No dia 13 de maio, o Brasil reflete sobre os impactos da escravidão e a necessidade de reparação histórica. A data, que marca a abolição da escravatura em 1888, é vista por muitos como um momento de luto e análise das desigualdades que persistem até hoje.
Estudiosos e movimentos sociais destacam que a Lei Áurea, assinada pela Princesa Isabel, não trouxe mudanças significativas para os libertos. Muitos foram deixados à própria sorte, sem abrigo ou meios de subsistência, perpetuando a marginalização da população negra.
Campanhas por Justiça e Reparação
Uma das iniciativas em andamento é a campanha “Justiça Tributária Já”, promovida por organizações como o Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) e a Oxfam Brasil. A proposta visa enfrentar as desigualdades raciais através de uma tributação mais justa, especialmente sobre grandes fortunas, muitas das quais têm raízes em práticas escravocratas.
O documento “Arqueologia da Regressividade” da Oxfam aponta que 80% dos super-ricos no Brasil são homens brancos, enquanto a população negra enfrenta uma carga tributária desproporcional. Essa disparidade se reflete na renda média, onde homens não negros ganham significativamente mais do que mulheres negras.
Além disso, a bancada negra do Congresso Nacional lançou a campanha “Nem Mais um Dia: Reparação Já”, que busca a aprovação da PEC 27/2024. Essa proposta visa criar um fundo de reparação econômica e promover a igualdade racial, com investimentos anuais de R$ 1 bilhão por 20 anos.
A PEC também propõe que a igualdade racial seja reconhecida como um direito fundamental na Constituição, estabelecendo políticas permanentes para combater a discriminação. A criação do Fundo Nacional de Reparação Econômica é um passo importante para financiar ações de inclusão e justiça socioeconômica.
A historiadora Ana Flávia Magalhães Pinto ressalta que a abolição não significou a plena cidadania para os negros no Brasil. As desigualdades estruturais persistem, limitando o acesso a direitos básicos como educação, saúde e emprego, refletindo a necessidade urgente de políticas reparatórias eficazes.
Com a aproximação do dia 13 de maio, o debate sobre a reparação e a justiça racial ganha força, evidenciando que a luta por igualdade e reconhecimento histórico ainda está longe de ser concluída.











