
Por Warley Luís Pereira, colunista de agronegócio
O que são essas tarifas e por que elas importam?
As tarifas impostas pelos Estados Unidos durante o governo de Donald Trump são, basicamente, um “imposto extra” que o país cobra sobre produtos brasileiros que entram no mercado americano. Pense como se fosse uma taxa de pedágio: quanto mais alta, mais caro fica para o produto chegar ao destino.
Quando os EUA aumentam essas tarifas, produtos brasileiros como café, carne, aço e frutas ficam mais caros para os consumidores e empresas americanas. Isso significa que o comprador lá pode preferir comprar de outro país que venda mais barato.
Como isso afeta o Brasil?
O Brasil exporta muito desses produtos para os EUA. Quando a venda cai, o produtor brasileiro deixa de ganhar dinheiro. Isso atinge diretamente:
Agricultores e pecuaristas, que vendem menos e têm de reduzir preços para competir.
Empresas exportadoras, que perdem mercado e precisam encontrar novos compradores, o que leva tempo e pode ser mais caro.
Trabalhadores do campo e da indústria, que podem sofrer com corte de produção e, em casos mais graves, até demissões.
E para o consumidor brasileiro?
O impacto chega de forma indireta, mas chega:
Se a carne ou o café que iriam para fora ficam no Brasil, isso pode, em alguns casos, fazer o preço cair. Mas nem sempre é assim, porque o valor também depende do dólar e de outros mercados compradores.
A redução nas vendas externas pode afetar toda a cadeia econômica, diminuindo investimentos no setor rural e industrial.
Menos dinheiro circulando no campo significa menos consumo, e isso atinge o comércio, serviços e até a arrecadação de impostos das cidades.
Por que isso é sério?
O comércio internacional é como uma teia: um puxão de um lado afeta todos os fios. Tarifas altas podem parecer um problema distante, mas no fim prejudicam a economia brasileira, o emprego e até os preços no supermercado. Quando um mercado importante como os EUA impõe barreiras, é como se fechassem parcialmente uma porta de entrada para nossos produtos, obrigando o Brasil a procurar outras portas — que podem ser menores ou mais difíceis de abrir.
Em resumo: tarifas não afetam apenas grandes exportadoras ou governos. Elas mexem com a vida de quem planta, quem colhe, quem transporta, quem vende e, no final, quem compra.