
O governo da Venezuela rompeu relações com o Paraguai nesta segunda-feira após o apoio de Assunção ao opositor Edmundo González Urrutia, adversário do presidente Nicolás Maduro nas eleições de 28 de julho, alvo de acusações de fraude de grande parte da comunidade internacional.
“A Venezuela decidiu, em pleno exercício de sua soberania, romper relações diplomáticas com a República do Paraguai e proceder com a retirada imediata de seu pessoal diplomático credenciado no país”, indicou a Chancelaria em um comunicado, reagindo a uma conversa por telefone na qual o presidente paraguaio, Santiago Peña, expressou apoio a González.
O governo venezuelano “rejeita categoricamente as declarações do presidente do Paraguai, Santiago Peña, que, ignorando o direito internacional e o princípio da não intervenção, recai em uma prática fracassada que lembra as fantasias políticas do extinto Grupo de Lima com sua ridícula aventura chamada Guaidó”, acrescentou o comunicado.
Caracas já rompeu relações em 2019 com os Estados Unidos por causa de seu apoio à figura da oposição Juan Guaidó, que liderou um governo interino simbólico que foi apoiado na época por mais de 50 nações, incluindo o Brasil, na época sob controle do então presidente Jair Bolsonaro.
Após o questionamento internacional da proclamação de Maduro, o governo venezuelano retirou a equipe diplomática da Argentina, Chile, Costa Rica, Peru, Panamá, República Dominicana e Uruguai.
O rompimento das relações com o Paraguai foi decidido quatro dias antes da posse de Maduro para um terceiro mandato consecutivo de seis anos (2025-2031), em meio a alegações de fraude por parte da oposição, que reivindica a vitória de González Urrutia, no exílio desde 8 de setembro.
A reeleição do herdeiro político de Hugo Chávez provocou protestos que deixaram 28 mortos, 200 feridos e mais de 2.400 presos, inclusive adolescentes, acusados de terrorismo e encarcerados em prisões de segurança máxima. Cerca de 1.500 foram libertados.
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