
Equipes da Polícia Civil e da Polícia Militar realizam, na manhã desta terça-feira, uma das fases da Operação Torniquete. Entre os objetivos da ação está cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão. Um dos nomes no centro das investigações é Edgar Alves Andrade, o Doca, apontado como um dos integrantes da cúpula criminosa que controla a região. Nos planos do grupo, segundo a polícia, está a expansão de controle para outros territórios.
Nesta manhã, houve confronto na região com a chegada dos agentes. Investigações apontam que é do Complexo da Penha de onde partem as ordens para as disputas entre rivais em busca de expandir territórios para a Zona Oeste, onde há controle por parte da milícia. As investigações apontam que traficantes do Comando Vermelho (CV) — sob o comando de Doca, de Carlos Costa Neves, o Gadernal, e de Juan Breno Malta Ramos Rodrigues, o BMW — são responsáveis, entre outros crimes, por ordenar roubos de veículos e de cargas, para viabilizar a compra de armamento, munição e o pagamento de uma “mesada” aos parentes de presos faccionados, bem como dos chefes da facção.
Barricadas são incendiadas durante operação no Complexo da Penha
Em setembro do ano passado, o levantamento feito pelo GLOBO apontou a escalada de disputa que tem resultado numa guerra entre milícia e tráfico na cidade do Rio. Neste ano, apenas em janeiro, houve invasão e tiroteio em pelo menos quatro regiões da Zona Oeste: Rio das Pedras, Muzema, Praça Seca e Gardênia Azul. Segundo a polícia, o Comando Vermelho tentou retomar o controle da Gardênia Azul após a entrada de milicianos na região. O embate, durante a madrugada, resultou em duas mortes.
A Polícia Civil acredita que Doca tenha ordenado ações recentes de traficantes na Gardênia e em Rio das Pedras. Atualmente, ele é um dos principais nomes da facção. O traficante tem como homem de confiança o BMW, que pode estar à frente da nova guerra entre traficantes e milicianos nessas duas comunidades e, segundo investigações. BMW é procurado pela polícia desde que três médicos foram executados em um quiosque na Barra da Tijuca, em outubro do ano passado.
Doca, por vezes também chamado de Urso, já foi um dos alvos da operação Buzz Bomb, deflagrada em setembro deste ano, pela Polícia Federal para reprimir o uso de drones lançadores de granadas, operados por pessoas ligadas ao CV. Contra ele há mais de 20 mandados de prisão expedidos em seu nome pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), segundo dados do site do Conselho Nacional de Justiça.
Na época da Buzz Bomb, Doca teve prisão preventiva decretada pela 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa do TJRJ. Ele foi denunciado pelos crimes de organização criminosa e posse de material explosivo, cujas penas somadas podem chegar até 14 anos de prisão, em caso de condenação.