
Enquanto o T-Cross lota as ruas e leva o troféu de SUV mais vendido em 2025, a Volkswagen vê o Taos em situação bem diferente. Com 12.620 unidades emplacadas no ano passado, o SUV médio não chegou nem perto do Jeep Compass e do Toyota Corolla Cross e seus cerca de 60 mil emplacamentos no mesmo período, seja pela concorrência frenética ou por problemas internos, como o baixo volume que chegava da Argentina.
O VW Taos 2026 quer mudar este cenário. Reestilizado, agora é produzido no México e até “voltou no tempo” ao ficar mais barato, de olho não só nos concorrentes tradicionais, mas também diante dos chineses eletrificados que enchem as ruas e shoppings da classe média brasileira. Este é o novo Taos Highline 2026, que custa R$ 209.990 e pode ser opção até “dentro de casa” em relação ao T-Cross Highline.
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Fonte: Mario Villaescusa / Motor1.com
Com a produção no México, o VW Taos 2026 economiza uma etapa até o Brasil. Em vez de chegar em peças na Argentina para depois ser exportado, o carro virá pronto e direto, o que será importante para o volume que os concessionários terão à disposição para vender e entregar aos clientes. Isso entra na conta do preço? Com certeza, já que as montadoras reclamam dos impostos argentinos sobre produtos para exportação.
Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com
Agora recebemos praticamente o mesmo Taos vendido no México e enviado aos Estados Unidos. Apresentado em 2024, o SUV reestilizado tem novos faróis, nesta versão com a tecnologia I.Q. Light adaptativa, e para-choque com o DNA que já vemos no Tera, baseado em uma grande grade em colmeia. No Taos Highline, uma faixa em LED interliga os faróis quando ligados.
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Na traseira, as lanternas em LED mudam sua organização interna e recebem uma peça também em LED que as interliga na tampa, com um duvidoso logo iluminado. Curiosamente, as rodas de 19″ são as mesmas do modelo anterior na versão Highline, enquanto a Comfortline recebeu novo design para as peças de 18″.
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Por dentro, a maior mudança é a tela do sistema multimídia VW Play em uma nova moldura, passando a impressão de ser flutuante. Os comandos touch para o ar-condicionado de duas zonas já estavam presentes anteriormente. A parte superior do painel, em plástico, perde um porta-objetos, mas fica mais limpa, e as saídas de ar das extremidades recebem um novo formato.
Ainda na linha 2025, o Taos recebeu o novo câmbio automático de oito marchas, uma evolução esperada inclusive em futuras atualizações dos demais modelos da VW que ainda usam a caixa de seis marchas. Mais moderno, ele foi a solução para ajudar a enquadrar o SUV e o motor 1.4 turbo nas novas normas de emissões enquanto a eletrificação não vem.
Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com
Nos EUA, ele já conta com o 1.5 turbo, mas aqui ainda lidamos com o conhecido 1.4 turboflex de 150 cv e 25,5 kgfm, que pelo jeito ainda terá vida longa, sendo esperado até para a nova picape Tukan em 2027. Para atender às normas de emissões, o motor está cada vez mais amansado, o que fica claro ao volante, principalmente em um SUV médio de quase 1.500 kg.
O novo câmbio trabalha de forma mais suave e silenciosa que o de seis marchas. A grande vantagem é permitir relações mais curtas, o que ajuda nas acelerações, mantendo a mesma rotação da caixa anterior em velocidades altas na última marcha — no caso do Taos e T-Cross, por exemplo, 2.000 rpm a 120 km/h em nossos testes.
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Ele tenta, mas não resolve por completo o delay do acelerador e do turbo. É melhor que no T-Cross, mas o peso extra do Taos é sentido nas arrancadas, principalmente no modo Eco. Abaixo, a tabela comparativa com o teste do Taos de seis marchas, realizado em 2023 com gasolina:
| VW Taos 6 marchas | VW Taos 8 marchas | |
| 0 a 60 km/h | 4,6 s | 4,4 s |
| 0 a 80 km/h | 6,9 s | 6,6 s |
| 0 a 100 km/h | 10,1 s | 9,5 s |
| 40 a 100 km/h | 7,8 s | 6,9 s |
| 80 a 120 km/h | 7,2 s | 6,3 s |
| Consumo cidade | 10,3 km/litro | 9,5 km/litro |
| Consumo restrada | 14,9 km/litro | 14,8 km/litro |
Com as novas normas de emissões, alguns carros estão ficando menos econômicos. No caso do Taos 2026, isso ficou perceptível na cidade, onde o consumo caiu de 10,3 km/l para 9,5 km/l. Podemos atribuir parte da culpa ao delay do acelerador e à necessidade de pisar mais fundo em certas situações, embora a média rodoviária tenha se mantido estável. Em compensação, o SUV ficou mais rápido devido à nova relação de marchas, tanto em arrancadas quanto em retomadas no modo Sport.
Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com
Na época em que a briga era apenas contra Compass e Corolla Cross, isso era aceitável, mas a chegada dos SUVs médios eletrificados mudou a perspectiva do consumidor, que se tornou mais exigente com o consumo e busca o torque imediato dos motores elétricos — algo que apenas um novo câmbio não resolveria no Taos. É um produto melhor que o anterior, mas o mercado vai cobrar a falta de bateria.
O novo Taos merecia mais. Eu mesmo o conheci no lançamento em 2021 e sempre o considerei um carro injustiçado, com muitas qualidades, mas esquecido pelos compradores, seja por falta de marketing da própria VW ou pelo forte apelo dos concorrentes.
Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com
O porta-malas é bom, embora falte o acionamento elétrico, um item exigido nesta categoria. O espaço é bem aproveitado e possui até um acesso para acomodar objetos maiores sem rebater o banco bipartido. No estepe, encontra-se o subwoofer do sistema de som; apesar de não ter assinatura de grife, oferece boa qualidade e não ocupa espaço extra, embora exija mais trabalho em caso de pneu furado.
No banco traseiro, dois adultos viajam bem acomodados, com saídas de ar central. Porém, um terceiro ocupante sofrerá com o túnel central alto, herança da plataforma MQB-A projetada para modelos com tração integral (opção disponível para o Taos nos EUA). O espaço para as pernas é amplo, graças aos 2.680 mm de entre-eixos.
Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com
Por usar a plataforma MQB-A, ele possui suspensão independente na traseira e a excelente dinâmica de um VW médio. É nítido que ele é mais refinado que o T-Cross, com ajuste de suspensão mais firme e direção mais direta, mantendo o DNA de carro alemão tradicional. O conjunto é tão bom que chega a sobrar para o motor 1.4 turbo, deixando um “gosto de quero mais” por uma motorização híbrida ou mais potente.
Em janeiro de 2024, publicamos um comparativo onde o Taos Highline completo custava R$ 219.950 (R$ 212.480 sem opcionais). Hoje, o carro custa R$ 209.990 (R$ 217.250 com teto solar panorâmico). É uma redução que raramente vemos, mas ainda não sabemos se é um preço de lançamento ou uma estratégia definitiva da marca devido à mudança de produção e aos novos concorrentes.
Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com
O fato é que a Volkswagen está se movimentando para vender o novo Taos. Seja no marketing ou na abordagem dos vendedores, a missão é fazer o SUV médio emplacar desta vez. No bolso, ele se mostra mais interessante que o T-Cross Highline (R$ 196.290 básico, R$ 209.080 completo) por ser maior e mais refinado.
Se isso vai funcionar, veremos nos próximos meses. A eletrificação faz falta na briga contra os chineses, e a disputa entre os tradicionais segue acirrada, tanto com os clássicos Compass e Corolla Cross quanto com a chegada do Renault Boreal. O Taos merecia mais, mas o futuro parece reservar mais holofotes para o T-Cross do que para ele.
Fotos: Mario Villaescusa (para o Motor1.com)
VW Taos 1.4T AT8
Motor
dianteiro, transversal, 4 cilindros, 16 válvulas, 1.395 cm3, duplo comando de válvulas com variador na admissão e escape, injeção direta, turbo, flex
Potência e torque
150 cv a 5.000 rpm; 25,5 kgfm de 1.500 a 3.800 rpm
Transmissão
câmbio automático de 8 marchas; tração dianteira
Suspensão
McPherson na dianteira; multilink na traseira; rodas de 19″ com pneus 235/45
Comprimento e entre-eixos
4.467 mm; 2.680 mm
Altura
1.626 mm
Largura
1.841 mm
Capacidades
porta-malas: 498 litros; tanque: 48 litros
Peso
1.456 kg em ordem de marcha
Preço de entrada
R$ 209.990 (R$ 217.250 com teto-solar)
Aceleração
0 a 60 km/h: 4,4 s; 0 a 80 km/h: 6,6 s; 0 a 100 km/h: 9,5 s (em 154,9 m)/ 201 metros: 10,8 s a 108 km/h
Retomada
40 a 100 km/h (em D): 6,9 s em 140 m ; 80 a 120 km/h (em D): 6,3 s em 176,4 m
Consumo de combustível
cidade: 9,5 km/litro; estrada: 14,8 km/litro (gasolina)