
Desde a invasão dos Estados Unidos à Venezuela, no último sábado (3), Cilia Flores, presa pelas forças estadunidenses, tem sido retratada na imprensa e nas redes sociais quase sempre associada ao título de primeira-dama, por ser casada com o presidente venezuelano sequestrado, Nicolás Maduro. No entanto, sua trajetória política antecede em décadas essa posição institucional e está diretamente ligada ao chavismo no país.
Para compreender quem é Cilia Flores e por que sua atuação vai muito além do título institucional, o BdF Explica apresenta, no vídeo abaixo, os principais marcos de sua trajetória política e militante.
Nascida em 1956, na cidade de Tinaquillo, na região central da Venezuela, Flores é formada em direito pela Universidade Santa Maria. Sua atuação política ganhou projeção nacional no início dos anos 1990, quando passou a integrar o círculo jurídico e militante que orbitava o líder da Revolução Bolivariana e ex-presidente da Venezuela, Hugo Chávez, após o levante militar de 1992 contra o governo de Carlos Andrés Pérez.
À época, Pérez aprofundava políticas neoliberais e acordos com o Fundo Monetário Internacional (FMI), acompanhados de cortes sociais que provocaram forte reação popular. Flores liderou a equipe de assistência jurídica de Chávez durante o período de prisão e teve papel relevante no processo que resultou em sua libertação, em 1994, e na construção de sua candidatura presidencial.
Com a vitória de Chávez nas eleições de 1998, Flores consolidou se como uma das figuras centrais do movimento bolivariano. Em 2000, foi eleita deputada da Assembleia Nacional e, dois anos depois, teve atuação destacada durante a tentativa de golpe que afastou Chávez do poder por cerca de 48 horas, mobilizando esforços políticos e jurídicos para sua restituição.
Nesse período, integrou o Comando Tático para a Revolução e presidiu o Comando Político da Revolução Bolivariana, espaços estratégicos de decisão do chavismo. Ao longo das décadas seguintes, ocupou diversos cargos institucionais, incluindo funções no Legislativo e a Procuradoria-Geral da República durante o governo Chávez.
Na Venezuela, Flores passou a ser chamada de “primeira-combatente”, termo que reflete sua imagem de militante ativa e não apenas de acompanhante do chefe de Estado. A expressão contrasta com a forma como parte da mídia internacional costuma reduzir sua atuação ao papel de esposa do presidente.
Advogada, deputada e uma das principais lideranças do chavismo, Cilia Flores construiu uma trajetória marcada pela militância e pela defesa do projeto bolivariano. Sua história ajuda a compreender o papel das mulheres na política venezuelana e os bastidores da consolidação do movimento que transformou o país nas últimas décadas.