar para os ocupantes traseiros. Em compensação, há duas saídas USB e uma tomada 12v no console central. Há, também alças de segurança para todos os passageiros.
A versão Premier, pelo menos, traz o bom teto solar panorâmico com abertura elétrica e com folha que vai até a parte traseira, e ajuda muito na luminosidade interna. Os comandos ficam junto do sistema OnStar e das luzes de cortesia dianteiras. Por falar nas luzes, todas são halógenas, desde as luzes de teto até a presente no porta-malas, e não há iluminação nos para-sois.
Por fim, o porta-malas, apesar de não ser dos maiores da categoria, acomoda bem malas e outros pertencentes, fruto de seu bom volume interno, sem muito espaço ”perdido” pelo desenho das caixas de rodas. O acesso da tampa também é bem largo, permitindo que objetos grandes possam ser colocados sem grandes dificuldades.
Ainda assim, a mala do Tracker é hoje uma das menores de sua faixa de preço, bem atrás de modelos como os também veteranos Renault Duster, com 475 litros e o Fiat Fastback, com 516 litros, mas próximo ao do líder, o VW T-Cross, que pode ir de 373 litros com o encosto traseiro em posição normal até 420 de usar um mecanismo que deixa o encosto mais reto, prejudicando o conforto, mas dando mais espaço para bagagens.