
A primeira consulta popular das comunas venezuelanas de 2026 teve “participação histórica”, no domingo (8), segundo a presidenta interina do país, Delcy Rodriguéz. A votação, que ocorreu em mais de 10 mil seções eleitorais pelo país, foi a primeira após o sequestro do presidente, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, pelos Estados Unidos em janeiro.
Rodríguez classificou a Consulta Popular como “muito especial” por coincidir com o Dia Internacional da Mulher. A presidenta enfatizou que os cidadãos escolheram projetos focados em uma cidade humana e uma economia produtiva e que a participação superou as expectativas.
O modelo é o mesmo das outras consultas. Cada comuna define 7 projetos que serão votados. O que receber mais votos receberá US$ 10 mil para ser executado pelo governo. Mais de 36 mil projetos, distribuídos por 5.336 circuitos comunitários, aguardavam o veredito.
Cada um deles havia passado previamente pela assembleia comunitária, um debate onde, em cada bairro, prédio ou povoado rural, as comunidades identificaram suas necessidades urgentes e as defenderam. Infraestrutura, saúde, serviços, produção, meio ambiente: uma agenda colocada em votação.
As comunas são uma concepção própria do Estado venezuelano idealizado pelo ex-presidente Hugo Chávez. O objetivo é que a gestão do Estado seja de baixo para cima, e que a decisão dos conselhos comunais tivesse peso na decisão coletiva.
Os projetos votados são escolhidos a partir de um debate dentro dos conselhos comunais. Por meio de assembleias, os moradores são ouvidos e argumentam quais são, segundo a sua percepção, as principais demandas. A partir daí, os grupos escolhem os projetos mais urgentes e eliminam os menos necessários para aquele momento.
Diferentemente do pleito tradicional para eleições diretas, pessoas com mais de 15 anos podem participar da consulta popular. Seja para compra de ambulâncias, manutenção no abastecimento de água potável ou construção de rede de wi-fi pública, os venezuelanos escolherão os projetos em um processo que consideram ser a representação mais profunda da democracia participativa.
A presidenta em exercício parabenizou todos os venezuelanos que participaram do evento, bem como o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) pela ampliação do número de locais de votação e o Plano República pela sua implementação.
“Acredito profundamente nesta Venezuela, uma Venezuela que se redescobre como comunidade, que constrói seu bem-estar coletivamente. Viva a Venezuela, e que continuemos participando da vida política, da vida nacional, unidos. Esse é o caminho da nossa pátria”, declarou Delcy Rodríguez.
Ela anunciou a destinação de US$ 70 milhões (mais de R$ 370 milhões) em empréstimos, por meio do Banco da Venezuela, para mulheres empreendedoras. Em suas redes sociais, Rodríguez expressou seu orgulho pelo progresso contínuo das mulheres por meio do trabalho árduo e da perseverança, enfatizando que a construção de uma Venezuela próspera é impulsionada por seus próprios esforços.
“Enche-me de orgulho ver como as mulheres estão avançando por meio do trabalho árduo e da perseverança”, afirmou. Ela também reafirmou que a construção de uma Venezuela próspera é impulsionada por seus próprios esforços, vinculando o sucesso da consulta ao empoderamento econômico das mulheres venezuelanas.
Mesmo detido ilegalmente, Maduro enviou uma mensagem ao povo da Venezuela neste Dia Internacional de Luta das Mulheres, destacando a ação das venezuelanas na construção das comunas populares do país. Em 5 de janeiro, ele e a esposa passaram por uma primeira audiência no Tribunal Federal de Nova York e a segunda está marcada para o próximo dia 26. Leia abaixo a mensagem na integra:
Presidente Nicolás Maduro Moros
Cidade de Nova York
Hoje, 8 de março, Dia da Mulher, nos apresentamos diante de Deus e de Bolívar, junto às queridas comunas da Venezuela, para pedir ao Senhor que nos acompanhe nesta jornada de construção do Poder Popular, feita pelas mãos valentes de nossas mulheres e homens do povo.
Levantemos esta consigna que nos guia como ideia central: “A fé que move montanhas e a ação que constrói o novo, em Cristo e Bolívar.”
Jesus nos ensinou: “Se tiverem fé e não duvidarem, poderão até dizer a esta montanha: saia daí e lance-se ao mar, e assim será” (Mateus 21:21). Dá-nos essa fé sincera e popular para mover as montanhas de dificuldades que às vezes nos impedem de avançar e transformá-las em caminho livre para a nossa pátria.
E Bolívar, em Angostura, mostrou-nos o caminho da ação: pediu um governo popular, justo e moral, que acabe com a opressão e traga a paz. Hoje o próprio Bolívar nos convida a votar e a construir, a partir da comuna, um governo onde reinem a igualdade e a liberdade.
Que esta jornada, abençoada por Deus, seja demonstração da nossa fé firme e da nossa luta cotidiana. Unidos em Cristo, Bolívar e Chávez, faremos da Venezuela um lar de amor, justiça e poder popular.
Amém.