
Nesta quinta-feira, 9 de abril, o aguardado anúncio da seleção oficial da 79ª edição do Festival de Cannes, realizado em Paris, confirmou uma ausência significativa: não há filmes brasileiros na seleção oficial. Ainda assim, permanece a expectativa por possíveis participações nas seções paralelas, como a Quinzena dos Realizadores e a Semana da Crítica, cujas programações serão divulgadas nos próximos dias.
Em um ano marcado por transformações na indústria global e pela ampliação geográfica da curadoria, o Brasil aparece apenas de forma indireta, em uma coprodução envolvendo a produtora Tatiana Leite, da Bubble Project. O filme Elefantes na Névoa, dirigido pelo nepalês Abinash Bikram Shah e ambientado no Nepal, integra a mostra Un Certain Regard. Trata-se de uma coprodução entre Nepal, Alemanha, Brasil, França e Noruega, portanto, um projeto multinacional que, apesar da participação brasileira, não apresenta traços culturais diretamente associados ao país.

Enquanto a disputa principal reúne 21 títulos — sem nenhuma produção estadunidense, mas com nomes já esperados como Pedro Almodóvar e Asghar Farhadi (veja nossa lista de previsões) —, um dado preocupante volta à tona: entre os concorrentes à Palma de Ouro, apenas cinco filmes são dirigidos por mulheres, evidenciando que o festival ainda está distante de alcançar maior equidade de gênero.
Segundo Thierry Frémaux, delegado geral do festival, esse cenário reflete um momento de mudanças profundas na indústria americana, marcado por fusões e aquisições que impactaram o volume e o perfil das produções. Um dos nomes mais notáveis ausentes é Steven Spielberg, cujo novo filme, Dia D (Disclosure Day), ficou fora da seleção por decisão do estúdio, com estreia prevista para 11 de junho no Brasil.
Se, por um lado, Brasil e Estados Unidos ficaram de fora da competição, por outro, o festival amplia sua presença global com a entrada inédita de países como Nepal, República Centro-Africana e Costa Rica. Ao todo, foram cerca de 2.500 filmes inscritos, evidenciando o crescimento da produção mundial.
Na competição oficial, além de Almodóvar e Farhadi, destacam-se Sheep in the Box, de Hirokazu Kore-eda, Fjord, de Cristian Mungiu, e Minotauro, de Andrey Zvyagintsev. Ainda assim, o desequilíbrio de gênero persiste, com apenas 23% de representação feminina entre os diretores — assinados pela alemã Valeska Grisebach, pelas francesas Charline Bourgeois-Tacquet, Jeanne Herry e Léa Mysius, e pela austríaca Marie Kreutzer.
Fora da competição, há espaço para nomes conhecidos e novas experiências, como Diamond, a aposta do cubano-americano Andy Garcia na direção, e Her Private Hell, do dinamarquês Nicolas Winding Refn, que retorna após um hiato de dez anos. Já nas seções paralelas, surgem representantes da América Latina, como El Deshielo, da chilena Manuela Martelli, e Siempre Soy Tu Animal Materno, da costa-riquenha Valentina Maurel.
O panorama geral revela um Cannes cada vez mais internacionalizado, atento a novas cinematografias, mas que ainda evidencia lacunas importantes — seja pela ausência brasileira na competição, seja pelo distanciamento momentâneo de Hollywood. Agora, resta acompanhar, entre os dias 12 e 23 de maio, como essa seleção se refletirá na recepção crítica e na disputa pela Palma de Ouro.
Filme de abertura :La Vénus Électrique, de Pierre Salvadori (fora de competição)
Amarga Navidad, de Pedro Almodóvar
Contos Paralelos, de Asghar Farhadi
La vie d’une femme (A Woman’s Life), de Charline Bourgeois-Tacquet
La Bola Negra, de Javier Calvo e Javier Ambrossi
Covarde, de Lukas Dhont
L’Aventure rêvée (Das Geträumte Abenteuer), de Valeska Grisebach
All of Sudden, de Ryusuke Hamaguchi
L’Inconnu (The Unknown), de Arthur Harari
Garance (Another Day), de Jeanne Herry
Sheep in the Box, de Hirokazu Kore-eda
Hope, de Na Hong-jin
Nagi Notes, de Koji Fukada
Gentle Monster, de Marie Kreutzer
Notre Salut, de Emmanuel Marre
Fjord, de Cristian Mungiu
Histoires De La Nuit (The Birthday Party), de Léa Mysius
Moulin, de László Nemes
Fatherland, de Paweł Pawlikowski
The Man I Love, de Ira Sachs
El Ser Querido (The Beloved), de Rodrigo Sorogoyen
Minotauro, de Andrey Zvyagintsev
Filme de abertura: Teenage Sex and Death at Camp Miasma, de Jane Schoenbrun
Elefantes na Névoa, de Abinash Bikram Shah (1º filme)
Iron Boy, de Louis Clichy
Ben’imana, de Marie-Clémentine Dusabejambo (1º filme)
Congo Boy, de Rafiki Fariala
Club Kid, de Jordan Firstman (1º filme)
Uļa, de Viesturs Kairišs
La Más Dulce (Strawberries), de Laïla Marrakchi
El Deshielo (The Meltdown), de Manuela Martelli
Siempre Soy Tu Animal Materno (Forever Your Maternal Animal), de Valentina Maurel
Yesterday the Eye Didn’t Sleep, de Rakan Mayasi
I’ll Be Gone in June, de Katharina Rivilis (1º filme)
Words of Love, de Rudi Rosenberg
Everytime, de Sandra Wollner
All the Lovers in the Night Sode, de Yukiko Sode
La Bataille de Gaulle : L’Âge de Fer, de Antonin Baudry
Karma, de Guillaume Canet
Diamond, de Andy Garcia
L’Abandon, de Vincent Garenq
L’Objet du Délit, de Agnès Jaoui
Her Private Hell, de Nicolas Winding Refn
Full Phil, de Quentin Dupieux
Sanguine, de Marion Le Corroller (1º filme)
Roma Elastica, de Bertrand Mandico
Jim Queen, de Marco Nguyen e Nicolas Athané (1º filme)
Gun-Che (Colony), de Yeon Sang-ho
La Troisième Nuit, de Daniel Auteuil
The Match, de Juan Cabral e Santiago Franco
Kokurojo (The Samurai and the Prisoner), de Kiyoshi Kurosawa
Heimsuchung (Visitation), de Volker Schlöndorff
Propeller One-Way Night Coach, de John Travolta
Rehearsals for a Revolution, de Pegah Ahangarani (1º filme)
Les Matins Merveilleux, de Avril Besson (1º filme)
L’Affaire Marie-Claire, de Lauriane Escaffre e Yvo Muller
Avedon, de Ron Howard
Les Survivants du Che, de Christophe Dimitri Réveille (1º filme)
John Lennon : The Last Interview, de Steven Soderbergh
Cantona, de David Tryhorn e Ben Nicholas