
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou, após conversar com a presidente Claudia Sheinbaum, que o México está isento de pagar tarifas sobre qualquer bem ou serviços cobertos pelo acordo comercial da América do Norte, conhecido como USMCA.
“Após conversar com a presidente Claudia Sheinbaum do México, concordei que o México não precisará pagar tarifas sobre qualquer coisa que se enquadre no Acordo USMCA. Este Acordo é válido até 2 de abril. Fiz isso como uma acomodação e por respeito à presidente Sheinbaum”, escreveu o presidente americano na rede social Truth Social.
“Nosso relacionamento tem sido muito bom, e estamos trabalhando duro, juntos, na fronteira, tanto para impedir a entrada de imigrantes ilegais nos Estados Unidos quanto, igualmente, para parar o Fentanil. Obrigado à presidente Sheinbaum pelo seu trabalho árduo e cooperação!”, acrescentou Trump.
Tal isenção duraria até 2 de abril, quando Trump espera impor uma nova rodada de tarifas, incluindo tarifas “recíprocas” sobre países de todo o mundo e tarifas setoriais, como sobre importações de automóveis, produtos farmacêuticos e semicondutores.
Um pouco mais cedo, o secretário de Comércio, Howard Lutnick, dissera que presidente dos EUA provavelmente iria estender a isenção de tarifas impostas ao Canadá e ao México para todos os bens e serviços enquadrados no acordo comercial da América do Norte.
As ações caíram quando os mercados abriram nesta quinta-feira em Nova York, à medida que os planos tarifários de Trump continuam a assustar os investidores. As ações reduziram algumas perdas após a fala de Lutnick, enquanto os futuros do WTI caíram para mínimas da sessão e o peso mexicano e o dólar canadense se valorizaram. No Brasil, após as declarações de Lutnick, a Bolsa ampliou a alta.
Em entrevista à CNBC, Lutnick informou que Trump decidirá nesta quinta-feira sobre o escopo de uma isenção de um mês para as tarifas de 25% impostas agora em março aos dois maiores parceiros comerciais dos EUA.
— Acho que é provável que cubra todos os bens e serviços em conformidade com o USMCA — afirmou o secretário, acrescentando:
— Se você viver sob o acordo dos EUA, México e Canadá de Donald Trump, você receberá uma moratória sobre as tarifas agora. E se você escolher ir além disso, fez isso por conta e risco próprio, e hoje é o dia em que essa decisão será cobrada.
Lutnick acrescentou que tanto o México quanto o Canadá “nos ofereceram uma enorme colaboração no combate ao fentanil”. O presidente americano vinculou as tarifas, assim como a tarifa de 20% sobre a China, ao fluxo de fentanil ilícito e à migração para os EUA.
O secretário disse ainda que Trump já havia conversado com o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau. Nesta quinta-feira, segundo o The Wall Street Journal, Trudeau confirmou que autoridades em Ottawa e Washington estão em conversações para aliviar as consequências das tarifas de 25% sobre certos setores.
— Eu não vou entrar muito nesse assunto, porque há conversas em andamento, mas vou dizer que o foco que temos agora é reduzir os impactos das tarifas — disse Trudeau a repórteres em Ottawa.
Nesta semana, o presidente dos EUA ofereceu uma isenção de um mês para os automóveis cobertos pelo USMCA, ao mesmo tempo que funcionários da administração estavam considerando isentar algumas importações agrícolas específicas. Os comentários de Lutnick estendem a isenção a outros setores.
“Conversamos com as três grandes concessionárias de automóveis. Vamos conceder uma isenção de um mês para qualquer automóvel que venha através do USMCA (acordo de livre-comércio da América do Norte)”, disse Trump em uma declaração lida pela porta-voz Karoline Leavitt na ocasião. Essas concessionárias incluíam a Stellantis, a Ford e a General Motors.
O alívio para as montadoras veio após a imposição de tarifas de 25% na terça-feira sobre todas as importações do México e do Canadá, onde muitos carros são fabricados. Alguns relatórios sugeriram que o custo dos veículos poderia aumentar de US$ 4.000 a até US$ 12.000 para alguns carros. Trump também dobrou sua tarifa recente sobre a China, de 10% para 20%