
Por Warley Luís Pereira da Silva, Gestor em Agronegócio e pós graduado em Agronomia
Você já parou para pensar se o café que a gente toma aqui é o mesmo que vai para fora do país? Essa é uma dúvida comum entre muitos brasileiros, especialmente em cidades como Uberlândia, onde o agronegócio é motor da economia regional e onde muita gente conhece alguém que planta, colhe ou comercializa café.
O Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo. Só em 2024, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), mais de 65 milhões de sacas foram produzidas — sendo que mais da metade foi destinada ao mercado externo. E é justamente aí que começa a nossa curiosidade: será que o melhor café vai embora e ficamos apenas com o “resto”?
A resposta não é tão simples. O que ocorre, na prática, é uma seleção baseada em padrões internacionais de qualidade. Os cafés especiais, com notas acima de 80 pontos em avaliações sensoriais, são altamente valorizados no mercado europeu, asiático e norte-americano — e, sim, esses grãos de altíssima qualidade são, na maioria, exportados.
Mas isso não significa que o brasileiro só consome café ruim. O que acontece é que, historicamente, o consumidor brasileiro estava mais acostumado a cafés mais fortes, escuros e torrados além do ponto, que mascaram defeitos do grão. Com o passar do tempo e com a chegada de cafeterias especializadas e torrefações artesanais, o paladar do brasileiro tem evoluído — e a demanda por cafés de qualidade vem crescendo internamente também.
Hoje, em Uberlândia e em toda a região do Cerrado Mineiro, é possível encontrar produtores que separaram parte da produção especial para o mercado local, valorizando o consumo interno e a experiência sensorial do nosso povo. O famoso “café gourmet” ou “café especial” está cada vez mais acessível, com aromas e sabores que antes só os gringos conheciam.
Portanto, não é que o Brasil fique com o “pior café” — mas sim que, por muitos anos, deixamos de valorizar o que tínhamos de melhor. Felizmente, esse cenário está mudando. E Uberlândia tem papel fundamental nisso, seja como centro logístico, como polo de consumo ou como elo de ligação entre o campo e a cidade.
Da próxima vez que for tomar seu cafezinho, pergunte a origem do grão. Você pode se surpreender ao descobrir que está saboreando algo que o mundo inteiro gostaria de ter na xícara.
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Francisco
Gomes
Denilson
Adorei a matéria! conseguiu abordar uma dúvida que muita gente tem de forma leve e esclarecedora. É muito bom ver que o café que produzimos com tanto carinho está sendo cada vez mais valorizado aqui dentro também. Especialmente em lugares como Uberlândia, que têm tanta ligação com o campo, é inspirador ver essa mudança acontecendo. Um texto que dá orgulho do nosso café e de quem está por trás dele!
Denilson
Adorei a matéria! O autor conseguiu abordar uma dúvida que muita gente tem de forma leve e esclarecedora. É muito bom ver que o café que produzimos com tanto carinho está sendo cada vez mais valorizado aqui dentro também. Especialmente em lugares como Uberlândia, que têm tanta ligação com o campo, é inspirador ver essa mudança acontecendo. Um texto que dá orgulho do nosso café e de quem está por trás dele!
Ana Carolina
Sempre tive essa curiosidade sobre o café que consumimos no Brasil e agora entendi melhor como funciona essa seleção de qualidade. É bom saber que o paladar do brasileiro está mudando e que estamos valorizando cada vez mais os nossos próprios produtos.
Lea Maria
É muito bom ver assuntos do agronegócio, especialmente ligados ao café, sendo tratados com seriedade e sensibilidade. A reflexão sobre o consumo interno e a valorização dos cafés especiais produzidos aqui em Uberlândia é fundamental para que a gente reconheça a riqueza do que temos.