
A sequência de cinco vitórias nas últimas seis partidas — o período inclui o clássico contra o Fluminense e dois confrontos pela Libertadores — não só elevou o moral dos jogadores do Botafogo, como também amenizou a pressão externa sobre o trabalho do técnico Renato Paiva. Ainda que o técnico não seja unanimidade entre torcedores, há o reconhecimento de que, junto dos resultados, o desempenho da equipe tem subido de nível mesmo, com diversos desfalques importantes. No triunfo por 3 a 2 contra o Estudiantes, na última quarta-feira, foram cinco ausências (Bastos, Barboza, Savarino, Matheus Martins e Mastriani).
Nada disso, porém, mudou a convicção da cúpula de futebol do Botafogo no trabalho que vem sendo realizado por Renato Paiva há pouco mais de dois meses. Mesmo quando a equipe não somava bons resultados, a diretoria frisava a confiança no português. Agora que “a bola está entrando”, isso só tem sido reforçado e, claro, celebrado.
A metodologia de trabalho de Renato Paiva no dia a dia do clube é uma das coisas mais valorizadas pela diretoria. Há o entendimento de que o português dá bons treinos e consegue preparar bem a equipe para as partidas. Exemplo disso é que o cenário previsto por Paiva para o confronto contra o Estudiantes, de como o Botafogo teria que se portar em campo contra a linha de cinco defensores do time argentino, mostrou-se correto. Apesar do “apagão” do alvinegro após sofrer o primeiro gol, o saldo em relação ao desempenho do treinador foi considerado positivo.
Além disso, outro ponto que está a favor de Renato Paiva é a forma como se relaciona com os atletas, membros da diretoria e demais funcionários do Botafogo no dia a dia. Diferentes fontes ouvidas pelo GLOBO apontam o técnico português como uma pessoa acessível e bem-quisto no ambiente de trabalho. Alguns antecessores e conterrâneos de Paiva no alvinegro também conseguiram nutrir esse sentimento nos colegas de trabalho, mas outros nem tanto.
De certa forma, essa abertura para ouvir quem o cerca no futebol do Botafogo se manifestou de duas maneiras na partida de ontem. Uma delas, claro, na comemoração em tom de brincadeira do gol de Artur com o dedo do meio em direção à Ricardo Dionísio, um de seus auxiliares. Na ocasião, Paiva fez o gesto para o membro de sua comissão porque, minutos antes, eles debateram se tirariam ou não o camisa 7 da partida. Dionísio foi a favor da substituição por conta da fadiga muscular do atacante, mas o treinador decidiu mantê-lo. Acabou sendo premiado com o gol.
— (Foi) uma discussão entre mim e minha comissão técnica. “Tira o Artur ou não tira o Artur”. E eu disse: “não vou tirar o Artur”. Quando ele faz o gol, eu fiz aquilo à boa maneira portuguesa para o meu colega da comissão técnica. Isto foi obviamente uma brincadeira. Quando sai o gol, eu estou rindo — explicou Paiva.
Outro exemplo disso foi quando, logo após o gol decisivo de Artur, o lateral-esquerdo Alex Telles foi conversar com os auxiliares de Paiva para sugerir “ajustes táticos” ao treinador. A ideia do defensor, que é um dos líderes do elenco, era “fechar” o time para que o Estudiantes não conseguisse o empate.
— (A situação com Telles) é o reflexo do que criamos aqui. A proximidade que quero com os jogadores, que eles me respeitem sem que eu precise ser um sargentão. Termos a capacidade de ter proatividade da parte deles. O Telles veio dizer: “Mister, fecha o jogo”. É a experiência dele, não é um jogador jovem, disputou grandes campeonatos. Veio dizer uma coisa que já tinha decidido, fechar o jogo, óbvio. Quem está no futebol há tempo, olha para o jogo e toma a decisão de fechar, mesmo que muitas pessoas não queiram. Corremos riscos, tínhamos jogadores desgastados — afirmou.
É apostando nesse início de uma boa fase que o Botafogo tentará quebrar a sequência de duas derrotas consecutivas para o Flamengo nesta temporada. O clássico do próximo domingo, às 18h30, no Maracanã, será o primeiro de Renato Paiva contra o rival rubro-negro. Além do duelo por si só, a equipe ainda tentará quebrar o jejum sem vitórias longe do Nilton Santos neste Campeonato Brasileiro.
— Quero que minha equipe jogue com o Flamengo como fez nos últimos dois jogos: com olhos nos olhos. São duas equipes do Rio de Janeiro, somos campeões da Série A. Temos que jogar dessa forma. Temos que mudar um pouquinho a forma como fazemos fora de casa. São seis jogos com cinco vitórias. Só perdemos para o Bahia. Precisamos ser mais competentes fora para brigarmos por títulos. Vamos jogar com zero medo contra uma grande instituição do Rio de Janeiro (Flamengo), como a nossa. Vamos com muito respeito e zero medo — concluiu.