
Quando se fala em agronegócio, é impossível não lembrar dos riscos naturais que o campo oferece.
Um deles – silencioso e traiçoeiro – é o encontro com cobras peçonhentas, normalmente em regiões de mata, pastagens e áreas irrigadas. O susto é grande, mas a incerteza que muitos produtores e trabalhadores rurais têm é ainda maior: posso comprar e armazenar soro antiofídico na minha propriedade rural?
A resposta, surpreendentemente para muitos, é não. Mesmo com a melhor das intenções, a compra e o armazenamento do soro antiofídico (utilizado para tratar picadas de jararaca, cascavel, surucucu, coral, entre outras) são restritos por lei no Brasil. Esses soros são considerados medicamentos estratégicos e de uso hospitalar, controlados pelo Ministério da Saúde.
Por que não posso comprar o soro como um remédio comum?
O motivo é claro: o soro antiofídico exige condições rígidas de armazenamento e administração. Ele deve ser mantido em temperatura específica, em refrigeradores apropriados (geralmente entre 2°C e 8°C), e sua aplicação precisa ser feita por profissionais capacitados, pois há riscos de reações adversas graves, como choque anafilático.
Além disso, o soro é um produto público. Ele é produzido por institutos oficiais, como o Instituto Butantan e a Fundação Ezequiel Dias, e distribuído exclusivamente para unidades de saúde da rede pública, como hospitais e postos de pronto-atendimento.
O que o produtor rural pode fazer, então?
A melhor forma de se proteger é a prevenção e a informação:
– Treine os trabalhadores rurais para evitar o risco de picadas – uso de botas, luvas, atenção redobrada em áreas de risco;
– Saiba qual unidade de saúde da sua região possui o soro disponível – muitos hospitais regionais e prontos-socorros têm estoques;
– Tenha um plano de emergência: transporte rápido para o hospital, contatos prontos, e kits de primeiros socorros com materiais básicos (mas sem soro!);
– Mantenha informação com a Secretaria Municipal de Saúde: algumas regiões têm protocolos especiais de atendimento rural.
Curiosidade: você sabia?
Minas Gerais é um dos estados com maior número de acidentes ofídicos no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. Apesar disso, o índice de mortalidade é baixo graças à rede estruturada de atendimento e à eficiência do soro. Mas o tempo é fator decisivo: quanto mais rápida a aplicação após o acidente, maior a chance de recuperação sem sequelas.
Conclusão
O soro antiofídico é vital, mas seu uso requer responsabilidade e preparo técnico. A solução não está em manter estoques improvisados nas fazendas, e sim em fortalecer o elo entre o campo e a saúde pública. A informação é, como sempre, a melhor defesa.
Até a próxima curiosidade no Uberlândia em Foco, onde o agro e o saber caminham juntos!
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Iosef
Parabéns pela escolha do tema! Informação assim salva vidas e valoriza ainda mais quem vive do agro.
Warley Luís Pereira da Silva
Muito bacana ver esse tipo de conteúdo circulando!